por Ana Manfrinatto

O pernambucano apresenta o novo disco Avante na terça-feira


“Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar” é, pra mim, um mantra. Uma daquelas frases que eu rabiscaria na capa de todos os cadernos caso ainda fosse pra escola e um disco que eu coloco sempre que preciso dar um passo: seja pra apertar o botão “enviar” do e-mail ou para que os amigos se animem a rodopiar no chão da sala.

E daí que o Siba, também conhecido como ex-Mestre Ambrósio ou o moço que criou o disco que vale por um gole de coragem junto com a banda Fuloresta do Samba, apresenta seu último álbum, Avante, na próxima terça aqui em Paris. Siba este que subirá ao palco da Bellevilloise de mãos dadas com Thiago Babalu (bateria), Leo Gervasio (tuba) e Felipe Faraco (teclado).

“Com uma guitarra tranquilamente nervosa, uma base de tuba, um vibrafone e canções insolentes, o folclore nordestino encontra o pop psicodélico, reggae e beats de um rap marécageux (terreno esponjoso, úmido). Tudo isso acariciado pela voz melancólica e sensual de Siba”. Faço minhas as palavras da revista francesa Les Inrocks!

E se de palavras falamos, troquei algumas palavrinhas com o Siba pra saber sobre o show do dia 22 y algunas cositas más.

Quando você veio a Paris pela primeira vez? Qual é a sua lembrança mais marcante da cidade?
Minha primeira visita a Paris foi em turnê com o Mestre Ambrósio, em 1996. Foi uma passagem muito rápida, mas a lembrança mais marcante é a do encantamento com a diversidade cultural da cidade. Foi a primeira vez que vi tanta gente de origens tão diversas reunidas num lugar só.

Tem alguma coisa inédita que você espera aprontar por aqui?
Inédito já é o show inteiro que faremos aí pela primeira vez!

E alguma coisa que você adore fazer em Paris e queira repetir nessa viagem?
Meus lugares preferidos em Paris são: a Librairie Lusophone, o parque Bois de Boulogne, qualquer boa boulangerie, a sala de shows New Morning... Mas desta vez acho que só vai dar mesmo de sentar em um café de esquina esperando a hora da passagem de som.

Falando da cena musical francesa, você tem uma listinha de preferidos?
Não consigo acompanhar o que acontece na França com intimidade, isso está impossível de conseguir aqui no Brasil, há bons lançamentos o tempo todo!

Pra terminar, o que os franceses vão ver na Bellevilloise?
É um show todo conduzido pela relação entre o texto, as rimas e a guitarra, com uma tuba furiosa costurando o ritmo da bateria com a percussão. Tem muito da música de rua de Pernambuco mas também uma pressão rock impossível de negar. Estou muito ansioso para saber como essa combinação vai vibrar nas pessoas aí...

Acho que a combinação vai vibrar muito bem, obrigado ;)

Ah, e amanhã, dia 20 de outubro, ele toca com o Milton Nascimento em Londres.

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