por Guilherme Henrique

Rappers como Emicida, Rincon e Baco se consolidam como chefes das próprias carreiras e abrem caminho para outros artistas fazerem o mesmo

“Quando a gente chegar em outros segmentos, ninguém vai entender nada”, garante o rapper baiano Baco Exu do Blues, ao lado de Leonardo Duque, seu parceiro na direção executiva do selo 999. “Desfilar na São Paulo Fashion Week foi um marco da nossa história”, ressalta Evandro Fióti, músico e sócio-proprietário do Laboratório Fantasma em parceria Emicida, seu irmão. “Essa banda tem uma facilidade incrível para se manter atual e inspiradora”, afirma Eliane Dias, responsável pela Boogie Naipe, produtora que gerencia a carreira do Racionais Mc’s.

Baco Exu do Blues, Fióti e Eliane Dias são exemplos de um movimento cada vez maior no hip hop brasileiro, no qual artistas e produtores estão criando seus próprios selos. A meta é diversificar não só a forma e o conteúdo musical, mas também se aventurar em outras áreas, como audiovisual, moda e entretenimento.

Nos últimos anos, outros cantores trilharam o mesmo caminho, unindo amigos, expandindo a liberdade criativa e se aventurando no mundo dos negócios. No Rio de Janeiro, o rapper Akira Presidente e o produtor El Lif criaram, em 2013, o selo Pirâmide Perdida.

No ano passado, o rapper paulistano Rincon Sapiência deixou a Boia Fria Produções para dar vida ao selo MGoma. A iniciativa será colocada à prova no segundo álbum do rapper, que será lançado nas próximas semanas, após o aclamado Galanga livre, de 2017.

Mas o que Laboratório Fantasma, Boogie Naipe, 999, MGoma e Pirâmide Perdida têm em comum? No que se diferenciam nos objetivos de agora e do futuro? Se liga no papo que a Trip teve com seus líderes e fundadores. 

Laboratório Fantasma

“No começo, éramos eu e o Emicida”, responde Evandro Fióti quando questionado sobre o número de funcionários que iniciaram os trabalhos do Laboratório Fantasma. Completando 10 anos em 2019, a empresa cresceu e se tornou referência no segmento. O número atual de funcionários não foi revelado, mas o sócio-proprietário da LAB afirma que 180 famílias são impactadas pelos negócios da empresa, que envolvem lançamentos de discos, shows, produções audiovisuais e parcerias no mundo da moda.

O primeiro trabalho da empresa foi Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe”, mixtape de estreia do jovem Emicida, à época com 24 anos. De lá pra cá, outros cinco álbuns já foram lançados pelo paulistano. Além dele, as carreiras de artistas como Rael e Drik Barbosa também são gerenciadas pela firma. Todos estão inseridos no que ele chama de gerenciamento 360. “O planejamento é feito em conjunto com cada um deles, envolvendo marketing, comunicação e estratégia artística pra cada projeto ou produto. Decidimos juntos e compartilhamos expectativas”, comenta Fióti.

“Tivemos que criar nosso próprio espaço dentro da indústria. Tem uma história de resistência, perspicácia e orgulho do que nós plantamos”
Evandro Fióti, do Laboratório Fantasma

Além da música, a empresa tem como regra diversificar sua atuação. “Soubemos no primeiro dia a importância do merchandising para o negócio”, conta Fióti. Estampar camisetas era parte de um projeto maior e ousado, que atingiu seu ápice na trilogia dos desfiles do SP Fashion Week em 2016, 2017, 2018 – este último em parceria com a marca C&A. Atualmente, o LAB vende uma gama variada de produtos, entre bonés, camisetas, bermudas e moletons, com site próprio, distribuição nacional e loja física, na zona norte da capital paulista.

O Laboratório Fantasma é apontado como precursor no modelo de gestão que hoje começa a virar tendência no rap nacional. Fióti concorda: “Tivemos que criar nosso próprio espaço dentro da indústria. Tem uma história de resistência, perspicácia e orgulho do que nós plantamos e de como ajudamos a moldar esse novo mercado não só do rap, mas da música como no Brasil nos últimos 10 anos”, analisa.

A ascensão da empresa, no entanto, não aconteceu sem percalços. As críticas aos irmãos Emicida e Fióti por “terem se vendido” é facilmente encontrada em discussões sobre a cena do rap. “A gente vive em um país no qual a exceção confirma a regra. Poucas pessoas conseguem chegar onde nós chegamos, então isso aumenta a responsabilidade. Há dez anos, eu estava segurando um balde na cabeça enquanto chovia na minha casa, dividindo espaço com os ratos. Sei a transformação que causei na minha vida e na vida de quem trabalha comigo. As pessoas falam muito e fazem pouco, e a gente sempre foi de fazer muito e falar pouco”, argumenta Fióti.

Para o futuro, os planos do Laboratório Fantasma são variados. “Vão sair dois projetos grandes: um do Emicida e outro do Rael. Também estamos conversando para fazer uma nova edição do Festival Ubuntu”, revela Fióti. A primeira edição do show aconteceu em 2014, quando a empresa completou 5 anos. Além disso, o empresário estuda a possibilidade de desenvolver projetos no âmbito social.

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Boogie Naipe

Com a voz tranquila, Eliane Dias afirma que organizar a turnê de 30 anos do Racionais Mc’s, que começa em julho, em Florianópolis, não foi uma tarefa difícil. “Olha, até que esse não foi tão complicado. Mas tem algumas condições, claro. Um só aceita se os shows não atrapalharem a carreira solo, outro quer ganhar mais do que recebe com apresentações individuais. Vou ouvindo e chegando a acordos”, comenta.

Formada em direito, a empresária do maior grupo de rap do Brasil nunca havia trabalhado com música quando assumiu a missão de gerenciar a carreira da banda, em meados de 2012. “A Boogie Naipe surgiu em 2009, mas demorou três para sair do papel e começar a funcionar”, conta. O nome da produtora foi definido por Mano Brown em um encontro familiar. “O papel com a letra dele está enquadrado”, diz Eliane.

Quando decidiu trabalhar com o Racionais, Eliane tinha o próprio escritório de advocacia e coordenava o SOS Racismo, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). “Tive que entender o que era essa cena do rap, o que era a Eliane nesse mundo e aprender a lidar com cada um da banda. Hoje, sei exatamente o que eles querem”, relembra.

“Eu assumo o risco e tenho que fazer acontecer”
Elianes Dias, da Boogie Naipe

Além da pouca experiência, o fato de ser mulher também não foi um facilitador. “Queria mostrar que dava pra fazer, e eles não aceitavam nada. Aí vinha a questão de ser mulher e de nunca ter trabalhado com música. Toda hora vinha um e falava 'eu tenho 20 anos de carreira', 'eu sei muito mais'. Chorava 30 segundos no banheiro e voltava, porque não podia perder a linha”, conta.

Ao relembrar o convívio turbulento que por vezes marcou a relação com o grupo, Eliane cita a primeira apresentação do Racionais no Credicard Hall, em setembro de 2014, para celebrar os 25 anos de carreira. “Eles se recusaram a fazer o show. Já estava com data reservada, contrato assinado há seis meses. E eu não podia brigar. Precisava mostrar argumentos de que aquilo ia dar resultado. Eu assumo o risco e tenho que fazer acontecer”, revela.

Depois de alguns anos de convivência e cursos empresariais que lhe deram mais segurança na empreitada – atualmente, ela cursa um MBA em Gestão Empresarial na Fundação Getúlio Vargas a gestora ressalta que o relacionamento está mais tranquilo. “Estou mais técnica, profissional e entendendo o que é ser empresária. Existe um diálogo. Mas a gente não tem um grupo de WhatsApp, por exemplo. Tentei criar uma vez pra ser mais dinâmico, mas cada um fala uma coisa. Deletei rapidinho”.

Atualmente, a Boogie Naipe mantém um sobrado no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, com aproximadamente 8 funcionários. Para além do Racionais, a empresa gerencia as carreiras de Alt Niss e Filiph Neo, cantores de R&B, e da jovem Victoria Cerrid, que ainda não foi lançada oficialmente pela produtora. Além da carreira solo de Mano Brown. “Ele é conhecido no rap, mas é um artista novo no R&B, então o desafio também é grande”, explica. Casada com Pedro Paulo (Mano Brown) e mãe de Domênica Dias e Kaire Jorge, Eliane afirma que o relacionamento passou por alguns problemas assim que ela virou empresária do grupo. “Vivíamos momentos de tensão. Até que um dia falei que não conversava mais sobre trabalho em casa”.

Com a turnê comemorativa prestes a começar, Eliane celebra o momento do Racionais. “Tenho minhas restrições a eles como homens, mas, como artistas, me sinto privilegiada. Mesmo estando ali perto, acompanhando a carreira lado a lado do Brown, não tinha a dimensão da grandeza. A gente vai sair em turnê com 38 pessoas, 14 músicos no palco. Proporcionar isso para eles e para os fãs é uma alegria. Eles me tiram do sério às vezes, mas aí eu conto até dez e toco a vida”, finaliza.

Pirâmide Perdida

tem uma fórmula para que a Pirâmide Perdida continue a ter o sucesso conquistado até aqui: “A gente não pode esquecer que somos um bando de amigos fazendo música”, comenta o rapper à Trip.

Aos 33 anos, Akira ocupa, ao lado do produtor El Lif, a direção executiva da Pirâmide Perdida, selo criado em 2015 e que reúne expoentes da nova geração do rap, como BK, Sain e Luccas Carlos. “Começamos a nos ouvir, trocar experiências, sonoridade, influências. Nosso estilo de vida era parecido, também. Resolvemos abraçar tudo isso”, conta.

Desde 2015, a empresa tem passado por diversas transformações. Saíram da categoria de Microempreendedor Individual (MEI) para o Simples Nacional, o que possibilita receber valores maiores. As gravações acontecem no home studio do produtor Lil Fil, com o suporte da Companhia dos Técnicos, estúdio localizado em Copacabana. Além dos oito artistas que compõem a firma, outros dois produtores (Macedinho e REC) estão no time. 

“A gente não pode esquecer que somos um bando de amigos fazendo música”
Akira Presidente, da Pirâmide Perdida

Com projetos no rap desde 2007, Akira elenca referências para dar os primeiros passos com a Pirâmide Perdida. “Víamos o Laboratório Fantasma crescendo muito, além de outros trampos na gringa. Def Jam, Cash Money, G-Unit e Aftermath conseguiam ficar grandes, assinar seus projetos e manter o dinheiro entre eles.”

A liberdade criativa impera na Pirâmide, mas não sem doses cavalares de seriedade. “Somos livres, mas com responsabilidade, porque comandamos a firma. Se o cara não vai ao estúdio, dá prejuízo pra ele e pra empresa, que depende de música lançada”.

Nos últimos anos, os nomes da empresa ganharam destaque nacional. BK e Sain, por exemplo, realizaram uma turnê na Europa no mês passado, com passagens por Barcelona, Lisboa e Porto. O próprio Akira está no último álbum de Kl Jay (Na Batida Vol.2). Cada um dos oito artistas (Akira Presidente, BK, Bril, CHS, El Lif Beatz, Jxnvs, Luccas Carlos e Sain) tem sua individualidade garantida. “Estamos vivendo uma fase nova e é preciso manter a fé no projeto inicial. Sabemos o quanto a Pirâmide é importante pra a criação musical. Tentamos manter o equilíbrio entre o que precisamos cobrar e aquilo que cada um está começando a viver”, pondera Akira.

O futuro da Pirâmide Perdida passa pela expansão da empresa não só na música, mas também na moda e na produção de festivais. “Vamos fazer quatro anos e temos 13 projetos lançados: são 6 álbuns e 7 EP’s. Conseguimos respeito musical, com ótima aceitação e isso deu crédito na rua. Estamos com estúdio montado, vamos efetivar o escritório, as roupas da marca saem neste ano. Queremos fazer mais uma edição do Festival, que lotou o Circo Voador em 2018. Estamos crescendo rapidamente, reconhecendo nossas falhas e nos aprimorando para que todos caminhem no mesmo passo”.

999 

“Costumo dizer que ele dormiu Diogo e acordou Baco”, comenta Leonardo Duque, um dos diretores executivos da 999. A afirmação acontece quando o produtor se recorda do sucesso feito com a música “Sulicídio”, lançada em 2016, feita em parceria com Diomedes Chinaski. A partir daquele momento, garante Duque, Diogo Moncorvo deu vida a Baco Exu do Blues, como é conhecido.

Até 2016, aliás, Duque explica que a 999 era “uma festa”. O sucesso repentino da canção fez com que a reunião entre amigos ganhasse importância e seriedade de empresa. “Começamos a desenvolver alguns trabalhos, mas tudo centralizado em mim. Naquele momento, não quis amontoar artistas para depois ver o que ia acontecer. Começamos de forma certeira, sem emoção e dando um passo de cada vez”, comenta Baco Exu do Blues.

No caso da 999, acertar significou derrubar as paredes de um mercado estruturado pelo eixo Rio-São Paulo. Vindos de Salvador, Baco analisa o processo de amadurecimento antes de se mudarem em definitivo para a capital paulista, algo que só ocorreu em agosto do ano passado. “Criamos uma estrutura foda de trabalho para sobreviver sem estar aqui. A necessidade de estar qualificado no mesmo nível dos artistas daqui, fez com que nos profissionalizássemos de forma muito brutal em Salvador”.

“Viemos de um lugar onde não sabíamos nada. Por ser assim, não vemos o final das coisas. Quero mais”
Leonardo Duque, do 999

Atualmente, a empresa conta com uma equipe de 8 a 10 pessoas, entre DJ’s, produtores e auxiliares. Baco e Leonardo Duque vivem em São Paulo, mas parte do time segue em Salvador. “Quando os meninos vêm ficam tudo lá em casa. É uma família”, brinca Duque. “Somos blindados contra as coisas sujas, porque só trabalhamos entre a gente ou com referências muito próximas. Por sermos tão seletos e fechados, o externo não nos toca”, enfatiza Baco.

Lançado em 2017, Esú, álbum de estreia do selo, deu a Baco Exu os prêmios de Revelação e Melhor Canção ("Te amo disgraça") do Prêmio Multishow. Para além disso, o rapper “destruiu tudo que viu pelo caminho”, avalia Duque. “Distribuímos essa parada de maneira independente, tá ligado? Não tinha ninguém além de nós”, completa. A revelação antecede outra análise: a de que disseminar informação pode mudar o cenário do rap no Brasil. “Se ele (Baco), depois de Sulicídio, fez aquilo tudo sem informação, imagina se os moleques tiverem apoio? Se a molecada de Salvador tivesse a visão e perspicácia de distribuir seu som como as pessoas daqui fazem, talvez tivéssemos muita gente da Bahia com holofote”, completa.

Com a carreira consolidada, Baco Exu do Blues começa a planejar o lançamento de outros artistas. Young Piva, que divide o palco com ele na turnê Bluesman, deve ser o primeiro. Moda, audiovisual, entretenimento: tudo está no radar da 999. “A gente aprendeu muito sozinho, entendendo cada fase do negócio, o business. Viemos de um lugar onde não sabíamos nada. Por ser assim, não vemos o final das coisas. Quero mais”, pensa Duque.

MGoma

Ricon Sapiência, 33 anos, deixou a Boia Fria Produções em outubro do ano passado para, enfim, criar o próprio selo. MGoma, que dá nome ao projeto, significa “em casa”, um lugar para onde se pode voltar a qualquer hora. “Conectado com artistas dos extremos periféricos e mostrando-se a prova viva do “faça você mesmo”, Manicongo e seu selo se colocam à disposição do mercado para dar vida a novos sons e narrativas”, diz o texto de apresentação.

A iniciativa, conta Rincon Sapiência à Trip, é resultado da ascensão na carreira ao longo dos últimos anos. “

“Quero fazer a engrenagem do rap rodar, quase que como uma contrapartida pelo sucesso que tenho tido”
Rincon Sapiência, rapper e dono do selo MGoma

. Trabalhar na base e ajudar novos artistas, criar conceitos, linguagens. Isso precisa ser feito por pessoas que estão envolvidos com a cultura hip-hop, não por terceiros. O rap é muito carente disso, principalmente se tratando de artistas de periferia, pretos. São jovens que têm o talento, mas são leigas nas questões burocráticas, por falta de oportunidade”, comenta.

Rincon poderia ter trabalhado com outro selo por mais tempo, mas a feitura de um novo disco, que será lançado nas próximas semanas, pedia uma casa nova. “Existe a responsabilidade de fazer um álbum melhor que o anterior”, comenta. O primeiro trabalho, intitulado Galanga Livre, foi lançado em 2017 e conquistou diversos prêmios. Ele foi escolhido artista do ano pela Associação Paulista de Criticos de Arte (APCA), além de arrebatar os troféus de Melhor Produção e Melhor Capa do Prêmio Multishow.

A MGoma está organizada em seis pessoas, entre assessores e produtores, garante Rincon Sapiência. Mas, via de regra, cada projeto exige a contratação de outros colaboradores. “Essa é a minha primeira empreitada nesse lance empresarial, e as coisas têm dado muito certo. A ideia é que essa estrutura cresça nos próximos anos, até se tornar uma marca relevante. No futuro, outras pessoas poderão criar seus selos, produtoras, até que tenhamos um mercado mais amplo no campo empresarial também”, vislumbra.

O futuro da MGoma parece ser uma semente comum de outros rappers que estão empreendendo. Rincon Sapiência não vê o futuro da cena sem que os mais experientes possam transmitir conhecimento para quem está começando. “Por mais que eu tenha conseguido ascender profissionalmente, ainda estou em contato com pessoas talentosas na Bahia, em Recife, que por várias razões não conseguem administrar a sua rede social ou registrar suas músicas, contratos, distribuição em plataformas. Mudar isso é um dos meus objetivos”.

Créditos

Imagem principal: Heitor Loureiro

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