A WALLPAPER E OS BOIMDIOTAS
A nata da burguesia urbana paulistana andou de quatro e abanando o rabinho diante da visita dos representantes da bíblia do estilo cool (zão) da atualidade, a revista Wallpaper
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Numa das maiores demonstrações de babaquice coletiva de que se tem notícia nas últimas décadas neste país, a nata da burguesia urbana paulistana andou de quatro e abanando o rabinho diante da visita dos representantes da bíblia do estilo cool (zão) da atualidade, a revista Wallpaper.
A publicação que está ajudando a tornar ‘design’ uma das palavras mais detestáveis do planeta e convencendo todo o idiota colonizado a ir viver num loft, mandou seus emissários a São Paulo para ver como vivem os ‘descolados’, aquela gente que se classifica como ‘agitadores culturais’. Pois bem, a equipe chegou à conclusão de que Higienópolis é o correspondente paulistano ao Soho ou ao Tribeca. Talvez o seja de fato, se considerarmos estes bairros novaiorquinos como magnetos de atração de caipiras emergentes desesperados para se transformar da noite para o dia em colecionadores de arte contemporânea, críticos de design, habitantes de grandes espaços decorados com móveis brancos desenhados por Mies Van der Roe, publicitários enfastiados e temerosos com a saída do Nizan, o fim do glamour da propaganda e dos salários de marajá. Um monte de babacas de mocassim sem meias tentando ser e parecer ‘cosmopolitas do novo milênio’ e se imaginando como protagonistas de anúncios de Campari ou, bem pior, dos cigarros Free.
Ora, por favor, olhem bem para os lados, com a descoberta da antes pacata Higienópolis pela horda de descolados do gênero cool (zão), este morrote da cidade virou um inferno disputado a tapa por cachorros cagões, carros de madames parados em fila dupla para descarregá-las na Barcelona ou no Café Romano, legiões de baba ovo subempregados, sentados nos bancos da praça Vilaboim, que de tão espremida mal comporta a banca de jornais ali plantada e o pior, palco de assaltos que se sucedem até nas portas da Secretaria de Segurança. É claro, há exceções, como a rua do presidente da república, na qual os moradores se cotizaram para financiar uma milícia particular no mais puro estilo Mossad. Se antes a graça do bairro vinha sendo ofuscada pelo volume de carros e de imbecis que ali aportavam em busca de uma mesinha para degustar um pouco de tanta modernidade, agora, Higienópolis começa a ser soterrado pela quantidade de idiotas de salão, aqueles que dão voltas e mais voltas em torno da feirinha da Benedito Calixto em busca de um vaso de Murano que lhes dê a dignidade, o conteúdo e a história que de fato não têm.
A Wallpaper seduziu e foi seduzida pela horda que, depois de dez anos vivendo na praça Vilaboim, classifiquei aqui mesmo neste espaço
em 27/03/95 como os BOIMDIOTAS. O movimento cresceu, ganhou força e partiu agora para a globalização. Deus nos ajude!
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