por Carol Sganzerla
Tpm #92

Destaque da seleção do técnico Bernardinho, o jogador gaúcho ataca sem uniforme para a Tpm

Passa das 11 da manhã no hotel onde Thiago está em São Paulo e nada de ele aparecer. Em meia hora, o atacante surge com olhos de quem acabou de levantar. Dispensa o café e chama um copo d’água. Seu 1,94 metro de altura não parece ligeiro como em dia de jogo, assim como o raciocínio de quem dormiu depois de o sol nascer. A noite foi longa. Endereço: Villa Country, casa noturna na zona oeste da cidade. Quando não está em quadra, Thiago ataca na noite. Diversão merecida para o atleta, que incorporou a seleção brasileira de vôlei este ano e já comemorou dois títulos com a equipe: de campeão da Liga Mundial e do Sul-Americano, disputados em julho e agosto. No dia da final da Liga, Thiago completou 23 anos em quadra. Ao lado de outros jovens atletas, o gaúcho faz parte da nova leva de jogadores cinco estrelas do técnico Bernardinho.

O diferencial pode ser visto nestas páginas: ele disputa tanto a posição como os olhares que até então eram exclusivos do veterano Giba. De traços fortes e personalidade idem, o moço vem se destacando entre os gigantes da quadra e os gritos da torcida.

Era um sonho chegar à seleção principal? Era um sonho estar no meio deles. Tu olha o Giba, o Ricardinho, e eles te chamando pelo nome! No começo tu leva um choque. O que me chamou a atenção dessa geração é que eles têm humildade, sempre deram força para os mais novos. Esses resultados positivos vêm disso.

E de muito treino. Dias de folga, como o reservado para as fotos, são raros. Quando não está defendendo o Brasil mundo afora nem treinando de segunda a sexta com a seleção em Saquarema, no litoral carioca, está em quadra pela Cimed, equipe catarinense onde joga com o levantador Bruno Rezende, filho de Bernardinho. A titularidade num dos times brasileiros de ponta o fez sair da casa da família, em Porto Alegre, para alugar um apartamento em Florianópolis, onde mora há dois anos. A cidade gaúcha ele visita só quando a bola dá uma folga. Mas isso não pesa tanto para Thiago. Filho de atletas, pratica esportes desde menino: “Meu pai jogou basquete na seleção gaúcha e minha mãe, vôlei. Eu e minha irmã íamos no carrinho de bebê para dentro do ginásio”, conta ele. E realmente: antes de se achar nas redes, foi campeão estadual de judô aos 7 anos, se arriscou no futebol, até ouvir do pai: “Vamos tentar o basquete”. Seis meses de treinos foram suficientes para ouvir da mãe: “Agora deixa o guri tentar o vôlei!”. Ponto pra ela.

Quando foi que você falou: “Quero fazer isso da vida”? Em 1999 fui convocado pra seleção gaúcha, tinha 13 anos. Treinei dois dias mas fui dispensado pela idade. Em 2000 fui convocado de novo, tinha 14 anos e joguei vários campeonatos brasileiros. Ali vi que isso podia crescer. Em 2002 veio a convocação para a seleção brasileira [juvenil]. Fomos campeões, e em 2003 me tornei profissional.

É preciso fazer sacrifícios? É. Quem olha a gente de bobeira num fim de semana de folga acha que é uma vida fácil, mas quem acompanha nossa rotina diz: “Vocês ralam!”. São dois turnos de treinamentos por dia, viagem pra todo lado, um mês fora de casa. Tu fica sete, oito anos sem férias então tu abre mão de um monte de coisas.

Pensa em jogar fora do Brasil? Sim. Pintou uma proposta, mas tinha dado a palavra na Cimed. Ano que vem vou estar lá fora.

"Estou solteiro e me sentindo bem, quero focar só no vôlei"

Comprometido com o que faz, Thiago não quer saber de namorar: “Estou solteiro e me sentindo bem, quero focar só no vôlei”. O único namoro da vida, com uma gaúcha, terminou em 2007, “cinco anos entre idas e vindas”. Embora não queira se enroscar, o assédio aumenta a cada jogo. Ele diz que não liga: “Se perguntar se o Thiago quer ser famoso vou dizer que não. Quero disputar uma Olimpíada, ser campeão. O resto não tem como não vir”, solta.

Gosta de mulher que toma atitude de falar com você? Por ser tímido não vejo problemas.

Você demora a chegar em uma mulher? Demoro. No olhar posso tomar a atitude, mas, se a pessoa não me viu, não chego para falar.

Faz diferença mulher transar na primeira noite? Sou da filosofia que, se ela está ali, curtindo, tem que fazer mesmo.

É vaidoso? Não, uso camiseta furada.

O que te irrita? Pessoas ligadas a bens materiais, a dinheiro.

O que é mais difícil na convivência com você? Sou exigente.

A Tpm também. Ponto pra ele.

Produção de moda Andrezza Adlrighi Zimenez
Assistente de foto Rodrigo Richter
Agradecimento Hotel Gran Corona

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