por Ana Manfrinatto

A blogueira que vos escreve foi lá e casou!


“Cometeu casamento?”, “Perdeu aposta?”, “Casou contra quem?”. Isso mesmo, senhoras e senhores. Logo eu, que nos idos da pós adolescência costumava tecer alguns desses comentários a pombinhos e pombinhas de todo o Brasil; casei.

- Che, ¿te parece si nos casamos?

Morávamos juntos há dois anos e o pedido veio assim, de sopetão e depois de uns mojitos, numa praia do caribe costarricense. Ganhei um dia pra responder, terminei a piña colada, subi na bicicleta e pensei “será, gente?”.

É que eu não via a necessidade do estado intervir na minha relação. Ele sim, sobretudo por questões da vida prática – afinal de contas a sociedade está pensada para dois e blá blá blá. Mas eu achava o ritual importante. Então, bora casar!

A logística era da pesada: menos de um mês de organização, família espalhada em três países e orçamento enxuto. Como é de costume, tudo dá certo no final. Todo mundo ficou contente e fomos felizes para sempre nessas duas semanas de casados.

Poderia terminar o texto aqui, só que não!

O vestido era branco. Curto, mas branco. A primeira vez que eu entrei numa loja separei todos os clarinhos e me perguntava: “Por quê, Ana?”. É que a gente se pergunta o tempo todo se está fazendo o que quer ou seguindo o padrão imposto pela sociedade.

O mesmo aconteceu com a aliança. Sempre achei uma bobagem mas um dia acordei querendo uma. Ele odeia alianças. Discussões depois, descobri que o que ele odeia é o objeto anel. Logo, chegamos a um acordo: eu de aliança e ele de pulseira.

Sono da beleza? Máscara de pepino? Até parece! Na noite anterior ao casamento o Bnegão & Seletores de Frequência tocava aqui. Em 12 horas teríamos que estar no cartório dizendo “sí, por supuesto”. Somos fãs e é claro que fizemos ambas as coisas.

E tudo isso em uma segunda-feira! Razão pela qual todos os nossos amigos começaram a semana como nós: com ressaca porém feliiizes. Quase resumo da história e parafraseando minha amiga Tati, eu quero mais é que todo mundo se case!

Eu, que nunca sonhei em chegar com um vestido e seus dois metros de cauda em uma igreja, estou feliz à beça por acreditar no amor, lutar por ele e celebrar a dor e a delícia de andar pela vida de mãos dadas.

E o fizemos com a nossa cara e a ajuda de muitos amigos. Almoço em casa para um petit comité e, à noite, fiestón em um bar barra galeria de arte com graffitis em todas as paredes e os sorrisos de todos os queridos. Até o BNegão apareceu ;-)

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