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Além dos seios

Projeto fala sobre a relação de mulheres com a parte mais feminina de seus corpos

A pelada, 37 anos, psicóloga e presidente do clube de naturismo de São Paulo - Rose não gostava dos comentários e gracinhas dos homens da família que viam suas calcinhas e sutiãs, número 52, estendidos no varal. Passou a pendurar as roupas íntimas, ainda úmidas, dentro do guarda-roupas, o que encheu o armário de mofo. Outras atitudes estranhas como usar diversas blusas, sutiãs gigantes e até amarrar panos ao redor do peito entraram na rotina de Rose. Ela desejava ser menos percebida e dar menos satisfações sobre ela mesma. Solteira, a moça de família conservadora engravidou pela primeira vez e ouviu ainda mais sugestões, opiniões de gente não grata se metendo. Anos depois, já casada e com duas crianças para cuidar, encontrou no naturismo uma libertação para seu corpo e mente: se aceitar e ser livre. Acredita que os seios cresceram ainda mais desde então. E comemora

O projeto "Além dos seios" entrevistou mulheres de diversas faixas etárias e biótipos / Créditos: Lygia Porto


Por Camila Ochoa

em 14 de fevereiro de 2013

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Mama, peito, busto, teta. Os nomes são poucos e os julgamentos abundantes. Desde o momento que eles começam a se desenvolver, lá pelos 10, 11 anos, as meninas se veem de um jeito diferente. O andar, por exemplo, fica mais pesado e as recém-adquiridas mamas balançam de um jeito incômodo. É preciso um sutiã para garantir um conforto físico e preparo psicológico para aguentar as possíveis comparações, piadinhas e opiniões não solicitadas.

“Não podia usar camiseta branca que os meninos me chamavam de vaca, diziam que iam tirar leite de mim”, lembra a dançarina Sweetie Bird, 30, que sentia vergonha do corpo pelos comentários que ouvia na escola.

Em sua primeira relação sexual, aos 13 anos, a assessora de imprensa Carol Mello*, 21, que ao contrário de Sweetie, tinha pouco volume nos seios, adquiriu um trauma ao ouvir do namorado que ela precisava colocar silicone. “Durante os seis anos em que namoramos, não consegui mais fazer sexo sem blusa ou de luz acesa”, conta.

Essas histórias são mais comuns do que se imagina. Traumatizadas com comentários desagradáveis e experiências não tão boas na adolescência, meninas se tornam mulheres que não conseguem aceitar o próprio corpo. 

De acordo com o último estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os procedimentos de aumento e redução de mamas somam 33% das intervenções estéticas feitas no País. Ou seja, muitas mulheres estão insatisfeitas com o tamanho e o formato dos seios.

Os seios também levam muitas mulheres às salas cirúrgicas por razões mais sérias. Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) indicam que o segundo tipo de doença com maior índice de morte no mundo é o câncer de mama.

Mulheres com câncer de mama, garotas frustradas com o tamanho dos peitos, mães que tiveram o prazer de amamentar, damas orgulhosas de seus seios fartos, meninas felizes com o corpo que tem e outras nem tanto. Todas elas são mulheres que você conhece, seja alguém da sua família, uma amiga ou conhecida qualquer.

Os seios vão muito além do lado sexual, a parte mais feminina do corpo humano é também fundamental para autoestima da mulher. Cada caminho, escolha e história fazem a beleza de cada mulher.

*Nomes alterados para preservar identidade das entrevistadas

A reportagem foi extraída do livro Além dos Seios, projeto realizado pelos jornalistas Camila Ochoa, Camilla Feltrin, Lygia Porto, Renan Botelho e Tatiane Marsilli. O seu blog é o http://peitoaberto.wordpress.com 

Leia algumas das histórias do livro na galeria de fotos

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