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Angela Davis vem à FLIP pela 1ª vez. Aqui estão 5 livros para mergulhar na obra de uma das maiores feministas dos nossos tempos

Da autobiografia ao abolicionismo, passando por raça, gênero e classe — uma seleção para conhecer a obra da autora que vai roubar a cena em Paraty este ano

Retrato de Angela Davis com seu cabelo black power característico, sorrindo para a câmera.

A intelectual e ativista Angela Davis vem à Festa Literária Internacional de Paraty em 2026 / Créditos: Divulgação


em 30 de junho de 2026

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Entre os dias 22 e 26 de julho acontece a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP. A programação oficial já tem nomes como Zadie Smith e Cármen Lúcia, mas é na agenda paralela que mora um dos momentos mais esperados: a estreia de Angela Davis no festival. A filósofa, ativista e escritora norte-americana participará da Casa Sesc, ainda sem data e horário anunciados.

Davis tem 82 anos, décadas de luta antirracista e feminista, e uma obra que atravessa gerações. Nasceu em 1944 em Birmingham, uma cidade no Alabama onde a Ku Klux Klan atacava casas e igrejas do bairro onde cresceu. Era professora de filosofia na Universidade da Califórnia em Los Angeles quando, aos 26 anos, foi demitida por pressão do governador Ronald Reagan por causa de suas ligações com o Partido Comunista e os Panteras Negras. Em 1970, foi incluída na lista dos dez mais procurados do FBI, acusada de conspiração e assassinato. A campanha mundial pela sua libertação — com John Lennon e Yoko Ono entre os que se mobilizaram — tornou seu rosto um símbolo global. Davis foi absolvida de todas as acusações em 1972, depois de 16 meses presa.

Em 1997, cofundou a Critical Resistance, organização que luta pela abolição do sistema prisional nos Estados Unidos, e construiu o conceito de abolicionismo feminista: a ideia de que um feminismo negro genuíno não pode se dissociar da luta contra o encarceramento em massa, que ela entende como continuidade da escravidão.

Em 2023, quando veio ao Brasil lançar Abolicionismo. Feminismo. Já. (Companhia das Letras, 2023), fez questão de realizar o lançamento dentro de uma penitenciária feminina em Salvador, para mulheres em situação de cárcere. É o tipo de gesto que resume bem a ativista e pensadora que é.

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Para quem quer chegar na FLIP familiarizada com o pensamento de Davis, selecionamos cinco livros essenciais, todos com edição brasileira, que contam do valor de sua obra.

  • Mulheres, Raça e Classe (Boitempo, 2016)

O ponto de entrada mais recomendado para quem está chegando agora. Davis começa pela escravidão e pelos seus efeitos para mostrar como raça, gênero e classe são inseparáveis em qualquer análise das opressões. Um livro que não envelhece e explica por que o feminismo que ignora o racismo é insuficiente.

  • Uma Autobiografia (Boitempo, 2019)

Publicada originalmente em 1974, quando Davis tinha 28 anos, a autobiografia é também um documento histórico. Ela narra sua trajetória da infância no Alabama segregado até o julgamento que a colocou simultaneamente como ícone do movimento negro e das mulheres — e na lista dos dez mais procurados pelo FBI. Impossível largar.

  • Mulheres, Cultura e Política (Boitempo, 2017)

Uma compilação de discursos e artigos organizada em três eixos: igualdade e paz, questões internacionais, educação e cultura. Dá para entender como a autora pensa a transformação social de forma coletiva, e por que ela nunca separou a luta das mulheres da luta por direitos civis mais amplos.

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  • A Liberdade é uma Luta Constante (Boitempo, 2018)

Entrevistas e conferências reunidas em um volume que mostra Davis em diálogo com os movimentos sociais do século XXI — do Black Lives Matter ao feminismo interseccional. Mais acessível como formato, igualmente potente no conteúdo.

  • Abolicionismo. Feminismo. Já. (Companhia das Letras, 2023)

Escrito com Gina Dent, Erica Meiners e Beth Richie, é um manifesto: Davis e suas coautoras argumentam por um feminismo que não pode se dissociar da luta pela abolição do sistema prisional. Urgente e sem concessões.

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