por Redação
Tpm #142

A escritora Clara Averbuck e a apresentadora Marina Person abrem seus cardápios

Você se preocupa com a alimentação? Evita os venenos embutidos em produtos industrializados? A escritora Clara Averbuck e a apresentadora Marina Person abrem o cardápio de tudo o que comeram em uma semana e discutem o tema

“Meus pais são vegetarianos desde que eu era pequena. Cresci com comida saudável, mas quando saí de casa, com 19 anos, me afastei totalmente disso. Na verdade tive diversos distúrbios alimentares a partir da adolescência, tomei remédios achando que a felicidade morava na magreza, achava até glamoroso não ter dinheiro pra comer no começo da minha vida em São Paulo, pois seria magra.

A relação das mulheres com a comida frequentemente é de culpa, e não é pra isso que comida serve. A gente esquece também pra que o corpo serve; não é pra ser igual à capa de revista photoshopada ou pra ficar bem no Instagram. O corpo é pra gente aproveitar. E pra poder aproveitá-lo, a gente tem que cuidar da alimentação. Descobri isso a duras penas. Fiquei doente um monte de vezes até cair a ficha óbvia de que eu tinha que cuidar do que botava pra dentro de mim.

Tive problemas no fígado, nos rins, descobri artrose com 32 anos. Como tudo isso teve relação com o que eu comi ao longo da vida, resolvi mudar tudo e comer de maneira mais saudável.

No ano passado, visitei uma médica em Porto Alegre e descobri que era alérgica a proteína de qualquer leite, de vaca, cabra, jacaré. Não posso. A partir daí, sim, minha vida melhorou. Passei a fazer minha própria comida, meu próprio pão, meu próprio leite de castanhas.

Não é só bem-estar físico, eu me sinto bem sabendo o que eu como, vendo o processo acontecer, germinando sementinhas, transformando uma coisa em outra. Me sinto meio bruxa testando novas receitas e fórmulas, mas também não vivo na neurose. Se estiver fora, encaro uma junk-food eventual, sem culpa e sem loucura.

Gosto demais de comida vegana e não como carne. Não vou dizer que não dou umas escapadas às vezes pelas ruas, eu dou. Mas me libertei da preocupação estética maluca, de achar que só seria feliz se fosse esquálida. Tenho buscado equilíbrio em tudo (e sair da linha um pouquinho também faz parte do equilíbrio).”

Clara Averbuck, 35 anos, escritora e editora do site Lugar de Mulher (www.lugardemulher.com.br)

“Desde que me conheço por gente eu procuro comer bem. É uma questão até de necessidade, já que me sinto melhor quando como bem: tudo fica melhor, a pele, o corpo, o sono. Gosto de saber o que eu estou comendo e gosto também de cozinhar. Cada coisa nova que eu descubro, fico superinteressada. Falo muito sobre esse assunto, tanto que minha médica me alertou sobre uma tendência a ser ortoréxica. A ortorexia é uma fixação pelos padrões daquilo que se come. Passei a tomar cuidado e não ficar paranoica. Se for comer fora ou estiver viajando, desencano e como de tudo. Vira e mexe eu abuso do que é gostoso, como fritura...

Apesar disso, estou há um tempo sem comer açúcar. Claro que existe o açúcar escondido no pão, mas aquele branco, que se usa no café, não compro mais. Alimentos industrializados, eu evito com todas as forças. Macarrão instantâneo, jamais. A única coisa realmente difícil é tempero: se você quer comer uma comida tai, por exemplo, certamente vai comer algo que veio processado, industrializado. São poucos os lugares onde se encontra molho shoyu sem açúcar, glutamato monossódico, conservantes, caramelos e outras porcarias.

Uma coisa que não consigo é ser vegetariana. Minha constituição pede que eu coma ao menos um pouco de carne. Senão me sinto fraca, sem concentração, tenho fome o tempo inteiro. Isso é um exemplo do quanto é difícil comer eticamente hoje. O jeito que criam os animais é um negócio chocante. Se você pensar na soja, é o mesmo: é transgênica, desmata quilômetros... O que eu recomendo é se informar de todas as formas e usar a intuição na hora de comprar alimentos. Busco comprar de produtores locais, como os que se reúnem na feirinha da Água Branca, em São Paulo. Quanto mais perto de você a comida for feita, menos COela emitiu para chegar à sua mesa. E, claro, sempre que der, prefira alimentos orgânicos. E desconfie dos vegetais muito grandes: para chegar a essa dimensão eles possivelmente cresceram com uma boa quantidade de fertilizantes.”

Marina Person, 45 anos, cineasta e apresentadora do programa Metrópolis, da TV Cultura

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