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A realidade virtual dos fãs de Matrix

Somos desplugados, estamos ligados à realidade

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Créditos: Murillo Meirelles


Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Após seu lançamento em 1999, o filme Matrix conquistou uma legião de fãs brasileiros em busca de aventura virtual. E é exatamente assim que os mesmo se relacionam. Não existe um movimento organizado, com firma reconhecida.

Eles se encontram na internet e promovem sites de discussão, trocam fotos inéditas, brincam com os diálogos do filme e, o mais importante, tentam formular teses que interpretem as partes confusas do longa – que não são poucas, mas trazem, de uma maneira inovadora (tanto na forma quanto no conteúdo), a discussão sobre o real e o virtual, iniciada por pensadores como Gilles Deleuze e Paul Virilio.

Essa, talvez, seja a melhor contribuição do filme para o cinema industrial de Hollywood. Em um momento em que crescem as críticas sobre o conteúdo produzido pelo cinema norte-americano, surgem, dentro desta mesma indústria, dois irmãos dispostos a mostrar que filmes ainda fazem parte da sétima arte disposta a discutir ou espelhar a realidade.

Por esse aspecto, os jovens fãs não ficam por menos. O sentimento que os envolve baseia-se em discussões menos acadêmicas, mas nem por isso inválidas. “Matrix me plugou num mundo novo, um mundo que se mistura ao nosso de uma forma única, criticando profundamente os sistemas de governo e a forma como a mídia e a sociedade controla nossas mentes com idéias superficiais, nos dando a impressão que o mundo é do jeito que eles querem que seja”, disse M-NEO, fã desde o trailer (ou melhor, Maurício Longobardi, 23 anos, operador de webchat).

Outra característica que distingue um fã de Matrix de um outro filme é o fato de praticamente todos eles terem um apelido. Assim como o Neo é Mrs. Anderson, Alien e Dreammy são, respectivamente Alessandro Ricardo Braun Amaro (27 anos, Diretor de Arte) e Fernanda GVC (18 anos, estudante de arquitetura). O envolvimento dos fãs não se dá apenas em colecionar objetos (que por sinal são caros e inacessíveis), mas em se envolver num universo que dialoga com o real, diferente de Guerra nas Estrelas e Jornada nas Estrelas, que remetem a um tempo distante.

Matrix é o aqui e agora, o presente momento de mudança e renovação. “Acho que, de uma forma ou de outra, a televisão às vezes faz as vias de uma Matrix“, disse Nomane, ou Renato Daniel Brito, 24, analista de sistemas. Um outro detalhe: “Se os fãs de Star Trek são os Trekkers, aqui no Brasil os fãs de Matrix se denominam Desplugados, uma alusão ao fato de estarem despertos da ilusão criada pela Matrix“, explica Alien, criador do site onde os fãs se encontram. “Todo fã de Matrix é um desplugado. Ser Desplugado significa estar ligado a realidade, estar informado do que acontece ao seu redor. Matrix não é um fator alienante em nossas vidas de fãs, mas sim um ponto de partida na busca de informações”, explica Alien que, assim como muitos fãs, usará uma camiseta escrita “I took the red pill” no dia da estréia de Matrix Reloaded.

As imagens mais recorrentes formuladas pelos fãs do filme apontam para uma contradição. Ao mesmo tempo que os jovens tomam consciência de que o filme é uma crítica às formas condução de informação e formação do inconsciente coletivo, eles não souberam distinguir a mensagem que beira o religioso do “Prometido”. “Quem sabe, um dia, apareça um escolhido que nos faça voltar para o Mundo Real”, questiona Longobardi.

Trata-se de uma contradição na própria estrutura do filme, e que fica em segundo plano quando outros detalhes são postos em pauta, como os efeitos especiais. Sem dúvida, o conteúdo é pouco revolucionário se não for acompanhado de uma forma diferente. Nesse aspecto, o filme supera todas as expectativas.

Esse é um dos motivos pelos quais a seqüência ser tão esperada. Matrix Reloaded estréia dia 22 em Maio e já mobiliza os fãs. “Sem dúvida este é o ano de Matrix, e com o provável mega sucesso de bilheteria a trilogia vai ser pouco. Aguardo ansioso”, confessa Logonbardi. A sequência promete uma verdadeira trilogia: ao invés de cada filme ser uma história, conectada por alguns elementos em comum, apenas do terceiro filme o público ficará sabendo a trama completa.

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