por Ariane Abdallah
Tpm #84

Conheça a turma do empresário Marcelo Sebá

Do galã de novela que antes era executivo ao professor de balé de Fernanda Abreu, a turma do empresário Marcelo Sebá

Ricardo é empresariado por >>>

 

 

Aos 29 anos, o campineiro Ricardo Tozzi coordenava 120 pessoas na Câmera Americana de Comércio e ganhava 20 vezes mais do que um ator da Globo. Mas recusou a última das propostas de emprego corriqueiras. “Eu disse: ‘Existe uma coisa maior que isso. Em breve vocês vão saber o que é’.” Hoje, não é segredo que ele trocou o salário de alto executivo para. ser ator da Globo. Mas foram quatro anos de ensaio: escondido da família e de amigos, Ricardo estudou no Teatro Escola Macunaíma e atuou em seis peças. Ele é tão acelerado e articulado ao falar que parece ter as respostas prontas. Soa até um pouco marqueteiro, mas deixa claro o quanto gosta do que faz.“Quando minha profissão ficou burocrática, mudei.” A veia artística se manifestou há oito anos, quando ele começou a pintar quadros. “Já tive exposição numa galeria em Nova York, em que um amigo era curador”, diz o autor das telas espalhadas pela própria casa. Aos 33 anos, já participou das novelas Bang Bang, Pé na Jaca e Malhação e está no ar em Caminho das Índias. Depois de cinco anos sem férias, ele não abre mão de folga. Com ajuda do empresário.

 

Marcelo, que foi produtor da >>>

O empresário Marcelo Sebá, 40, é especialista em “bombar” marcas e pessoas desconhecidas ou que estão com o filme meio gasto. Foi ele quem revelou Daniella Cicarelli, num ensaio sensual para um catálogo da Spezzato, em 2002, quando ela era só a garota-propaganda da Pepsi. Três anos antes, Sebá trouxe Kate Moss para o Brasil, num desfile da Ellus, como diretor de marketing da marca. Por seis anos, ocupou o mesmo cargo na Diesel. E, no ano passado, lançou um livro com o fotógrafo americano Terry Richardson, sobre o Rio de Janeiro, sua cidade natal. Segundo Chris Mello, colunista de O Estado de S. Paulo, ele é um image maker. Mas, na infância, queria ser o Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo. Estudou e atuou no teatro. e logo constatou que sua vocação era fazer acontecer nos bastidores. Começou produzindo peças e shows em 1987 e, há seis anos, agencia pessoas, marcas e estabelecimentos na São Sebastião, empresa que abriu com a irmã, Andrea. Sebá para tudo e vai à academia à tarde, embora esteja sempre imerso em vários projetos. “O segredo é fazer uma coisa por vez”, diz o produtor dos CDs Da Lata e Raio X, da Fernanda Abreu.

 

Fernanda, que é aluna do >>>

Fernanda Abreu, 47, é obcecada por listas: coloca no papel as pendências do estúdio, da escola das “crianças”e da cozinha. “Não gosto de estar na piscina e alguém avisar: ‘não tem ovo!’.” Nos dias em que chega em casa às 11 da noite e não vê ninguém, sabe que o marido, o diretor e designer Luiz Stein, com quem está há 27 anos, está trabalhando. A filha Sofia, 16, saiu com os amigos, e Alice, 9, dorme. Então compõe, lê, dança ou descobre o próximo feriado. Entre os compromissos fixos estão uma viagem por ano com cada filha, uma com o marido e outra com todos. Às quartas, a família janta junta para não perder a convivência apesar dos horários malucos de cada um. Afinal, Fernanda é uma cantora de sucesso com dez discos lançados. Começou na banda Blitz, em 1981. Em 1990, se lançou solo e virou referência no funk carioca. Até hoje, não sossega se ficar muito tempo sem turnê, então criou suas listas.“ Para não ter sustos”, diz, tudo numa toada só. Mas sua cabeça cheia de ideias e métodos também descansa – o suficiente para ela acordar de bom humor e não atender celular antes das 13h, quando sai do balé, atividade que faz parte da sua rotina há 27 anos.

 

>>> Jean-Marie

Além de ensinar balé clássico para Fernanda Abreu, este francês de 67 anos é professor de Letícia Spiller, Luana Piovani, profissionais de dança e anônimos que só querem se divertir. Depois de 30 anos no Brasil, Jean-Marie conserva o sotaque que muda a sílaba tônica das palavras. Por exemplo, Argélia vira Argelía. Ele pronuncia o nome do país para contar que, aos 21 anos, participou da guerra que tornou a Argélia independente da França. Mas desde os 11 anos, quando assistiu ao primeiro espetáculo de balé, sabia que sua vida era dançar. Mesmo assim, esperou até os 15 para entrar na escola porque usava óculos. “As pessoas desacreditavam que eu poderia ser bailarino por isso”, conta. Nos anos 70, ele fez espetáculos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e se encantou pela brasileira Marcia, também bailarina (e hoje psicanalista), amiga de amigos seus, com quem vive desde então. Deu aulas também em São Paulo, na Cisne Negro Cia. de Dança e no Balé da Cidade, na década de 80. Há 15 anos, ele aluga uma sala no Espaço de Arte Sauer Danças, no Rio. “Nunca quis ter minha própria escola. Gosto de dar aula, não sou empresário”, diz. E continua usando óculos.

TPM+

O que você faria?

Convidamos Marcelo Sebá, produtor especialista em bombar a imagem de gente famosa e desconhecida, para dizer o que faria para.

Por Ariane Abdallah

Tpm. Deixar a Amy Winehouse com imagem de boa moça?
Marcelo Sebá. Se ela virar boa moça, perde grande parte do charme. A rebeldia já faz parte da personagem. A única coisa de que ela precisa é manter-se física e artisticamente viva. Se bem que um bom banho e uma passadinha no Fabio Bibancos não fariam mal!

Fazer o Michael Jackson voltar a ser benquisto pelo público?
Eu só não digo que isso é impossível porque a Britney renasceu e o Mickey Rourke ganhou o Globo de Ouro. Ou seja, na América, tudo é possível. Mas há outras formas de redirecionar a carreira dele. Por exemplo, aproveitando a facilidade de lidar com crianças, por que não propor à Disney um Trem Fantasma da Tia Jack? Ou talvez fazer um début na Broadway, com a versão musical de A Noiva Cadáver, que quando virasse filme ainda poderia ter participações especiais da Amy, do Mickey Rouke e, dependendo da fase, da Britney.

Transformar o Didi Mocó (Renato Aragão) numa personalidade cool?
Se ele parasse de fazer bobagens e voltasse a ser o Trapalhão que a gente amava já estaria de bom tamanho. Pra quem conheceu o humor do Mussum é duro ligar a televisão e dar de cara com o Jacaré! Quem se ferra no meio disso tudo é o Tadeu Mello, que é um ator maravilhoso e fica ali, vendido [eles fazem A Turma do Didi, na Globo]. Mas um filme com o Guel Arraes e uma série com o Luiz Fernando Carvalho sempre ajudam, né?

Deixar a Sandy rock'n'roll?
Eu amo a Sandy! Ela é linda, bem-educada, reservada, inteligente, e de boba ela não tem nada. Ou você já a viu engolir algum sapo? Ela não precisa ser rock'n'roll, mas eu teria sim algumas sugestões. Não de coisas a mudar, mas de projetos nos quais eu, como admirador, adoraria vê-la. De verdade, eu sou fã da Sandy!

Convencer que a Paris Hilton é uma mulher cheia de conteúdo e cultura?
Se ela morasse no Brasil, a gente podia fazer uns “flagras armados” dela saindo da Casa do Saber e a levaria num sarau de poesia na Letras & Expressões. Ah, comprar obras de arte e virar colecionador também é uma ótima estratégia. Contrata um consultor, compra uns trabalhos de artistas contemporâneos, oferece uns jantares para galeristas e tá feito. Isso já funcionou com muita gente!

Deixar a Jennifer Lopez com figurino classudo?
Sabe que eu não desgosto do figurino dela? A Diana Vreeland tinha uma frase maravilhosa: “Everybody needs a splash of bad taste. No taste is what I am against”, ou "Todos precisam de uma pitada de mau gosto. O que eu não admito á a falta de gosto".

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