por Camila Dourado

Projeto Montanha para Todos foi criado para incentivar pessoas com mobilidade reduzida a se aventurar em esportes de aventura

2015. Foi nesse ano que a vida do casal de engenheiros Juliana Tozzi e Guilherme Simões ganhou uma nova direção. A transformação começou após Juliana vencer um câncer de mama e engravidar. Com um mês de gestação, a família descobriu que ela tinha uma síndrome neurológica rara: degeneração cerebelar paraneoplásica. A doença fez com que seus movimentos ficassem comprometidos. A nova realidade afetou a rotina do casal de São José dos Campos, e fez com que eles parassem de praticar esportes. Fazer trilhas nas montanhas sempre foi uma paixão compartilhada entre os dois, e, antes do diagnóstico, já haviam visitado mais de 30 lugares diferentes pelo país.

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Em fevereiro de 2016, já com o pequeno Benjamin e no dia do aniversário de 33 anos de Juliana, Guilherme e um grupo de amigos foram para Cunha, no interior de São Paulo, com o objetivo de levá-la, em uma cadeira de rodas convencional, até o cume da Pedra da Macela. “Conseguimos chegar, mas foi bem difícil. Tivemos que utilizar cordas e foi muito cansativo para todos”, conta Guilherme. Mas a sensação de colocar Juliana novamente em contato com a natureza e o desejo de manter viva a sua paixão por aventura fez Guilherme buscar novas alternativas. Com a ajuda de um amigo e com o conhecimento dos terrenos pelos quais já havia passado, criou uma cadeira especial adaptada para trilhas, a “Julietti”. 

No dia 12 de junho de 2016, o casal fez sua primeira experiência com a nova cadeira, que levou Juliana até a base do Maciço das Prateleiras, no Parque Nacional de Itatiaia. “Foi um momento muito forte e emocionante, eu estava de novo incluída, eu realmente estava de volta para as montanhas”, relata.

Quebrar os próprios limites não foi o suficiente para o casal, que para ampliar a inclusão nos esportes de montanha e atividades outdoor, criou o projeto Montanha para Todos. Além de palestras, eles disponibilizam a Julietti, gratuitamente, em parques nacionais, empresas de turismo, grupos de montanhistas e associações. Atualmente, já foram entregues 13 cadeiras. Para usá-la, basta fazer a reserva em contatos disponibilizados no site do projeto.

Novas fronteiras  

2 de junho de 2018. Uma contagem regressiva na página inicial do site do projeto anuncia o tempo que falta para o casal iniciar uma jornada de volta ao mundo, com o propósito de entregar uma Julietti em cada um dos países por que passarem. “Queremos distribuir algo em torno de 60, 70 unidades”, explica Guilherme, “mas ainda está tudo muito incerto, pois dependemos de patrocínio para a viagem e também para a confecção e logística das cadeiras”.

Com mais esse feito realizado, outra quebra de paradigmas ficará registrada na história dos esportes: será a primeira vez que uma família dá a volta ao mundo com uma cadeirante e uma criança de colo. Juliana já é a primeira montanhista cadeirante do Brasil e logo se tornará a primeira do mundo a escalar uma montanha com mais de 6 mil metros de altitude. Isso porque o roteiro de volta ao mundo começa na Bolívia, onde será feito o teste de uma nova versão da Julietti, que ficará mais leve e resistente. O novo modelo será testado por Juliana em uma montanha de 6052 metros de altitude e atenderá não só as pessoas com deficiência, como será utilizada para resgate em áreas remotas. Em seguida, antes de partir para outros países, voltam para o Brasil para percorrer todos os estados, realizando palestras, divulgando o projeto e aproveitando o período para a adaptação da vida em um trailer.
A volta ao mundo ainda precisa de patrocínio e de parceiros, mas para um casal que não vê limites, alguma dúvida de que roteiro será concluído? Vale dizer que o Montanha Para Todos aceita contribuições, que podem ser feitas através do link no site do projeto.

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