por: IBM

Tecnologia, educação e futuro

apresentado por IBM

O rapper Dexter, a futurista Daniela Klaiman e a pesquisadora Dora Kaufman discutem os caminhos da educação realizado pelo Trip Transformadores

Mais de sete milhões de brasileiros precisarão se recapacitar para o mercado de trabalho por causa das inovações tecnológicas, segundo uma pesquisa da IBM. Mas, afinal, como preparar essas pessoas para as próximas décadas, considerando a desigualdade social do país?

Esse questionamento foi o debate do Encontro IBM e Trip Transformadores, com a afirmativa de que sem educação não há solução. O apresentador Felipe Solari conduziu as rodas de conversas com os especialistas em tecnologia da IBM, pesquisadores e empreendedores educacionais.

Humano, um ser insubstituível

A futurista Daniela Klaiman abriu a programação, compartilhando o desafio de ajudar marcas e empresas a lidar com as previsões tecnológicas de cinco a cinquenta anos em diante. “As escolas e o sistema de educação atual são iguais a década da revolução industrial, porque a base da nossa educação é formar trabalhadores; o ser humano foi adaptado ao ritmo da máquina, como os turnos de oito horas”, pontuou. Com essa reflexão, como alcançaremos o ritmo das máquinas, que estão não somente cada vez mais rápidas, mas com potencial para armazenar informações complexas que o cérebro humano não consegue acompanhar? Para Daniela, os robôs não irão nos substituir, e sim nos dar mais tempo para aperfeiçoar funções que as máquinas talvez nunca sejam programadas para executar.

“Profissões que eram colocadas para baixo agora irão se destacar; eu não quero que uma máquina faça o meu parto, por exemplo, nem quero tratar de problemas psicológicos com um robô. Pensamento diverso, empatia e saber trabalhar em equipe são habilidades humanas, não de máquinas”, afirmou. A pesquisadora de inteligência artificial Dora Kaufman concorda. “Não acredito que algumas profissões irão acabar, mas sim algumas funções. Os médicos continuarão sendo importantes, mas algumas de suas funções serão realizadas pela inteligência artificial. Com isso, eles terão mais tempo de ter uma relação melhor com o paciente”. 

Tudo começa nas escolas

O questionamento principal é sobre como preparar a sociedade para a nova forma de ver e viver o trabalho. Com a certeza de que esse caminho inicia-se desde cedo, nas escolas, as líderes de programas educacionais da IBM, Alcely Barroso e Juliana Nobre, estão implantando algumas inovações em projetos educacionais e instituições de ensino. Juliana considera que o acesso a educação não é mais o problema, e sim como fazer com que as pessoas aprendam e se desenvolvam a partir da tecnologia, criando

um caminho de oportunidades. “A chance de você se perder com muito conteúdo é grande, e o jovem muitas vezes não tem maturidade para isso. O quanto a escola

consegue apoiar a sociedade a fazer essa transformação? O papel dela é fundamental nesse processo”.

Para Alcely, as instituições de ensino precisam encerrar currículos não-flexíveis, com grade a ser cumprida. “Isso não conversa com o que a gente precisa no mercado. Precisamos de pessoas que conheçam tanto a tecnologia quanto a parte humana, é preciso ter essa mescla, que não está sendo atendida”. Agora, as informações que eram transmitidas apenas pelos professores podem ser acessadas pela internet. Porém, com as infinitas possibilidades de pesquisa e aprendizado, a curadoria humana deve definir o que é conteúdo relevante ou bobagem para dar conta de se atualizar com a grande quantidade de informações. Não à toa, o termo FOMO (fear of missing out, ou “medo de perder algo”), cada vez mais popular, define a angústia de não conseguir acompanhar o ritmo de atualizações da nossa sociedade.

“A questão da mudança é uma questão do ser humano. Temos que debater como a gente vai mudar a nossa cabeça. Não vamos mudar enquanto não tivermos intenções, ações, atividades e políticas com estímulos externos que mudem efetivamente a realidade”, afirma Arcely.  No fim de 2018, a IBM trouxe para o Brasil um modelo que articula as grades e conteúdos dos ensinos médio e superior com a empresa. “Apresentamos competências que a indústria de tecnologia achará importante daqui a dez anos. Mostramos aos os alunos muitas histórias de carreira, mostrando que ninguém nasce CEO, é um caminho a ser construído”, conta Juliana.

Além das instituições de ensino, projetos educacionais inovadores também são apoiados pela iniciativa, como a Turma do Jiló, o EducaDigital e as Bibliotecas do Futuro. A diretora da Faculdade de Análise de Sistemas da PUC, Silvia Cristina Soares, das Bibliotecas do Futuro, considera desafiador começar projetos que envolvem empresas e universidades quando o sistema educacional do país não cobra estes resultados. “É muito difícil conciliar e fazer as mudanças sem que elas sejam um desejo de todos”, conta.

Da ponte, para lá e para cá

Se renovar o sistema educacional para que ele se adapte às novas tecnologias é uma realidade ainda distante das escolas de elite, levar essa proposta para o sistema público é ainda mais complexo. Nascido na periferia de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o rapper Dexter é um exemplo de como a educação pode mudar a realidade de quem vive “da ponte pra cá”, como definem os versos do grupo Racionais MC's.

O projeto Trampo Justo, de Dexter, foi um dos homenageados do prêmio Trip Transformadores 2019. A iniciativa propõe o contato entre empresas e jovens que estão em casas de acolhimento cumprindo medidas socioeducativas. “A minha escola foi o hip-hop, porque falava dos problemas que eu vivia. Percebi que se eu queria ser rapper, precisava estudar para eu ser quem eu sou hoje: um cara de 46 anos e vivo, porque sempre fui fadado a morrer cedo na mão da polícia ou do crime”, conta o rapper, que afirma que os jovens da periferia não são sinônimo para carência. “A cada esquina da quebrada, você recebe ofertas que podem te levar para um caminho sem volta. E eu queria entrar no coração dessa juventude, porque a favela é uma potência gigante, não é só carência.” 

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Créditos

Imagem principal: Mariana Pekin

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