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Tempo de cine

Trip mostra trechos de dois belos filmes da Mostra: o curta Quando o TempoCair, de Selton Mello; e Noel - Poeta da Vila, de Ricardo Van Steen. Confira!

Tempo de cine

Por Redação

em 23 de outubro de 2006

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Fazendo bonitinho
O primeiro filme do ator Selton Mello, o curta-metragem chamado Quando o Tempo Cair, é uma aula de dignidade. Apóia-se na impressionante figura de Jorge Laredo – ele mesmo, o homem, o mito, o Zé Bonitinho, há 50 anos penteando narcisamente sua feiúra. O roteiro de Mello e Marcelo Vindicatto reflete sobre as três idades do homem. Para dar uma força ao filho inepto, que também tem um filho, de 8 anos, Laredo vai pra rua gastar sapato: ganha um emprego no limite da humilhação e dignidade. O filme parece veículo para Mello homenagear um ator que já é parte da cultura brasileira – e capta, com perfeição, sua nobreza fora de época. Filmado em tons azulados e cinzentos, estruturado em repetições de falas automáticas e belos planos do nada – entulhos em frente a um muro, um buraco, um vão de rua, fios desencapados –, o curta é um aperitivo para o longa que o talentoso protagonista de O Cheiro do Ralo dirige em 2007, chamado FelizNatal.
Quando o Tempo Cair passa na Mostra dia 01/10, na Sala Cinemateca, às 15h50; e dia 02/10, no Unibanco Arteplex, às 16h.
[por Ronaldo Bressane]


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Tempo de Noel
Depois de 12 anos de dedicação, o diretor Ricardo Van Steen apresentou seu longa-metragem Noel – Poeta da Vila na Mostra. Aproveite que tem mais duas apresentações [dia 27/10, às 15h10, no Reserva Cultural e dia 28/10, às 15h10, no Cine Bombril] para se aprofundar na arte por trás da obra do poeta da vila. Caso contrário, faça a cabeça com a entrevista com o diretor e com os quatro trechos do filme separados por ele especialmente para o site da Trip. O longa-metragem só entra em circuito em maio do ano que vem. “Vamos esperar as comemorações pelos 70 anos da morte de Noel Rosa”, adianta Van Steen.

Porque demorou tanto tempo para fazer o filme?
Ainda bem que demorou tanto. Deu tempo para melhorar muita coisa enquanto esperávamos por mais recursos, em todas as fases do projeto. Se tivesse saído antes o resultado seria pior.

Porque escolheu retratar o Noel Rosa?
Sempre quis fazer filme de época para poder criar um mundo particular. Sempre quis falar sobre vida de artista, meu tema é a arte. O Noel é um mito, um herói da MPB, um grande artista e um cara muuuito especial. Deixou 800 páginas de “causos” registradas em uma biografia excelente. Um grande material para trabalhar. Me identifiquei com o Noel na dificuldade para administrar as virtudes da criatividade com as consequências do sucesso, no jeito dele de lidar com o risco que as opções erradas do cotidiano podem nos levar, de botar a arte na frente de todas as opções sempre, seja pela qualidade da conversa, pela beleza da visão, pela harmonia musical ou pelo perfume do corpo.

Como foi a estréia do filme na Mostra?
Um sucesso, uma catástrofe. Sucesso porque a maioria das pessoas se surpreende com as próprias expectativas e sai adorando, emocionada. Catástrofe porque minha cópia era incompatível com o equipamento da sala, e o som saiu uma merda inenarrável. Muitas das pessoas que mais prezo aguardaram uma dúzia de anos para, finalmente, verem só meio filme.

O filme entra em circuito depois da Mostra?
Não, vamos aguardar as comemorações pelos 70 anos da morte dele, em maio do ano que vem. Ainda temos que preparar o trailer, todo o material promocional, terminar de mixar o disco, gravar a música “Mulher Indigesta” com o Supla. Já ouvi dizer que o lançamento é a fase mais difícil e mais intensa de todo o processo. Pensando nas dificuldades que já passei, chega a dar medo!
[por Endrigo Chiri Braz]

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