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10 ANOS, GOSTOSA E METIDA

A MTV brasileira completou dez anos este mês

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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A MTV brasileira completou dez anos este mês. Pelo menos até onde alcancei, mereceu da maior parte da imprensa apenas meia dúzia de notas registrando a festa – como sempre, exibindo as mais óbvias e inexpressivas ‘celebridades’ que, diga-se de passagem, têm nas ‘presenças em festas’ parte importante de seu ‘marketing pessoal’. Debilidade jornalística à parte, temos de convir que o movimento ao longo de uma década merecia mais crédito para a emissora. Parte de uma estratégia considerada por muita gente como desastrosa – a entrada do grupo Abril no meio eletrônico -, o nascimento da Music Television made in Brasil fez barulho, e merece até hoje lindos comentários nos bastidores, que alcançam amplo espectro. Da demissão de altos executivos por conta de compras de equipamentos superfaturados até miniorgias envolvendo artistas, funcionários e fãs. Imagino que, de forma compulsória, faça parte do track record de qualquer campanha feita para interagir com música, ‘público jovem’ e diversão produzir tais factóides – se não por conseqüência natural da empreitada, mas por mero marketing. Macaco de Imitação O fato é que vindo no arrasto de uma enxurrada maior de investimentos de uma grande companhia (segundo observadores do mercado, grande responsável pelo endividamento que balançou o grupo Abril nos anos 90), a MTV foi desde cedo se virando, procurando seu caminho, e deixando claro que não ia se conformar com a figura de ‘Monkey See, Monkey Do’ em relação ao chefes da matriz norte-americana. Os caras que se sucederam na cadeira de diretor de programação (ou como seja o nome usado internamente) souberam, cada um do seu modo, tatear em direções diferentes, procurando algo que não fosse só mais brasileiro, mas que fosse mesmo mais moderno, no conteúdo e na estética. Rogério Gallo, hoje em evidência nos jornais e revistas, Titti Civita, André Vaisman e o atual, André Mantovani, foram garimpadores bem sucedidos no manancial inesgotável de lixo da cultura pop. Tudo indica que, em medidas diferentes, todos eles perceberam que o modelo sustentado pelos americanos baseado só em vídeoclipes, bem sucedido nos anos 80, deixava a sensação de algo faltando na ebulição que apontava para a década seguinte. Lobão disse em entrevista, numa frase quase profética: ‘Vídeoclipe é música para surdo.’ Talvez não seja tão ruim, mas o fato é que os filminhos sobre músicas, por mais bundas, peitos e outros efeitos especiais que possam ostentar hoje, não seguram a programação de um canal competitivo no Brasil.

Nhoque de Bananas
Assim, por mais que possa ter errado em alguns momentos, como aliás obrigatoriamente acontecerá com projetos grandes e que não têm para onde olhar em termos de bench-mark nacional, a verdade é que a empreitada ajudou de forma importante a mostrar ao mercado de comunicação que a molecada – ou, se preferir, o público jovem – não é a massa de manobra composta por um nhoque gigante de idiotas. Pelo menos não tanto. Não tenho nenhuma intenção ou interesse especial nem muito menos necessidade de agradar às pessoas envolvidas no projeto da MTV Brasil. Mas detesto a idéia de deixar de manifestar respeito e admiração por quem merece e atinge um objetivo importante, só para que uma patrulha de boçais não exerça sua inveja acusando de adulação. Depois de lutar por quatorze anos para defender um projeto com base em teses parecidas, em relação ao público jovem, aprendi a dar valor a um movimento que revelou ou projetou de forma mais inteligente, gente e conteúdo como: João Gordo, Gastão, Zeca Camargo, Felipe Cama, Jimmy Leroy, Rick, Zico Góes, Anna Butle, André Vaisman, Chris Lobo, Soninha, Cuca, Thunderbird, Fábio Massari, Fernanda Lima, Márcio Garcia (e o bom MTV Sports), Astrid (salva dos programas femininos e devolvida ao jornalismo), Edgard, Lallo, Biba, Picky, Primo Preto, Hermes, Renato, Maria Paula, Sabrina, Selma Pina, Marcos Mion, Patrick Gofanx e, certamente, muito mais gente que não conheço, ou que lamentavelmente não consigo lembrar – todos eles merecem respeito e cumprimento pelo aniversário.

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