por Luiz Filipe Tavares

Artista Titi Freak dá palestra sobre sua experiência com grafite após tsunami no Japão

No último dia 11 de março, o terremoto e tsunami que atingiram a região japonesa de Sendai completou um ano, contabilizando pelo menos 15 mil mortos, 27 mil feridos e mais de 3 mil desaparecidos. Na maior tragédia a atingir o arquipélago desde os ataques atômicos a Iroshima e Nagasaki, o terremoto de nove pontos na escala Richter gerou ondas de até 40m na costa japonesa, destruindo tudo o que encontrava pela frente e desestabilizando até mesmo a geração de energia na usina nuclear de Fukushima Daiichi.

O artista plástico brasileiro residente no Japão, Titi Freak estava por lá e participou ativamente do projeto de reconstrução da cidade de Ishinomaki, na província de Miyagi, nordeste do país. Ali, comandou uma iniciativa de melhorar o dia a dia nos abrigos temporários construídos pelo governo, onde famílias desabrigadas passaram a viver após o terremoto. Dessa forma devolveu um pouco de cor para as vidas de pessoas que perderam tudo, mas não perderam a vontade de viver.

 

"Respeitar e ajudar o outro nos faz sentir melhor e são atos que acabam refletindo pra você mesmo"

 

"Sabia que a arte poderia, de certa forma, mexer e provocar as pessoas, mas não imaginava o quanto isso seria positivo para a vida deles", comentou Titi em entrevista exclusiva à Trip. "As pinturas que fiz ajudaram as pessoas a se aproximarem mais. E o mais importante: conseguiram colocar um sorriso nos rosto das pessoas que lá vivem. Acho que trabalho como este, em que a arte entra massivamente na vida das pessoas, pode realmente transformar uma comunidade."

Um caminho para a reconstrução.

Com o sucesso da iniciativa, Titi chega ao Brasil nessa semana para uma série de três palestras abordando o tema da experiência. Arte, um caminho para a reconstrução passa por São Paulo nos dias 20 e 21 de março e depois vai para Curitiba no dia 23. A entrada para os eventos é gratuita mas depende de inscrição prévia, já que as vagas são limitadas. A primeira rola na terça (20), às 16h, no Pequeno Auditório do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), na capital paulista. Na quarta a palestra chega ao Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo – CEJAP-USP, ao meio dia. Em Curitiba, o evento acontece no auditório do Museu Paranaense, às 19h.

"Um trabalho como esse é importante por poder se aplicar em tudo, inclusive na nossa própria vida. Respeitar e ajudar o outro nos faz sentir melhor e são atos que acabam refletindo pra você mesmo", explicou o artista, falando sobre como levar essas experiências conduzidas no Japão para outros lugares. "Percebi o quanto é importante sermos fortes em momentos de grande tristeza, não deixar nos abalar e acomodar, e o quanto isso é importante pra que possamos continuar e crescer. Esta é uma lição que não vou esquecer."

 

"Se tratando de Japão, sabemos o quanto eles são fortes em se reerguerem e esta tragédia do 11 de março mostrou o quanto são persistentes"

 

No total, 300 pessoas poderão assistir a palestra entre as três edições. No palco, Titi vai mostrar a importância da arte em situações como a dos abrigos temporários de Miyagi, onde o brasileiro espalhou sua arte. No nordeste do Japão, onde o maior terremoto da história do país fez uma imensa quantidade de vítimas, o grafite pode transformar diretamente a vida das pessoas. Nas nossas cidades, onde os estragos nunca foram assim tão grandes, ele pode fazer ainda muito mais. 

"A melhor parte de tudo foi ver que eles ficaram realmente felizes com as pinturas, que se sentiam melhor em ver os trabalhos em suas casas", continuou Freak. O fato foi que, com este projeto, conseguimos aproximá-los mais. As pessoas deste complexo habitacional ficaram muito mais unidas após pintarmos os grafitess na região. Se tratando de Japão, sabemos o quanto eles são fortes em se reerguerem e esta tragédia do 11 de março mostrou o quanto são persistentes. Isso vem de sentimentos fortes, de não se acomodarem em tristes momentos. Vem de levantar a cabeça, seguir em frente."

Na galeria acima você vê algumas imagens dos grafites nas moradias provisórias japonesas.

Vai lá: Arte, um caminho para a reconstrução no MASP
Quando:
20/03, terça, às 16h
Onde: Pequeno Auditório do MASP - Avenida Paulista, 1578 - Cerqueira César, São Paulo
Quanto: Grátis
Inscrições: esgotadas
Informações: (11) 3251-5644

Vai lá: Arte, um caminho para a reconstrução na USP
Quando:
21/03, quarta, às 12h
Onde: CEJAP/USP - Av. Prof. Lineu Prestes, 159 - Cidade Universitária, São Paulo
Quanto: Grátis
Inscrições: pelo e-mail estudos@fjsp.org.br
Informações: (11) 3091-2426

Vai lá: Arte, um caminho para a reconstrução em Curitiba
Quando:
23/03, sexta, às 19h
Onde: Auditório do Museu Paranaense - Rua Kellers, 289 - Alto São Francisco, Curitiba
Quanto: Grátis
Inscrições: pelo e-mail cultura@c1.mofa.go.jp
Informações: (41) 3322-4919  

 

 

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