Sshh: a artista australiana por trás do selo Trojan Brasil

por Nathalia Zaccaro

Um papo com a mina responsável pelo lançamento no Brasil do selo que bombou a música jamaicana no mundo, de Lee Perry a Desmond Dekker

O lendário selo Trojan Records é, há 52 anos, sinônimo do melhor da música jamaicana no mundo todo. Fundado em 1967, foi responsável por lançar no mundo nomes fundamentais do universo da ilha caribenha, como  Lee Perry, Toots & The Maytals e Desmond Dekker. Em 2016, essa história ganhou novo capítulo com o lançamento do Trojan Jamaica, um novo selo que, em parceria com a gravadora BMG, coloca no mercado artistas que estão construindo a música jamaicana contemporânea. 

Por trás da novidade estão a artista e produtora australiana Sshh Liguz e o músico Zak Starkey, que é filho do lendário beatle Ringo Starr e baterista do The Who. Em janeiro deste ano, o casal anunciou o lançamento de um braço sul-americano da Trojan Jamaica, batizado de Trojan Brasil.

O coletivo carioca de hip hop da Rocinha, Covil do Flow, foi escolhido como primeira aposta do selo por aqui. "Quando fomos ao Brasil em 2019 para promover o Trojan Jamaica, encontramos um rapper do Reino Unido que nos levou à favela para conhecer o grupo. Fomos até o estúdio deles na Rocinha, tocamos e ouvimos música. Nós falamos muito pouco português e os caras falam pouco de inglês, mas todos nós falamos música. Quando a música é boa, também é a vibe!", conta Sshh. Em março, o Covil do Flow lançou pela Trojan Brasil o clipe da faixa "Favelatown", marcada pela influência de ritmos jamaicanos, como o raggamuffin.

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Além das atividades da gravadora, Zak e Sshh se envolveram em outro projeto no Brasil: uma parceria musical com o rapper BNegão. Os três juntos gravaram a música “Extra, Extra”, marcada por um som eletrônico e roqueiro que coloca em primeiro plano a urgência das questões ambientais. O clipe da parceria foi lançado em 22 de abril para aproveitar o Dia da Terra, celebrado em diversos países do mundo. 

Sshh trocou uma ideia com a Trip sobre seus projetos, sexismo e coronavírus: 

Trip. Como surgiu o projeto da Trojan Jamaica? 

Sshh. Nós nunca planejamos começar uma gravadora. Mas fizemos tantas músicas incríveis, com artistas incríveis, que percebemos que precisávamos! Tudo começou quando fizemos um álbum com covers do Teenage Cancer Trust chamado Issues. O curador do Peter Tosh Museum, em Kingston, viu o vídeo e nos convidou para tocar, o que foi uma honra incrível. Foi através desse convite que conhecemos alguns dos melhores músicos da Jamaica e desenvolvemos um forte relacionamento com a comunidade musical de lá. Freddie McGregor, Toots and the Maytals, Sky e Robbie, U-Roy. A lista continua e continua! Mas, antes de tudo, sempre foi sobre a música.

Você sempre curtiu reggae? Eu tenho o máximo respeito pela música jamaicana. Reggae, rocksteady, ska, dancehall etc. É uma cultura que inspira uma ampla variedade de estilos e gêneros há décadas. Eu me pergunto onde o mundo estaria sem ela! É inspirador que uma ilha tão pequena tenha um impacto tão global.

Por que decidiram investir no Brasil? A criação do Trojan Jamaica e do Trojan Brasil foi uma evolução natural. O Brasil é muito parecido com a Jamaica - apenas muito maior! A música é uma parte tão arraigada de ambas as culturas. Você ouve música em todos os lugares da Jamaica e no Brasil e dá pra ver a alegria que ela traz para as pessoas. E essa é a beleza e o poder da música.

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Como rolou a parceria com BNegão? Conheci o BNegão em um evento que a BMG organizou para o Trojan Jamaica em São Paulo. Tivemos um ótimo contato e discussões sobre todo tipo de coisa. Ele nos convidou para um show que ele faria na noite seguinte, com a banda Black Mantra. E foi incrível! Então, quando chegou a hora do lançamento de "Extra, extra", através da BMG, não havia dúvida sobre envolver o BNegão. Há uma sensação de anarquia impressionante dentro dele. 

Como é seu trampo na Trojan? Nos últimos 18 meses, mais ou menos, tenho trabalhado mais no lado corporativo e executivo das coisas, que é famoso por ser um clube de garotos. Mas eu tenho grandes bolas, metaforicamente falando. Além de estar envolvida na pós-produção dos discos que estamos fazendo. Eu coloquei minha própria carreira artística em segundo plano para trabalhar na direção de algo maior do que apenas eu. 

Apesar do seu trabalho ser central nas atividades do Trojan, Zak é muito mais citado pela imprensa. Por que você acha que isso acontece? Zak é obviamente muito mais conhecido do que eu. Ele tocou com algumas das maiores e melhores bandas do mundo. The Who, Oasis. Ele tocou no Super Bowl e nas Olimpíadas. Sem mencionar que o pai dele é Ringo Starr. Estas são algumas sombras bastante grandes para lidar.  Mas eu não estou atrás ele, nós estamos juntos. Mas eu mentiria se dissesse que o sexismo não me irrita.

Como estão lidando com a crise da Covid-19? O coronavírus é preocupante. O medo e o pânico são as partes mais perigosas da natureza humana. Estamos tendo que aprender um novo vocabulário, como "distanciamento social" e "achatamento da curva". Eu e Zak temos a sorte de conseguir ainda trabalhar parcialmente, em isolamento, de nosso estúdio. Mas meu coração dispara por aqueles afetados por esse inimigo invisível, seja financeiramente, seja fisiologicamente. Vivemos tempos loucos. É uma pena que seja preciso tanta tragédia para trazer à tona o melhor lado da humanidade: pessoas ajudando umas às outras, mesmo que seja apenas uma conversa. A humanidade recebeu uma segunda chance na luta contra as mudanças climáticas, só espero que não estraguemos tudo.

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Imagem principal: Andrezj Liguz / moreimages.net

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