O pulo da gata
Resolveu virar a mesa? Alice Sosnowski, da Rede Mulher Empreendedora, dá dicas de como transformar hobby em profissão
Alice / Créditos: Arquivo pessoal
em 11 de abril de 2013
Trabalho. Ah, o trabalho. Aquele com hora marcada, prazos e regras. Este todo mundo conhece. Ele está aí desde a revolução industrial e, com pequenas mudanças, nos inseriu em uma lógica de pensamento cartesiana. Aí veio a revolução do conhecimento, a internet, a tecnologia acessível, e o pensamento começou a mudar. De repente, nos demos conta de que o mundo é bem mais complexo e precisa ser tratado como é.
O trabalho fez parte desta transformação. De ganha-pão, ele passou a ser objeto de realização pessoal. Por que, então, não usar o nosso hobby como fonte de renda? O médico Oskar Metsavaht fez isso. A paixão pelo esporte o levou a criar uma das marcas mais badaladas do Brasil: a Osklen. Da mesma forma, a jornalista Juliana Motter empreendeu com a “Maria Brigadeiro” por causa de suas experiências culinárias na infância.
É claro que o negócio não aparece como num passe de mágica. É preciso preparação e uma boa dose de intuição. Entender como funciona as expectativas do cliente, harmonizar o lado autoral com as demandas comerciais, cuidar das questões burocráticas, emitir notas, conferir o fluxo de caixa… e, de repente, o que era apenas um hobby vira motivo de stress.
Em 2009, quando tentava equilibrar isso tudo no meu negócio e ainda cuidar da filha recém-nascida, criei o blog O Pulo do Gato. A intenção era justamente investigar o que falta nos empreendedores para atingir um patamar de realização. No ano seguinte, entrei no curso 10.000 Women da FGV-SP e Goldman Sachs. Eu e mais 40 empreendedoras querendo transformar sonhos em negócios rentáveis.
O fato é que mesmo trabalhando mais, tendo a responsabilidade da casa e dos filhos, a empreendedora é mais centralizadora que o homem. Dificilmente, ela delega a preocupação de conferir a produção, de ver se o cliente foi bem atendido, o café está quente ou o porquê da bendita taxa de fiscalização de estabelecimento. Tudo tem que ser discutido em detalhes com o cliente, o sócio, o contador…
Foi por isso que naquele ano de 2009, eu e a Ana Fontes, a empreendedora porreta do coworking MyJobSpace, decidimos criar a Rede Mulher Empreendedora. A princípio, apenas um site. Depois, uma plataforma de apoio a mulheres empreendedoras. Funciona assim: informações e pesquisas ajudam elas a se informar, desenvolver e divulgar seus negócios. Encontros presenciais colaboram para que encontrem soluções criativas para seus problemas. No final deste mês, por exemplo, acontecerá a terceira edição da Virada Empreendedora, realizada pela RME. São 24 horas de apresentações, workshops e painéis que ajudarão no desenvolvimento de negócios inovadores.
As mulheres representam 53% dos empreendedores no Brasil de hoje
No Brasil de hoje, em que as mulheres representam 53% dos empreendedores, a parte burocrática e financeira ainda dificulta a criação destes negócios. Leis como da Micro e Pequena Empresa ou do Empreendedor Individual resolvem parte da burocracia, mas ainda falta financiamento, capacitação e apoio de diversas formas. Mas tão importante quanto isso é a preparação emocional para empreender. Quando o hobby vira trabalho, algumas atitudes são fundamentais para sobreviver, manter a motivação em alta e as realizações no trilho.
Nas minhas pesquisas investiguei com especialistas, empresários, jornalistas e pesquisadores quais são estas atitudes que levam ao verdadeiro pulo do gato, ou da gata. Divulgo aqui em primeira mão pra quem quer transformar seu hobby em um trabalho promissor:
1) Apaixone-se pelo que você faz. Se o hobby é apaixonante, o trabalho com ele tem também precisa gerar prazer;
2) Faça. Não espere ter tempo nem dinheiro. Movimente-se e as coisas acontecerão.
3) Compartilhe. Esta é a ferramenta chave para melhorar relacionamentos e a moeda de troca dos negócios inovadores.
4) Vislumbre. Tenha o seu olhar voltado para o futuro. O que passou, é experiência. Foque no que estar por vir.
5) Persista. Insista, mesmo que o mundo diga não. Enquanto você acreditar e batalhar pelo seu sonho, o negócio estará de pé. As maiores realizações do mundo contaram com a persistência de seus empreendedores.
6) Transforme-se. Não nascemos prontos, já diria o filósofo Mário Sérgio Cortella. Para atingir um objetivo, não hesite em mudar. Quem não muda, não arrisca, não erra e também não chega lá.
*Alice Salvo Sosnowski é jornalista e escreve há 4 anos o blog O Pulo do Gato, que tem a missão de inspirar empreendedores a inovar. Também é integrante da Rede Mulher Empreendedora, a primeira rede de apoio a mulheres empreendedoras no Brasil, e especialista entrevistada para a pesquisa GEM 2011 (Global Entrepreneurship Monitor).
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