Resistência ao negacionismo

O físico e engenheiro Ricardo Galvão virou notícia na imprensa nacional e internacional quando o presidente Jair Bolsonaro colocou em xeque a veracidade dos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que apontavam um aumento de 88% no desmatamento da Amazônia – número que depois foi comprovado por outros institutos de pesquisa, entre eles a NASA. Então diretor do Inpe, Ricardo decidiu reagir, sabendo que isso lhe custaria o cargo, e chamar atenção para os contínuos ataques do governo ao instituto e à ciência brasileira. "Pessoas em posição de poder se incomodam com resultados de pesquisas que vão contra os seus interesses ou desejos", diz.

Com a repercussão do caso, ele deu palestras no mundo todo e, no final de 2019, foi eleito um dos dez cientistas do ano pela revista Nature, uma das mais prestigiadas na área da ciência. "Eles disseram que meu posicionamento foi relevante também no cenário internacional, onde está predominando o negacionismo. E minha resposta tinha incentivado muitas pessoas a fazerem o mesmo", conta. Desde que deixou o cargo no Inpe, o físico e engenheiro voltou para a sua posição de professor no Instituto de Física da USP. "Fico feliz de ver os jovens motivados pela preservação do meio ambiente e lutando contra o negacionismo. O papel do professor é ensinar não só uma profissão, mas uma atitude diante da vida”, afirma.

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