Cinco minutos de sossego
A sofrida vitória de um atleta brasileiro numa corrida de aventura na Costa Rica
Por Redação
em 11 de maio de 2006
Lidar com doses cavalares de desconforto, com a insegurança de se perder no caminho e com o controle da energia para chegar “inteiro” ao final e administrar o relacionamento entre os integrantes da equipe costumam ser os aspectos destacados pelos atletas de corrida de aventura como decisivos para a obtenção de bons resultados, o que na maioria dos casos pode significar apenas cruzar a linha de chegada.
Partindo do princípio de que quem se dispõe a encarar uma competição como essa, que dura no mínimo seis horas e em alguns casos chega a 10 dias, tem o preparo físico em dia e conhecimento técnico de navegação, constata-se que o fator psicológico é o que acaba sendo determinante para o sucesso.
O modelo clássico de prova, criado por Gerard Fuzil há cerca de uma década – roteiros quilométricos por matas fechadas, combinação de diferentes esportes e equipes com quatro atletas sendo um necessariamente de sexo distinto –, praticamente determina que a equipe corra no ritmo do mais lento. Nas equipes de ponta é comum ver o mais forte carregando duas mochilas ou puxando o parceiro na bicicleta a fim de compensar a deficiência, mas não sem desgaste físico e emocional.
Rafael Campos, 29, costuma ser o que puxa o time. Tenente do Exército, na reserva há três anos, se habituou a conviver com o desconforto. Amante das atividades físicas, já praticou de futebol a ginástica olímpica, sua condição atlética é de profissional, embora não consiga viver do esporte. Com esses atributos a posição de comando do time veio naturalmente.
Ele é capitão e navegador da Quasar Lontra, equipe que divide com a Oskalunga os melhores resultados do país. Sua primeira corrida foi na segunda edição da EMA – Expedição Mata Atlântica – em 1999. Com um time inexperiente, como todos à época, venceu. De lá para cá vem acumulando pódios com as duas versões da equipe, para provas curtas e longas. Em ambas, conta com uma parceira especial, a namorada Marina Verdini, o que torna ainda mais sensível a questão de relacionamento com a equipe.
Campos acaba de voltar da Costa Rica onde venceu a “Betwen Two Continents, Two Oceans”, prova que quebrou um dos pilares da corrida de aventura: foi a primeira relevante na categoria solo. Apesar de confessar ter conversado com a bicicleta e ter sentido falta de alguém para controlar seu sono, “é do que mais sofro, sou do dia, escureceu fico com sono”, ele ficou confortável tendo que comandar apenas a si mesmo.
Durante as 54h17m que levou para percorrer 250 km nas montanhas da Costa Rica, dormiu apenas 40 minutos. Chegou a colocar o relógio para despertar cinco minutos mais tarde, “levei três minutos ajustando o relógio”, e antes de o alarme disparar foi acordado pelo barulho dos passos e pela luz do “head lamp” do segundo colocado, o americano Paul Romero, com quem rivalizou durante a maior parte do tempo.
Prova categoria “expedição”, o percurso incluiu natação, mountain bike, corrida, canoagem e técnicas verticais e selecionou oito, entre os 20 competidores que largaram, para concluir o circuito, entre eles duas mulheres. Depois da bem-sucedida experiência solo, quando teve ao menos uma das dificuldades do esporte resolvida, ele volta à equipe, que se prepara para o Mundial, em agosto, na Suécia e na Noruega.
NOTAS
World Jr Surfing Championship
Entre as presenças de destaque no campeonato que acontece em Maresias, SP, estão a francesa Lee Ann-Curren, filha do tricampeão mundial Tom Curren, e a havaiana Bethany Hamilton, que perdeu um braço num ataque de tubarão.
WCT – Teahupoo, Taiti
Todos os sete brasileiros na disputa da terceira etapa do mundial de surfe caíram para a repescagem. As ondas melhoraram na mais esperada etapa do Tour.
Programa radical
BMX e escalada esportiva são as atrações deste fim de semana no evento que vai até final de maio no Ginásio do Ibirapuera, na capital.
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