por Ana Manfrinatto

Na Argentina meu sotaque era charmoso. Como na França é diferente, fica a dica:


Era uma vez uma moça que chegou em Buenos Aires sem falar nenhuma palavra de castelhano. Ela estudou dois anos no colégio mas o pouco que sabia não a ajudava em nada. Queria comprar um quilo de “fresa”, que na Argentina chama “frutilla” e insistia em “coger el autobús” – o que, diferente da Espanha, na terra do Maradona significa uma prática sexual Transformers: “transar com o ônibus” em vez de pegar o busão.

Ela aprendeu na raça. Leu a obra completa da Mafalda antes de tentar um Cortázar e nove meses depois se matriculou em uma pós graduação. Anos depois produzia conteúdo em espanhol (sem nunca ter deixado de criar um sem número de neologismos) e hoje conta com a malemolência necessária para se comunicar com uma senhora da Recoleta ou um cumbiero da Villa Fiorito.

Daí ela mudou pra Paris achando que a sorte, a força cósmica do aprendizado por osmose, os dois anos de curso de francês e o convívio intenso com franceses fossem seus aliados. Só que não. E embora muita gente faça apostas “em três meses você já vai estar falando” – dizem os mais otimistas – ela vê apenas uma luz no fim do túnel: setembro, começo do ano letivo na Europa e, por conseguinte, do seu curso na Mairie de Paris.

Enquanto isso ela é vista estudando sozinha, interagindo com comerciantes, fazendo confusão na boca do caixa quando descobre uma lembrancinha muito mais legal do que a que já estava na sacola, misturando idiomas cazamigue e até mesmo brigando no trânsito, em inglês e sem medo de parecer ridícula, porque não suporta uma injustiça.

- “A melhor coisa que você tem a fazer é aprender francês, Ana”.
- Ah vá? Jura?

Vou ali tomar a pílula mágica de esperanto nível 1 e 2 e já volto.

É cada conselho que só por Deus, mano, talok. E uma pressão também, uma vez que os franceses são super puristas com o idioma, o que está longe de ser um problema, mas acaba se tornando um quando a exigência é feita também a estrangeiros.

Enfim, se engana quem pensa que eu estou reclamando, só queria dizer para a sociedade que às vezes eu posso parecer muda mas entendo quase tudo o que vocês falam ;-)

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