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As redes sociais estão sabotando o seu namoro?

A psicóloga Giovana Durat analisa como o algoritmo está interferindo na nossa percepção sobre relacionamentos

As redes sociais estão sabotando o seu namoro?

Créditos: Unplash


em 12 de junho de 2026

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Será que você realmente quer terminar essa relação ou o algoritmo das redes sociais está te incentivando a desistir das pessoas?

Acho que muita gente ainda não entendeu o impacto emocional que viver conectado o tempo inteiro está causando na forma como amamos. E não estou falando só de relacionamentos românticos, mas também da forma como a internet mudou a nossa percepção sobre vínculo, convivência, profundidade e frustração.

/ Créditos: arquivo pessoal

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Recentemente, pesquisas publicadas no Public Health Reports, publicação oficial do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, mostraram um crescimento importante da solidão entre adultos, principalmente entre pessoas jovens. De acordo com o relatório Surgeon General 2023, “estar desconectado socialmente é tão prejudicial à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia”. E o mais curioso é que isso acontece justamente na geração mais conectada da história.

A Cornell University começou inclusive a estudar um fenômeno chamado “solidão subjetiva”: pessoas cercadas de conexões, mensagens e interações, mas que continuam emocionalmente sozinhas. Como aponta o relatório de 2023 mencionado anteriormente, as interações on-line não substituem as interações ao vivo. Porque presença digital não é necessariamente intimidade.

Nunca tivemos tanto acesso às pessoas e tanta dificuldade de sustentar profundidade

E talvez esse seja um dos maiores efeitos emocionais da internet: a gente nunca teve tanto acesso às pessoas e, ao mesmo tempo, nunca tivemos tanta dificuldade de sustentar profundidade nas relações.

Hoje, acordamos e, antes mesmo de vivermos nossa própria vida, já consumimos dezenas de opiniões sobre como um relacionamento deveria ser. Sobre o que é amor de verdade, sobre o que é red flag, sobre o que uma mulher inteligente jamais aceitaria, sobre como um homem emocionalmente disponível deveria agir.

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E aos poucos, sem perceber, a gente começa a olhar para as próprias relações pela lente do algoritmo e pela interpretação pronta que recebemos todos os dias. E não pela experiência real, pela construção cotidiana.

Começamos a olhar os relacionamentos pela lente do algoritmo e não pela experiência real

Em 2023, o portal G1 publicou uma análise sobre como os jovens estão saindo menos de casa, convivendo menos presencialmente e substituindo experiências reais por relações mediadas pela tela. E isso muda completamente a forma como aprendemos a lidar com conflito, diferença, espera e frustração. Porque vínculos reais não funcionam na velocidade da internet.

O filósofo Byung-Chul Han fala no livro A Agonia de Eros (2012) sobre como a nossa sociedade perdeu a capacidade de sustentar o encontro com o outro real. Porque o outro real frustra, exige negociação, exige tempo, exige convivência. E nada disso combina com a lógica das redes sociais, onde tudo é rápido, descartável e imediatamente substituível.

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Talvez por isso a internet tenha criado uma geração extremamente consciente sobre linguagem emocional, mas cada vez mais intolerante ao desconforto natural dos vínculos humanos. Porque toda relação saudável vai ter ruído, falha de comunicação, vai ter diferença. Sempre vão existir momentos em que o outro não vai corresponder exatamente à expectativa que você criou. Só que, hoje, qualquer frustração parece imediatamente transformada em sinal definitivo de incompatibilidade.

Uma pesquisa do aplicativo de relacionamento Happn mostra que muitos jovens estão abandonando essas plataformas porque relatam exaustão emocional, sensação de descarte e dificuldade de criar vínculos profundos. Em um momento em que tudo parece substituível, as pessoas também começam a parecer.

Acho perigoso quando a gente começa a terceirizar a própria percepção afetiva. Quando, em vez de nos perguntarmos: “Como eu me sinto vivendo essa relação?”, a gente pergunta: “O que o TikTok diria sobre isso?”

Talvez amar exija proteger a própria percepção emocional da velocidade da internet

Existem experiências emocionais que simplesmente não cabem em vídeos de quinze segundos. Existe intimidade construída no cotidiano, afeto que não é performático, amor que não parece cinematográfico o tempo inteiro. Mas o algoritmo não recompensa profundidade, e sim intensidade.

Quanto mais radical a opinião, mais ela circula. Quanto mais definitivo o conselho, mais engajamento ele gera. E no meio disso tudo, a gente vai desaprendendo a sustentar a complexidade natural das relações humanas.

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Talvez seja por isso que a gente esteja vivendo uma geração tão consciente sobre suas emoções e tão cansada afetivamente. Uma geração que fala muito sobre vínculo, mas que não consegue permanecer nele por muito tempo.

E talvez amar hoje também exija uma coisa muito específica: proteger a própria percepção emocional da velocidade da internet. Nem tudo que o algoritmo te faz sentir nasceu realmente de você.

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