Logo Trip

Guilherme Weber

Entre as lavagens de roupas sujas, Guilherme Weber se deixa flagrar soltinho

Guilherme Weber

em 13 de março de 2009

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Em cartaz com três peças em São Paulo, o ator curitibano Guilherme Weber comemora os 15 anos de sua Sutil Companhia de Teatro. Entre as lavagens de roupas sujas e figurinos, ele se deixa flagrar soltinho…

Quando era criança o ator Guilherme Weber queria ser santo. “Lia livros sobre a vida dos santos e queria ser um deles. E tinha que ser um com uma história bem dramática, tipo o São Francisco de Assis”. Depois, ao dar de cara com um álbum re­cheado de astros de Hollywood, decidiu que queria ser ator. “Mas não era qualquer ator. Queria ser o Gregory Peck.” “E agora? Você quer ser quem?” “Ah, quero ser o Guilherme Weber”, ele diz.

Que bom que Guilherme gosta de ser Guilherme. Senão, a repórter o mandaria de volta para o divã – que ele trocou por cartomantes. Afinal, é um ator consagrado que, aos 34 anos, conseguiu levar, sem perder a intensidade, o talento dos palcos para a TV. Tem contrato assinado com a Globo, onde fez o gay Benny na minissérie Queridos Amigos, em 2008 (que lhe rendeu o prêmio da APCA de melhor ator) e “um bandido meio David Bowie” em Da Cor do Pecado, em 2004. E está comemorando os 15 anos da Sutil Companhia de Teatro, que montou, com o amigo Felipe Hirsch, em Curitiba, cidade natal de ambos.
Sozinhos, Guilherme e Felipe estuda­ram a fundo e descobriram o que queriam fazer: um teatro ao mes­­­­mo tempo pop e melancólico. Cer­ta­men­te você já deve ter ouvido falar de seus espetáculos por causa dos cults como A Vi­da É Cheia de Som & Fúria e Avenida Dropsie – este em cartaz em São Paulo, com outras duas peças (Não sobre o Amor e Thom Pain/Lady Grey), em mostra co­me­mo­­rativa no Teatro do Sesi.
Guilherme, que adora uma conversa de café, conversou com a reportagem da Tpm num deles. Um papo de… café.

– Do teatro “sério” para a televisão. E a patrulha ideológica, ela ainda existe?
– Existe! Sofri patrulha quando fui fazer televisão. Mas quando faço penso naquela velhinha do Piauí e vejo que é um trabalho muito importante.­­­­­­
– Velhinha do Piauí?
– Quando fui filmar Árido Movie (2006) com o Lírio [Ferreira, diretor de cinema e amigo de Guilherme], eu via naquelas cida­des do interior o quanto a televisão era im­portante. As pessoas paravam tudo pa­ra ver a novela.

Sim, ele pensa tanto na velhinha do Pi­a­u­­í como no David Bowie na hora de compor um papel. É que Guilherme é cria da cultura pop. Seu herói é o melancólico e ro­mântico Morrissey e seu deus, David Bowie. Na adolescência, era o nerd da escola. “Aquele que leva um atestado médico pa­ra faltar na aula de educação física e fica sen­tado esperando ao lado de um cara que tem um pulmão artificial.” Hoje, ele cultiva por gosto próprio a inadequação. Mora no Rio de Janeiro se sentindo estrangeiro. “Me es­forço para não achar que aquilo é normal.”

– Você acha estranho dar autógra­fos?
– E você acha que eu pensei o que quando me chamaram para fazer este ensaio da Tpm? Pensei, nossa, que estranho, eles estão convidando para sair na revista aquele cara de Cu­ri­tiba. Achei tão estranho que comecei a pensar que podia estar com baixa autoestima.
– Você não se acha bonito?
– Eu? Não. Tenho uns ângulos, e só.

Guilherme é um antigalã. Está mais para os dândis que tanto admira na literatura. Você, leitora, conseguiria imaginar um galã dizendo que tem medo de coisas que duram para sempre? E que, certa vez, durante a adolescência dark, ao comprar um sobretudo com sua avó, entrou em pânico quando ela disse que a compra valeria a pena porque o casaco duraria para sempre? “Aquele sobretudo ficou me apavorando, pensava: ‘Meu deus, que horror, o que eu vou fazer agora com isso que vai durar para sempre?’.”

Se ele tinha medo de um sobretudo, imagine de… um casamento. Mas Guilherme não é tão óbvio. “Namoro há alguns anos, moro junto, vivo um grande amor. E a maior prova desse amor foi trocar São Paulo pelo Rio.”

– Não vou fazer tipo revista de fofoca e te perguntar quem é, tá?
– Ah, que bom, por favor.

­­­Em conversa de café, o buraco é mais embaixo. E Guilherme acha esse tipo de pergunta brega. Um ano atrás, ao ser questionado se era gay por uma revista de celebridades, se saiu com a se­guinte resposta: “Nossa, que pergunta cafona!”.

– Por que cafona?
– Você tem a oportunidade de conversar com alguém sobre arte, sobre a vida, e vai ficar querendo saber quem trepou com quem? Que coisa antiga!
– E as cartomantes?
– Adoro um ritual. E, durante um tempo, passei a ir a cartomantes. Mas não servia qualquer uma, tinha que ser aquela mais longe, com a história mais bizarra.
Entendo. Não pode ser qualquer carto­mante. E não pode ser qualquer santo.

MAQUIAGEM ALLEX ANTONIO (BLZ) ASSISTENTE DE FOTO FELIPE GOTTARDELLO AGRADECIMENTOs FAS LAVANDERIA (11) 3129-4408 E STOCK CULTURAL (11) 3258-3570 guilherme veste: MOLETOM E CUECA AMERICAN APPAREL, TÊNIS E MEIA ACERVO PESSOAL CALÇA ELLUS, REGATA DE TRICô REDLEY, CUECA AMERICAN APPAREL, JAQUETA MANDI E MEIA ACERVO PESSOAL CALÇA ELLUS, CAMISETA ALCIDES E AMIGOS E CHAVEIRO ACERVO PRODUÇÃO

 

 

 

 

PALAVRAS-CHAVE
COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon