por Lino Bocchini
Trip #191

Alê Youssef quer largar a vida de agitador cultural paulistano e virar deputado federal

A maioria conhece Alexandre Youssef como o dono do Studio SP, "o cara do Baixo Augusta". Está certo. Mas vai além, e começa antes. Ele passou a vida fazendo política. Foi presidente de centro acadêmico da faculdade de direito do Mackenzie, assessor do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias e coordenador da Juventude da ex-prefeita Marta Suplicy. Lançou Soninha, trabalhou no seu mandato... aí cansou. Rompeu com a ex-VJ, abriu o Studio SP. A casa lançou parte da nova safra da MPB, e Alê tornou-se referência em cultura e também na revitalização de áreas degradadas, como a metade centro da rua Augusta. Divorciado do PT e filiado ao PV, resolveu largar a zona de conforto e tentar ser deputado federal. "A política precisa ser menos careta, mais acessível pro pessoal que, por exemplo, foi ao Festival de Política da Trip, ano passado. E nossa geração precisa de representante que não seja filho de coronel. Mas não é fazer oba-oba, falar ‘sou jovem, vote em mim'. Tem que ter discurso fundamentado e proposta viável que represente esse grupo".

Muita gente considera que você tem uma vida boa. Por que encarar o Congresso?
Tem a ver com vocação. Tinha vergonha de assumir pra mim mesmo, pra família e amigos que na verdade gosto de política. Faço parte de uma geração que se desiludiu, passou a repugnar política. Sonhos e coisas fundamentais pra essas pessoas saíram da pauta. E o curioso é que foi esse mundo em que estou, do Overmundo [Youssef é um dos fundadores do site], do Studio SP, parte dessa "vida boa", que me estimula a voltar pra política convencional.

Como esse encontro entre as duas realidades aconteceu?
Iniciativas como os grafites - eu tinha que brigar na prefeitura pra conseguir espaço - hoje estão no Masp; o skate, que também ajudamos na coordenadoria da juventude, se consolida como geração de renda, profissão; tem ainda a revitalização urbana, a ideia de que a arte e a cultura alternativa podem transformar cidades. E teve o Festival de Política da Trip, um divisor de águas pra mim. Foi bem bacana, tinha mil pessoas no Studio SP em um domingão de sol com Fórmula 1 e Brasileirão, mostrando um refluxo contrário à ideia de que "odiamos política". Tudo isso reaproximou a política dessa realidade que estou vivendo. Aí vieram a Marina Silva e o Fernando Gabeira e me estimularam a sair candidato a deputado federal pelo PV.

E como vai ser sua campanha?
Quero basear no voto de opinião. Só vai dar certo se cada proposta for debatida, coerente, porque será uma campanha focada em uma massa crítica. Primeiro, a transparência. Tenho um projeto chamado Mandato ao Vivo, para transmitir pela web o gabinete, reuniões, os processos... Vão ver a merda que é o Congresso? Vão. Mas pelo menos a pessoa vai ter a certeza de que seu representante faz alguma coisa diferente.

Essa é a forma de ação, mas o que você pretende defender em Brasília?
Tem a bandeira da economia criativa, quero propor um enorme estudo pra quantificar o quanto a arte, a cultura, a publicidade, a música etc podem impactar na economia da cidade, do Estado, para serem ponta de lança do desenvolvimento; Tem o direito da mulher sobre seu corpo, sou a favor da descriminalização do aborto; Outro assunto é o direito ao casamento e à adoção gay. Também sou favorável. São temas que estão no Congresso mas que, na hora H, todo mundo foge, porque é eleito por base conservadora. Temos ainda que discutir o novo estatuto das drogas, se descriminaliza a maconha, diferencia usuário e traficante... São questões pontuais que têm a ver com essa geração. Pôr esses temas na pauta é reaproximar essas pessoas da política.

Seu nome ainda é associado ao da Soninha, mesmo com vocês afastados...

 

No final do governo, Marta me convidou pra ser candidato a vereador, mas eu não queria, e convidei a Soninha. Coordenei a campanha e trabalhei no começo do mandato. Quando decidi dar a guinada cultural, abrir o Studio SP e tudo mais, saí. Depois ela saiu do PT e foi pro PPS, mas não a julgo por isso. Só me afastei mesmo porque não concordei com a opção dela de se tornar subprefeita do Kassab, aprofundar a relação com uma prefeitura muito careta, conservadora. Se por um lado ela representou a possibilidade de engajar essa geração, por outro, foi o contrário, entenderam que ela se institucionalizou. Isso pra minha campanha é uma tragédia. Tenho medo de falarem: "o cara vai ser mais uma Soninha, vai entrar e depois fazer o jogo dos poderosos, ser mais um".

Como fica o fato de Marina, evangélica, ter reservas a temas como a união civil gay?
A Marina tem suas crenças e todos devem respeitar. O importante é que ela tem noção de que o Estado é laico. O que isso significa? Que governará sem levar em conta suas crenças. Por isso não há constrangimento em apoiá-la e defender as bandeiras que defendo.

Se Marina não chegar ao segundo turno, em quem você vota?
Mesmo difícil, acredito muito que Marina vai mobilizar corações e mentes. Então meu voto no segundo turno vai ser Marina.

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