Nunca tire os pés do chão

por Ricardo Guimarães
Trip #283

A força, quando combinada com conhecimento, vence a força

Caro Paulo,

 Ando fascinado com o mito de Anteu, um personagem coadjuvante da mitologia grega, pouco conhecido, mas que tem me ajudado muito a entender os fracassos e sucessos dos humanos nos dias atuais.

Aprendi sobre Anteu no livro do Nassim Nicholas Taleb, Arriscando a própria pele – Assimetrias ocultas no cotidiano. Nele, Taleb conta que Anteu era um gigante, filho de Gaia, a Mãe-Terra, e Poseidon, o deus do Mar. Anteu era muito forte e tinha o dom de recuperar sua força sempre que estivesse em contato com o chão, a Terra, sua mãe. Assim, ele vencia todos os adversários que enfrentava. Até que apareceu Hércules – filho de Zeus e de Alcmena (uma humana) –, que foi educado nas artes, na filosofia e na ciência e conhecia o segredo de Anteu. Eles lutaram e o resultado foi: Hércules levantou seu oponente do chão e o matou.

Essa história tem muitas lições. A primeira é sobre o sucesso de Hércules: a força, quando combinada com conhecimento, vence a força. A segunda e, na minha opinião, a mais importante, é sobre o fracasso de Anteu: nunca tire os pés do chão! Porque é do chão, da realidade concreta, que vem o aprendizado. Pathemata mathemata, como explica Taleb, é grego e significa que o aprendizado e a evolução vêm da dor proporcionada pelo corpo, pelo físico, pelo chão, que, se desprezada, leva ao sofrimento, ao óbito, à extinção.

Nós, humanos, somos mais Hércules do que Anteu. Porque, além da força, temos a capacidade de aprender e de produzir conhecimento. O problema é que a gente se ilude, achando que ser humano é ter mais conhecimento do que força e, assim, acaba se distanciando da fonte de força que é a realidade, o chão. Para mim, esta é a diferença entre a utopia e a evolução, entre o fracasso e o sucesso.

Utopia se tornou sinônimo de coisa impossível porque nasce do desejo e da imaginação humana, frustradas ao entrar em contato com a realidade. Ao contrário, evolução é o aprendizado constante a partir da realidade, o que pode criar um futuro melhor. Eu disse “pode” porque, segundo os estudiosos, evolução não é sinônimo de melhoria.

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Para o futuro ser melhor é necessário fazer a opção por um futuro melhor. E é aí que entra o ser humano (com sua consciência e seus valores), que, a partir das dores impostas pela realidade, vai aprendendo, fazendo ciência, filosofia e também as suas escolhas. Esta semana, ouvi de um ser humano de sucesso, o Alê Costa, da Cacau Show, a seguinte pergunta: “Quanto as melhores práticas destroem as práticas melhores?”.

Não era uma pergunta, mas, sim, um alerta: se liga na real!

Em um mundo que muda, o sucesso não vem apenas do conhecimento do passado, mas também da ligação íntima com a realidade presente e das escolhas que fazemos para o futuro.

Se o sucesso do Alê não é suficiente para ilustrar nossa tese, dê uma olhada no fracasso dos humanos que tentaram impor melhores práticas em empresas com as quais não tinham a íntima ligação. Eles são notícia todos os dias. São vítimas das melhores práticas do passado num mundo em que o futuro não é mais igual ao passado.

Para ter essa ligação, precisa arriscar a própria pele. Mas isso é assunto para outra conversa, nesta página ou com Taleb no seu mais novo sucesso de vendas.

Fico por aqui.

Um abraço para o amigo que tem sabido arriscar a própria pele e, assim, com suas escolhas e seu sucesso, tem escrito uma das mais lindas biografias do jornalismo, profissional e empresarial, que eu conheço.

 Ricardo

Créditos

Imagem principal: Hércules e Anteu - Lucas Cranach (1530)

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