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VAMOS ESTAR FAZENDO

As coisas já não são mais como eram, e ainda não estão como vão ficar.

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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As coisas já não são mais como eram, e ainda não estão como vão ficar. Assim, um amigo definiu os períodos de transição, tomando por base as experiências que nós, os viventes nessa passagem de século, estamos saboreando.

É engraçado por exemplo, ver as grandes gravadoras se borrando diante de programinhas desenvolvidos em algum quarto desarrumado do Tennessee, por um moleque recém saído da high school.

É impressionante abrir os jornais e dar de cara com fusões inimagináveis entre grupos que, até a semana passada, brigavam como Tom e Jerry por pedaços da torta. Bilhões de dólares passam a ser assunto quase corriqueiro nas conversas de esquinas.

Bancos e investidores apostam fortunas em pessoas e idéias improváveis, movidos pelo medo de perder o ‘timing’. O ritmo não espera mais ninguém. Não há mais área de manobra para consertar erros.

Batida no muro
Tudo isso é lindo, até que você bate no muro das limitações. Soube, por exemplo, em conversa na semana passada, que o olho e o cérebro humano enfastiam-se num tempo infinitamente menor na frente das telas de computador do que diante do papel, o que leva a crer que, enorme parte dos investimentos que apostam na idéia de que as pessoas ficarão horas lendo texto e informações na tela, podem estar jogando suas fichas no número errado. Ou não.

O fato é que a paciência ainda é, e provavelmente continuará sendo, o grande e absoluto juiz que decidirá o que vingará e o que será deletado impiedosamente do cenário que se rabisca hoje para os próximos anos.

Na semana passada, experimentei eu mesmo, a sensação de árbitro desta transição definida nas primeiras linhas. Com o mais simples e prosaico objetivo de comprar um determinado eletrodoméstico, pus-me a acionar os mais conhecidos e divulgados sites que se propõem a vendê-los. Ponto Frio, Casas Bahia, Americanas e Amélia, foram os escolhidos para a peregrinação, depois da triste constatação de que o modelo de produto que eu precisava, não constava do rol de aparatos comparados pelo site de busca chamado Buscapé.

Fui portanto eu mesmo, à cata das informações e das comparações.

Como são todos serviços em fase de implantação, acho justo não citar nomes.

O fato é que há entre esses sites, desde absurdos da incompetência até sistemas tecnológicos de inacreditável eficiência. E mais ainda, todo tipo de preços. Para se ter uma idéia, pesquisando apenas nesses quatro endereços, encontrei diferença de 500 reais no valor de um mesmo item. O problema, paradoxalmente, começa exatamente aí. Depois de tomada a difícil decisão de compra, inicia-se o calvário dos cadastros, senhas, códigos e, a sensação desagradável de entregar a uma entidade gigantesca, boa parte de sua informação mais íntima.

Tudo feito, com a sensação de que não se pode lutar contra o progresso, efetivei a compra e me pus a esperar resignado, pelo telefonema que o tal site jurava que faria para combinar a entrega.

Quatro dias e nem sinal da entrega. Sequer do telefonema. Como moro perto de uma boa loja e precisava do aparelho, decidi ligar para cancelar o pedido.

Foram 14 minutos ao telefone, numa sucessão interminável de ‘um momento senhor’, ‘só mais um minuto senhor’, ‘… ponto com agradece a sua paciência senhor’ e, quando consegui falar com alguém de verdade, um certo Aurélio, apesar do nome de dicionário, disparou uma série horrorosa de ‘vamos estar verificando’, ‘vou estar entregando’, ‘vou estar providenciando’, até que consegui o tão almejado ‘vamos estar cancelando’.

Na minha experiência, por enquanto, o e-commerce ainda não passa de uma forma tosca de futuro imperfeito.

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