por Tania Menai
Tpm #147

Maurício Mota afirma que a próxima grande indústria do cinema mundial pode nascer do Brasil

Maurício Mota, roteirista brasileiro premiado no exterior, afirma que a próxima grande indústria do cinema mundial pode nascer do Brasil. “A Ancine está dando todas as ferramentas para isso”, diz

“O futuro da TV pertence à melhor história, ao melhor personagem, à melhor trama, ao melhor frio na barriga, arrepio e gargalhada causados por uma ou mais narrativas.” Quem diz isso se chama Maurício Mota. Baiano, nascido em Vitória da Conquista, Mota já teve algumas conquistas e diversas vitórias desde que chegou a Los Angeles, há três anos. Sua empresa de conteúdo The Alchemists, fundada em 2007, é autora da série East Los High. Já em sua terceira temporada, trata-se da primeira série na história americana feita especialmente para os jovens latinos dos EUA, em inglês. East Los High acaba de ser escolhida pelo jornal LA Times como a melhor série do verão americano e ainda abocanhou o prêmio de melhor série de ficção no festival de criatividade de Cannes. 

Mas o que há de diferente nessa série? Tudo. Usando um formato inédito no Brasil, Maurício conta com uma equipe de 15 criadores espalhados por Rio, Los Angeles e pela faculdade MIT, em Boston. “Entrei no mercado americano batendo na porta de grandes empresas e propondo uma nova maneira de produzir uma história. Nossos anunciantes precisam ser sócios, coprodutores do projeto, e não patrocinadores”, explica ele. Como todo bom empreendedor, sua ideia foi muito criticada no início. Mas e daí? A East Los High foi toda paga por marcas e fundações, com conteúdo de altíssima qualidade, sem mostrar nenhum produto no ar. “As marcas e ONGs querem passar ideias, conceitos e valores. Os créditos só aparecem no final.”

Maurício reforça que, nos quesitos “método e processo”, os americanos são imbatíveis. “Nós, brasileiros, por outro lado, somos mais criativos, temos mitologias e culturas narrativas muito mais fortes. Ainda assim, somos a cultura do atalho: queremos fazer o próximo Sex and The City sem fazer qualquer pesquisa. Cobramos alto por roteiros sem entender a cadeia de desenvolvimento ou incluir um anunciante em nossas séries”, alerta. “Em outras palavras, comemos o pudim de leite antes do brócolis.”

O próximo capítulo da era da TV, segundo ele, pertence aos criadores disciplinados, de ego pequeno, ambição grande, e que sejam, sobretudo, operários da palavra. “A próxima Hollywood pode nascer do Brasil. A Ancine está dando todas as ferramentas para isso. Podemos, sim, fazer melhor que os americanos, copiando os acertos, evitando os erros e tropicalizando a rigidez”, conclui.

Tania Menai é jornalista, mora em Manhattan há 17 anos e é autora do livro Nova York do Oiapoque ao Chuí, do blog Só em Nova York, aqui no site da Tpm, e também do site www.taniamenai.com

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