por Dafne Sampaio

Os músicos João Donato e Paulo Moura gravam disco para lembrar de tempos pré-bossa

Por Dafne Sampaio, do Gafieiras

Tudo começou numa festa. O clarinetista Paulo Moura e o pianista João Donato, amigos de longa data, bebericavam uma garrafinha de água com gás quando o anfitrião, o diretor Carlos Manga, achegou-se e mandou uma sugestão. Pediu que os dois músicos recordassem de canções dos tempos do célebre Sinatra-Farney Fã Club. Quem não viveu esse tempo, no início da década de 1950, e não se informou, desconhece. O fã-clube é dessas instituições ímpares da cultura brasileira. Considerado um dos berços da bossa nova (esta conversa já foi docemente contada no livro Chega de Saudade, do jornalista Ruy Castro), o clubinho, freqüentado por jovens músicos como Johnny Alf, reunia uma gente que adorava jazz e samba, Frank Sinatra e Dick Farney. A salada de gostos deu bossa, e seus membros criaram o gênero mais (inter)nacional do cancioneiro tupiniquim.

Cinqüenta anos depois, Moura e Donato engataram as lembranças dos clássicos do jazz norte-americano e canções pré-bossa, entraram em estúdio e gravaram em apenas uma semana um punhado de faixas. Com nada mais do que um clarinete e um piano, fisgaram toda essa história. E o passeio pelo passado rendeu o CD Dois panos para manga, recém lançado pela Biscoito Fino. O repertório privilegia clássicos como “That old black magic” (Harold Arlen e Johnny Mercer), “Swanee” (George Gershwin e Ira Gershwin), “On a slow boat to China” (Frank Loesser) e “Tenderly” (Walter Gross e Jack Lawrence), mas sem esquecer o Brasil de “A saudade mata a gente” (João de Barro e Antônio Almeida), “Copacabana” (João de Barro e Alberto Ribeiro) e “Minha saudade” (João Donato e João Gilberto). A dupla também registrou duas parcerias inéditas, “Pixinguinha no Arpoador” e “Sopapo”. É a história que segue.

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