É impossível se despedir sem chorar. O caminhar em direção oposta de alguém com quem estamos habituados a dividir é sempre dolorido. Se é um caminhar seguro, rumo a outro continente, menos mal. Se é um caminhar amoroso, rumo a um futuro melhor, também. Mas nem sempre é assim. Há aquele caminhar vagaroso, de rumo ao incerto. Despedidas forçadas de quem não queria ir. Isso é um um tanto mais doloroso. Gente com quem dividimos a mesa, as gavetas, o café detestável, as lágrimas no banheiro e aquele almoço de sempre no quilo da esquina. Gente que muitas vezes entra em nossa vida sem ser chamado e promove uma verdadeira revolução. Gente que chega chegando e desperta um amor novo, fresco, que começa tímido de segunda à sexta e depois devora fins de semana, férias, drinques e afins.
A partida é dolorida e os dias pra quem fica, também. Todos sabemos que vai dar tudo certo, mas de momento, nos sentimos amputados, lá e cá. Estamos tristes, resignados. Tivemos os nossos filhos juntos, parimos um tanto de outras coisas boas também. Letras, desenhos, blogs. Trocamos receitas, sapatos, segredos. Choramos amores, abortos e aquele erro que comentemos juntas. Dividimos o lanche, o telefone, as buchas, as gargalhadas e o coração. Por anos fomos quase um e nos vangloriamos disso. Fizemos inveja, porque, sim, era amor. É amor. E agora parte titubeante, num dia de chuva.
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