por Taís Araújo
Tpm #70

Em sua estréia como repórter, Taís Araújo escolheu o tema mudança de profissão

Das pautas que sugeri para esta edição da Tpm, escolhi uma para a minha estréia como repórter: a coragem de mudar o barco da vida de rumo quando o vento sopra em outra direção

por Taís Araújo

Quando a Tpm me convidou para ser editora convidada desta edição, petrifiquei. Para esclarecer: faço faculdade de jornalismo, falta um período para me formar... Deixando meu medo de lado, sugeri algumas pautas, pessoas das quais gostaria de saber mais e estou aqui escrevendo minha primeira matéria para uma revista. Uma das pautas que sugeri era sobre coragem. Coragem para mudar de vida. A idéia era falar de mulheres que tinham uma carreira estável e que decidiram seguir outros caminhos, menos seguros, mas mais apaixonantes. Para ilustrar essa idéia, decidi entrevistar uma amiga pra lá de corajosa, a Karina Paixão, que recentemente trocou uma carreira bem-sucedida como arquiteta para abrir um estúdio de moda (foto) e criar suas próprias peças.

Taís. O que te fez mudar de profissão?
Karina. Foi uma coisa muito natural, uma evolução no meu processo criativo. Comecei a buscar o que sempre fui e o que desejo ser. Mas o momento-chave foi uma viagem pra Londres, onde acabei estudando numa das melhores escolas de estilismo e arte do mundo, a Saint Martin. Senti aquele “clic” que todo artista deve sentir um dia e a minha intuição me obrigou a seguir por um novo caminho.

Não teve medo de mudar?
Mudança nunca é confortável. Existiu uma fase de reflexão necessária e importante, largar uma profissão que eu amava por algo que eu estava me apaixonando não foi fácil, mas tenho a coragem como uma das minhas melhores características. O reconhecimento dos amigos e o apoio da família, sempre presente, me fizeram ser assim. Acredito na minha intuição porque não sou impulsiva e tento ser racional dentro da minha loucura de artista.

Como surgiu a idéia da La Fille? Por que esse nome?
O nome é uma homenagem aos tempos de bailarina, La Fille Mal Gardée é o único ballet que tinha o meu jeito, o meu humor. É alegre e divertido, ninguém dorme assistindo. Também existe uma homenagem à minha mãe, que é falecida e minha maior inspiração: ser La Fille é ser sempre “a Filha” da minha mãe, a pessoa mais incrível que já conheci, artista plástica a quem devo muito minha formação e vocação.

Qual a diferença da vida como arquiteta para a de agora?
Na arquitetura, você cria hoje e demora meses para ver sua criação. Moda é muito mais rápido e isso combina muito comigo, a velocidade. Crio hoje e amanhã já posso começar a fazer tudo que está na minha cabeça. Gosto muito dessa correria e trabalheira insana, é natural para mim.

Já bateu um arrependimento?
Mato a saudade de arquiteta fazendo a minha loja, que é um cenário muito bacana e único. Não me arrependo de nada, para mim é muito natural, eu não poderia ser estilista sem antes ser arquiteta.

Vai lá: La Fille – rua Joana Angélica, 192, sala 104, Ipanema, Rio de Janeiro, (21) 2522-1056

matérias relacionadas