por Milly Lacombe
Tpm #173

Esta edição traz Trip e Tpm juntas em um só corpo para pensar em novas verdades que combinem as melhores características dos gêneros

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Oi, Paulo. Acordei pensando em você, e faz anos que não acordo pensando em um homem. Mas não precisa ficar assustado ou avisar a Jéssica porque era apenas trabalho. Se bem que nem isso posso dizer porque nunca tive a sensação de estar de fato trabalhando na Trip. O que fazemos por aí, há tantos anos, é pensar, debater, conversar, refletir. Esse jeito tão doce e significativo de gerar conteúdo, um que você me ensinou a usar como método e que não tem nada de tedioso, ou de brutal, muito menos de repetitivo.

Mas então. Voltando. Acordei pensando numa conversa que tivemos na sua sala em abril, quando você me falou sobre não entender mais essa divisão entre assuntos que interessem a homens e assuntos que interessem a mulheres, porque estamos todos, mais do que nunca, misturados. Falamos a respeito dessa sexualidade tão fluida de hoje, dessa liberdade de identidade de gênero e do fato de todo mundo poder ser o que quiser: mulheres com pau que transam mulheres, homens com vagina que transam homens… Essa galera que está aí para esticar a corda dos limites de gênero e da sexualidade, para fazer a gente a repensar tudo, chacoalhar certezas, ensinar sobre amor e respeito, sobre viver nas duas peles, mas, principalmente, sobre aceitar a vida, as brisas, e os nossos desejos, que, se não fazem mal a nenhum ser vivo e nos fazem bem, não podem estar errados. Acho que essa mistura boa, agora ilustrada numa edição única de Trip e Tpm, fala de união, de fim de confrontos, de pensar em novas verdades que combinem as melhores características dos gêneros.

Ver a Rafa e essa enorme sensibilidade criativa dela darem vida à primeira edição “trans” de Trip e Tpm, misturando tudo e todos num grande balaio de afeto, e ajudar a derrubar tabus, preconceitos e crenças limitantes me deixa com a certeza de que estar no seu barco continua sendo um enorme privilégio. Por um mundo com mais amor e menos dor: acho que é por isso que fazemos o que fazemos, né? Quis te dizer logo essas coisas para poder, quem sabe, acordar amanhã pensando em uma mulher, e não em você. Nada pessoal. :)

Créditos

Imagem principal: Mary Evans Picture Library/Peter & Dawn Cope Collection/EasyPix/Shigeo Fukuda

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