Super-homens
A morte precoce do surfista Malik Joyeux e o bicampeonato de Alexandre Ribeiro no Ultraman havaiano
Ele cresceu surfando uma das ondas mais perigosas do mundo, Teahupoo, Taiti. Isso ajuda a entender por que se especializou em entubar, e ficou conhecido como um exímio domador da manobra mais marcante do esporte. Em 2003, fazendo justiça a esse talento especial, venceu o Billabong XXL Tubo do Ano. Com apenas 25 anos, passou a ser considerado um dos melhores surfistas de ondas grandes do mundo. Homem do mar, ficava à vontade promovendo novas experiências e entrou definitivamente para a história quando se tornou o primeiro homem a ser rebocado por um kite para uma onda grande. Não à toa ficou amigo de Laird Hamilton, com quem praticava o tow-in e aprimorava a técnica nas ondas grandes. Mas a carreira de Malik Joyeux foi precocemente interrompida na última sexta-feira, 2 de dezembro, em Pipeline, Havaí.
Eram dez e meia da manhã, horário local, quando ele remou para a primeira onda de uma série de três. A onda tinha aproximadamente 10 pés e vinha, como acontece em Pipeline, consistente e rápida. Para testemunhas, ele talvez tenha entrado nela atrasado demais. O fato é que, ao tentar entubar, ele perdeu o controle, sendo atingido em cheio pelo lip. Percebendo a gravidade da situação, dezenas de surfistas que estavam no outside começaram a gritar e acenar. Sua prancha apareceu rapidamente na praia mas Joyeux não voltava da imersão. Ele foi encontrado apenas 15 minutos depois, a 200 metros do local do acidente. Guarda-vidas tentaram reanimá-lo sem sucesso. Com a notícia da morte de Joyeux, cerca de 60 surfistas que estavam na praia fizeram um círculo, deram as mãos e deixaram a onda mais disputada do planeta vazia por horas.
E nesse clima pesaroso começa hoje o período de espera do Rip Curl Pipeline Masters, etapa final do WCT e o mais longevo campeonato do mundial de surfe, com 35 anos de vida. A prova também define a Tríplice Coroa Havaiana, liderada, após duas provas, pelo havaiano Pancho Sullivan.
* * *
No final dos anos 80, Alexandre Ribeiro despontava como uma das grandes promessas do triatlo olímpico brasileiro. Disciplinado, era dos que mais treinavam. Com o tempo, as distâncias olímpicas (1,5 km nadando/40 pedalando/10 correndo) ficaram curtas para ele. Começou, então, a correr o Ironman (3,5 km nadando, 180 pedalando e 42 correndo). Era tido como uma das grandes promessas brasileiras. Mesmo assim, nunca conseguiu triunfar na prova. Hoje, aos 40 anos, Alexandre parece ter encontrado suas distâncias. Ele compete no Ultraman, uma epopéia para poucos: 10 km de natação, 421 de bicicleta e 84 de corrida. Ainda disciplinado, treina fazendo 600 km de pedal, 200 de corrida e 20 de natação por semana.
Dias antes do acidente fatal de Joyeux, Alexandre, a poucos quilômetros dali, numa outra ilha havaiana, a Big Island, iniciava jornada para se tornar bicampeão do Ultraman.
A conquista crava o brasileiro como um super-homem da impressionante distância. No domingo, depois de passar 24 horas e 32 minutos suando, ele cruzou a linha de chegada, cinco quilos mais leve. Mas com seu nome eternizado pela conquista.
Notas
Final do mundial de surfe – WQS
Disputada em Sunset, Havaí, a última etapa foi dominada pelos australianos, mas os brasileiros foram melhor no ranking. Além do campeão, Adriano de Souza, temos cinco atletas entre os 16 que sobem em 2006, contra quatro australianos, dois americanos, dois havaianos, dois sul-africanos e um francês.
Skate das arábias
Sandro Dias é um dos destaques do ESPN X Games Dubai, que acontece hoje e amanhã no balneário turístico dos Emirados Árabes Unidos. Sua namorada, Fabíola da Silva, no patim in line, também se apresenta.
Escalada El Captain
Roberta Nunes bateu o recorde sul-americano ao escalar os 1000 metros do big wall nos EUA em apenas 15 horas
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