Dora Varella: rumo a
Tóquio, e além

por Eduardo Ribeiro

Falamos com a jovem paulistana que é uma das principais skatistas de transição do mundo

Aos 18 anos e atualmente sexta colocada no Ranking Olímpico da World Skate, Dora Varella é a atleta brasileira mais bem preparada na categoria park para a estreia do skate nas Olimpíadas de Tóquio.

O esporte radical entrou na vida de Dora quando ela tinha 10 anos e pediu de Natal um skate para a avó. Brincando no quintal de casa durante as férias, teve seu talento rapidamente notado pelo pai, que achou por bem incentivar o talento da menina e decidiu levá-la para uma pista. 

“Quando cheguei lá, vi que tinha tantas possibilidades de rampas e manobras, era como um paraíso!”, relembra. “Queria ir para a pista de skate toda hora, só pensava em skate e só assistia skate. Desde então, não parei mais.”

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Apesar de já andar de skate há oito anos, sua ascensão no patamar dos grandes nomes deu uma guinada repentina. Em janeiro do ano passado, ela se tornou skatista profissional pela CBSk (Confederação Brasileira de Skate) e, em junho, virou profissional também nos Estados Unidos, com o lançamento de seu pro-model (modelo de skate assinado por um atleta profissional) de shape pela marca Hosoi Skateboards, a convite do próprio epítome do skate em piscinas Christian Hosoi.

Cultivando um estilo de andar leve e fluído, Dora sagrou-se tricampeã mundial amadora do Girls Vans Combi Pool Classic, bicampeã pan-americana open no Vans Park Series Women's Continental Championship, campeã brasileira de bowl e vice-campeã brasileira de park. Recentemente, fez uma belíssima participação na etapa de Florianópolis do OI STU e ficou com o primeiro lugar no pódio, deixando as favoritas Victoria Bassi, 11 anos, e Raicca Ventura, 12, na segunda e terceira colocação, respectivamente.

Pegamos embalo no drop dessa boa fase para trocar uma ideia com ela sobre sua remada até aqui e saber como vem se preparando para representar o país nas Olimpíadas.

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Trip. Em um curto intervalo de tempo, você se tornou skatista profissional pela CBSk e também nos Estados Unidos. Como sentiu o impacto dessa repentina evolução?

Dora Varella. Mesmo depois de passar para profissional pela CBSk aqui no Brasil, foi uma grande surpresa quando ganhei meu primeiro pro-model pela marca do Christian Hosoi… Foi a conquista de um sonho, e isso só me motivou ainda mais, mostrou que posso chegar onde eu quiser.
O skate feminino brasileiro já é um dos tops na categoria street. Você se sente confiante e preparada para protagonizar a conquista desse mesmo status na modalidade park? O principal objetivo do momento é chegar ao topo do ranking mundial. Atualmente, estou em sexto. Tenho treinado bastante, e as meninas do street vêm me inspirando e motivando muito. É muito legal ver o skate feminino brasileiro no topo e quero que, em breve, eu possa fazer parte disso também. Tenho certeza de que nós, brasileiras, temos muito potencial.

O que mais lhe atrai na categoria park em relação ao street ou mesmo o vertical? E, por falar em vertical, o que você acha desta modalidade ter ficado de fora das Olimpíadas? Sempre andei em transições. Tenho mais facilidade e gosto da sensação de velocidade e de poder voar. Adoro andar de street e estou sempre tentando aprender alguma manobra também. Esta será a primeira Olimpíada da qual o skate fará parte, e isso vai trazer uma grande visibilidade para o esporte. Espero que, para as próximas, sejam incluídas mais modalidades, como o vertical, na qual existem muitos competidores brasileiros com o nível altíssimo.

Você conheceu o Christian Hosoi pessoalmente? Como rolou sua aproximação com a marca que leva o nome dele? Conheci o Hosoi em 2017 durante o campeonato Girls Combi Pool Classic, um mundial apenas para meninas que acontece na Califórnia. Ele disse que adorou o meu rolê e me perguntou se gostaria de andar para a marca dele. Ele é a pessoa mais carismática que conheço, está sempre de bom humor e me ensina muito. É um prazer poder fazer parte do time Hosoi Skateboards e ainda ter um pro-model pela marca dessa lenda e inspiração.

O Brasil é um dos poucos países que, desde o início, buscou consolidar o seu próprio mercado de marcas de skate. No entanto, os atletas mais em alta hoje são todos vinculados a patrocinadores internacionais. O que faltou para as empresas tradicionais daqui conseguirem segurar esses atletas? A visibilidade do skate cresceu bastante, principalmente com as Olimpíadas, e cada vez mais marcas maiores estão tendo interesse em patrocinar skatistas. Acho isso muito importante para o crescimento do esporte e do atleta no meio.

Seu repertório de manobras vem mais de skatistas das novas gerações ou dos grandes nomes das antigas, da geração do Hosoi, Tony Hawk, Z-Boys...? Uma mistura dos dois. Gosto de muitas manobras das antigas, o invert, por exemplo. Quando vejo uma manobra que acho bonita e tenho vontade de saber, na sessão seguinte já estou tentando.

Quais são as tricks que você acha as mais legais já inventadas em todos os tempos? Invert, feeble grind to fakie e gay twist são manobras que aprendi e gosto muito de mandar. Quero muito aprender o mc twist e manobras de flip no momento.

O que você curte além de skate? Desde pequena, sempre pratiquei esportes como futebol, ginástica artística, vôlei e muitos outros. Quando não estou andando de skate, estou me divertindo em outro esporte ou experimentando um novo.

Na sua rotina de atleta, você tem compromissos fixos para cumprir, alimentação diferenciada, academia, metas de treino, esse tipo de coisa? Todos os dias, faço treinamento físico de manhã e fisioterapia para a prevenção de lesões ou para cuidar de qualquer dor que esteja sentindo. À tarde, ando de skate e, sempre que preciso, também faço filmagens e fotos para patrocinadores ou coisas do tipo. Me alimento de forma saudável, mas não sigo nenhuma dieta específica. Nos treinos de skate, sempre tenho metas de manobras para aprender e melhorar as que já sei.

Quais são as suas expectativas para as Olimpíadas? Acha que vai dar pra enfrentar as japonesas casca grossa Misugu Okamoto, Sakura Yosozumi, Kisa Nakamura, ou mesmo outras minas que vêm se destacando, como Sky Brown e Poppy Starr? Antes de mais nada, vale dizer que somos todas muito amigas e o mais legal no skate é que apesar de competirmos juntas, não existe rivalidade. Mas é claro que vou dar o meu melhor e estou treinando bastante para chegar no topo. Não quero voltar das Olimpíadas com aquela sensação de que poderia ter feito mais. Como em qualquer outro campeonato, tudo pode acontecer e, se tudo der certo, estarei em Tóquio mega feliz de poder representar o skate feminino brasileiro.

Créditos

Imagem principal: Life Without Andy / Divulgação

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