Mãe não é tudo igual

por Redação

No segundo episódio da Casa Tpm 2022, mulheres inspiradoras conversam sobre os infinitos caminhos que podemos construir para a maternidade

Compartilhamos tantas experiências parecidas, temos os mesmos medos e expectativas, mas cada mulher tem seu jeito de ser mãe. No segundo episódio da Casa Tpm 2022, conversamos sobre os infinitos caminhos que podemos construir para a nossa maternidade. Katiele Fischer, Lau Patrón, Veronica Oliveira, Alessandra Ayabá, Aline Brito, Dani Arrais, Pepita e Thamirys Nunes e outras mulheres inspiradoras falam sobre os desafios que as famílias homoafetivas enfrentam para ocupar espaços e reafirmar sua existência, os preconceitos que isolam as mães atípicas e as crianças com deficiência, a jornada da mãe de uma criança trans e, claro, a dificuldade de levar todas essas discussões ainda mais longe, fazendo com que ela transforme de vez o mundo em que vivemos. Toda quinta, às 23h, um time potente se encontra na TV Cultura e no YouTube da Tpm para um papo sincero sobre maternidade, sem clichê, tabu ou romantizacão. 

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VEJA TAMBÉM: No primeiro episódio da Casa Tpm, falamos sobre a culpa(da) que nasce com a chegada dos filhos e o abismo na divisão de responsabilidade entre homens e mulheres 

“Ter uma criança com deficiência não te transforma numa heroína ou num anjo. A gente fraqueja, se irrita com os filhos, chora no banheiro. Não temos que ser fortes o tempo todo”

Katiele Fischer, primeira brasileira a conseguir na justiça autorização para o uso de canabidiol no tratamento da filha, Anny

Katiele Fischer transformou a vida da filha, que sofre de uma doença rara, e a de milhares de pessoas ao conseguir a primeira liberação de um remédio à base de cannabis no Brasil. Mas essa foi só uma de suas batalhas. Mãe atípica, ela também teve que aprender a conviver com olhares curiosos para sua filha, com os julgamentos, os preconceitos e o rótulo de super-heroína que recebem as mulheres que têm filhos com deficiência. "Não temos que ser fortes o tempo todo", diz. Na Casa Tpm, ela bateu um papo com Lau Patrón, mãe do João e ativista na luta anticapacitista, e Veronica Oliveira, palestrante, escritora e mãe de Claire, Panda e Olívia, sobre a solidão materna, os desafios que a sociedade impõe à maternidade atípica e a necessidade de levar essa conversa mais longe. "Meu filho tem 13 anos e 1,80m de altura. Então se ele não sabe amarrar o tênis e eu abaixo pra ajudá-lo, já tive que ouvir comentários na rua como 'é por isso que esses moleques são folgados, a mãe tá amarrando o cadarço pra ele'", conta Veronica. "Para que nossos filhos não sejam destratados e possam ocupar todos os lugares, precisamos fazer com que essa conversa não fique só entre as mães atípicas”. Para Lau, essa falta de preparo e educação das pessoas para conviver com o diferente priva as crianças com deficiência de experiências e isola ainda mais as mães. “O discurso de heroína, na verdade, só nos deixa mais sozinhas. ‘Ela é tão forte que não precisa de ninguém’, ‘é a supermãe que dá conta de tudo’. As pessoas não se responsabilizam, a família se afasta, o pai geralmente cai fora… A maternidade atípica fica num lugar muito solo”. 

 

"As famílias homoafetivas exercem a maternidade de outra forma porque precisamos lutar o tempo todo para conquistá-la. Temos que pensar se seremos acolhidas num ambiente, preparar as pessoas… Está mais que na hora de entenderem que a gente existe e vamos ocupar todos os espaços"

Alessandra Ayabá, cantora e produtora de conteúdo no perfil @maternidadesapatao

"É foda porque a gente está sempre nesse enfrentamento. Eu penso bem nos lugares que vou frequentar porque às vezes eu não estou nessa disposição", diz Alessandra Ayabá. Ao lado da produtora de conteúdo Aline Brito, ela é mãe de Jamal e Jawari e compartilha a experiência de uma maternidade preta, sapatão, possível e de quebrada no perfil @maternidadesapatao. "Sendo a mãe que eu sou hoje, vou fazer diferença não só para os meus filhos, mas para quem está vivendo em torno deles", diz Aline. "Estamos ajudando a criar um futuro menos preconceituoso, um futuro acolhedor", completa Alessandra. Na Casa Tpm, elas falaram sobre essa experiência ao lado da jornalista Dani Arrais, que também vive a dupla maternidade. "A maioria das mulheres, quando passam dos 30 anos, começa a receber perguntas: 'e aí, vai ter filhos?' Mas ninguém faz essa pergunta para um casal de lésbicas. Eu fico impressionada porque a gente pode ter os mesmos sonhos e desejos", diz Dani. "Se uma mãe move o mundo, imagina duas".
 

“É surreal os olhares de mulheres quando me veem empurrando um carrinho de bebê. Viver no Brasil como uma travesti é uma luta diária, mas eu acredito tanto no amor que sou mãe de uma criança de 11 meses”

Pepita, cantora e apresentadora

"A sociedade às vezes acha que é minha professora para ensinar como vai ser o meu filho. Mas você acredita que ninguém nunca me ensinou como viver sendo uma travesti num país cercado de preconceitos?", diz a cantora e apresentadora Pepita. Mãe de Lucca, de 11 meses, ela bateu um papo com a jornalista Milly Lacombe sobre os desafios, os preconceitos, os medos e as expectativas na construção de sua família. "Eu tenho certeza que essa nova geração, filha de pais e mães da comunidade LGBTQIA+, vai ser muito diferente. Ela vai mudar muitas histórias. Imagina o Lucca, com 15 anos, falar numa roda: 'eu sou filho de uma travesti'. Acredito que ele vai viver em um mundo mais tranquilo". A artista dividiu também as dúvidas que tem experimentado nesse primeiro ano de maternidade e o que aprendeu com isso. "Pensamos: 'será que eu sou uma boa mãe? Será que estou criando meu filho direito? Sera que não devia fazer como minha mãe?' Não. Crie o seu filho do jeito que você quiser. Você é a melhor mãe do mundo". 

 

"Uma mulher trans no Brasil tem expectativa de vida de 35 anos. Então toda vez que minha filha sai de casa tem alguém querendo matar ela de alguma forma"

Tharimys Nunes, autora do livro "Minha Criança Trans?

Thamirys Nunes descobriu que sua filha de 4 anos era uma criança trans. Mãe de Agatha, ela teve que enfrentar uma série de preconceitos contra as escolhas que fez no seu maternar, mas foi para criar um mundo melhor para sua filha que entrou no ativismo. "Toda vez que minha filha sai de casa tem alguém querendo matar ela de alguma forma. Seja falando pra ela 'você não é tão menina quanto eu'; seja dizendo no recreio da escola: 'a minha mãe me proibiu de brincar com você porque você tem pipi e eu não; seja o buffet infantil respondendo: 'olha, eu não vou posso fazer a festa infantil da sua filha porque ela não é o perfil dos nossos clientes; seja virando pra minha filha aos 5 anos: 'você é a menina de pipi? Você tem que aprender que a menina de pipi sempre apanha na escola'. Por isso eu comecei uma caminhada no ativismo, para proteger as nossas crianças trans. Porque pessoas trans não nascem com 18 anos. Existe uma criança, uma adolescente, uma família sofrendo, abrindo mãos dos seus sonhos, abrindo mão de tudo que fomos ensinados, para criar essas crianças e adolescentes trans".

Créditos

Imagem principal: Layla Motta (@laylamotta)

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