por Teca Lobato

A wakeboarder Teca Lobato conta seu dia a dia nos jogos Sul-americanos de Medellín

Quatro aeroportos, dez horas de viagem, três aviões e três países diferentes. Chegar a Medellín, Colômbia, foi um pouco burocrático, mas, como tudo na vida, as recompensas fizeram valer o cansaço – como a escala no perfeito fim de tarde caribenho do Panamá. O hotel onde a delegação de esqui aquático está hospedada também foge completamente do lema dos IX jogos Sul-americanos de Medellín, “simplicidade e clareza”, e é um luxo só.

 

 

No nosso primeiro dia no Club Campestre de Llanonegro, já começamos “bem”: diferente das delegações da Argentina, Chile e Colômbia, os brasileiros do wake (Marcelo Giardi, Camila Ortenblad, Mario Manzolli e eu) foram os últimos a acordar e, por isso, perdemos o café da manhã na faixa. O jeito foi partir para o bar e empurrar goela abaixo batata frita e sanduíche de queijo.

 

Mesmo entre os praticantes das outras modalidades de esqui aquático, as diferenças de comportamento e estilo de vida se mostraram gritantes e eu conheci melhor mais esportes, como o salto de esqui, o slalom e truques, já que passamos o dia treinando todos juntos.

Nossa entrada em campeonatos como esse ainda está sendo efetivada graças ao esqui, mas a mudança ainda nos custa um pouco: mesmo participando de um evento de nível olímpico, nos deparamos com um equipamento nada adequado para a prática do wake. O barco em que andamos é projetado para esqui slalom, o que significa que não temos a marola – condição básica para o wakeboarder atingir uma altura adequada para manobras mais complexas.

Além disso, descobrimos hoje que, no campeonato de wakeboard, só é passado para a final um atleta de cada país. Resumindo: quem perde para outra representante de seu país, está fora das finais (mesmo se seu nível for maior que o da maioria dos atletas de sua categoria). Essas e outras situações inquietam os ânimos por aqui e o meu só foi tranquilizado quando entrei na água e fiz minha primeira sessão de wake colombiana. (Nem liguei para a marola.)

 

Já no quarto do hotel, escrevendo este texto, procuro me concentrar em meus pensamentos. Não posso me preocupar com a música alta do AC/DC do quarto ao lado (dos argentinos, é claro!) que se mistura à conversa vinda da piscina de hidromassagem. Sem formalidades, descomprometidos e tranquilos, os wakeboarders entram no clima de seu esporte, e vozes em espanhol, português – e portunhol! – se misturam a risadas. Já começo a notar de onde vêm as famosas histórias de rolos e fofocas das vilas olímpicas, mesmo sendo monitorados e vigiados. Para Medellín, a delegação brasileira enviou mais de 500 atletas, e, mesmo separados da vila oficial, começo a imaginar o que vai acontecer quando forem reunidos atletas de diversos países, que têm tudo pago pelos comitês.

 

Mais do que competitividade ou busca por medalhas, o que importa aqui é aproveitar e vivenciar os diversos momentos únicos que uma viagem como essa proporciona. E olha que é só o começo! Amanhã, depois dos treinos vamos tentar conhecer Medellín, cidade de Gabriel Gárcia Marques e Botero, e, é claro, descobrir a vila olímpica. Mais notícias e fotos amanhã!   

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