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Nos Estados Unidos ninguém espera por dádivas divinas. Para arrecadar dinheiro para causas coletivas, eles tiram os bumbuns do sofá e…
Era um sábado de manhã, em outubro. Garoava, clima típico do outono nova-iorquino. Pacientemente sentada num ponto de ônibus da Nona Avenida, eu esperava. O tal ônibus não chegava. Foi quando uma senhora, toda elétrica, sentou ao meu lado. Ela estava lá para fazer um curativo no pé. De tanto andar, ela estava com uma bolha gigante. Mas não reclamou. Tratou do problema e seguiu em frente. Vestida com um boné e uma camiseta rosa, a tal senhora era uma das participantes da Avon Walk for Breast Cancer, uma iniciativa da Avon que reúne fundos para pesquisas em busca da cura do câncer de mama.
Caminhando e cantando
O evento acontece em nove cidades americanas em diferentes fins de semana. O dinheiro vem da taxa de inscrição e também da coleta que os próprios participantes fazem entre os amigos. Neste ano, a caminhada em Boston arrecadou US$ 7 milhões; em Chicago a cifra passou de US$ 9 milhões. Nova York levantou quase US$ 13 milhões, reunindo 4.500 participantes de 47 Estados, entre eles 409 sobreviventes da doença. É um mar de gente caminhando pela cidade – homens,mulheres, crianças. O dinheiro é destinado a instituições e hospitais.
Trata-se de um show de cidadania, que por sua vez é uma das melhores qualidades do povo americano. Ninguém espera nada cair do céu. É da população que nascem os maiores fundos de investimento para a cura de doenças e outras questões públicas. Já participei, por exemplo, de uma para ajudar as vítimas de Aids em Nova York. Há caminhada para bebês prematuros, diabete infantil, autismo. Tem de tudo. É o que eles chamam de Walk for a Cure. Talvez esse seja um exemplo para causas brasileiras. Quem sabe depois de ler estas linhas você não levante e dê o primeiro passo?
Vai lá: www.avonwalk.org. No Brasil, o evento também faz bonito. A última edição paulistana contou com cerca de 6 mil participantes.
Tania Menai é jornalista, mora em Manhattan há 12 anos e é autora do livro Nova York do Oiapoque ao Chuí, do blog Só em Nova York, no site da Trip, e também do www.taniamenai.com
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