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Pushing Daisies

Entre tortas e amores zumbis

Pushing Daisies

Por Redação

em 10 de abril de 2008

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Por Paulo Terron, do blog With Lasers

Pushing Daisies – que estréia hoje no canal pago Warner, às 21h – é uma daquelas séries fofas que fazem as mocinhas suspirarem (e os moções podem suspirar pela bela atriz Anna Friel).

A história é bem fantasiosa, amarrada por um visual que faria Tim Burton sorrir: Ned (interpretado pelo ator Lee Pace) tem o poder de reviver os mortos com um toque. Mas existem dois detalhes: se ele tocar a pessoa (ou bicho/planta) uma segunda vez, ela morre definitivamente; e caso ele a deixe viva por mais de um minuto, alguém morre no lugar dela.

Até aí, tudo bem. Só que Ned – que tem uma loja de tortas – acaba revivendo a alma gêmea dele, a incrível Chuck (Friel). Os dois se amam, mas não podem se tocar. Lee Pace passou pelo Brasil recentemente e, em entrevista exclusiva ao site da Trip, explicou melhor essa viagem dramática.

Vocês tiveram sucesso de público e de crítica com a série – mas aí veio a greve dos roteiristas. Não deu medo de não conseguir vencer essa barreira, mesmo depois de toda a sorte inicial?
A greve foi uma droga, não teve nada de bom nela. Mas foi bom porque pudemos parar e analisar aqueles nove episódios iniciais e ver o que funcionou – e a arrumar o que não tinha funcionado tão bem. Acho que muitas coisas não estavam legais nos primeiros episódios. Agora vamos poder acertar tudo, com um olhar renovado. Esse foi o único lado bom da greve.

Teve gente que foi muito prejudicada pela greve. Não deu medo de cancelarem a série ou algo assim?
Não achei que nos cancelariam porque nosso público era grande. Começamos sendo exibidos às 20 horas, ninguém subia a audiência para nós – quem estava vendo era porque gostava mesmo. E as indicações ao Globo de Ouro que tivemos também ajudaram [risos] Quando voltarmos ao ar nos EUA, no outono, teremos um relançamento forte. Tão forte quanto o lançamento, acho, com comerciais e tudo. Na estréia foram gastos US$ 15 milhões em publicidade. Devem gastar a mesma coisa agora. O quanto você já viu da série?

Tudo.
Como é que você já viu tudo?!?

Acho que eu não deveria te contar…
Pode dizer, não vou te delatar para ninguém!

Baixei da internet.
De qual site?

Por torrent. Tem bastante gente que assiste às séries assim no Brasil, em especial por causa da demora até passar por aqui. Muitos também compram os programas de TV em DVDs piratas, vendidos nas ruas.
Onde eu encontro isso? Quero comprar uma cópia pirata de Pushing Daisies!

O Bryan Fuller [criador e produtor-executivo da série] é muito presente no dia-a-dia?
É. Ele acaba escrevendo todos os episódios.

Todos, todos?
Bom, existe uma equipe que apresenta idéias. Cada escritor fica um episódio, baseados em idéias do Bryan. Aí o primeiro rascunho é escrito. O Bryan reescreve e… É maravilhoso ver a diferença entre esse primeiro rascunho e a versão final dele.

Você vai lendo as versões todas?
Leio porque eu e ele somos muito amigos. Ele é aberto comigo em relação a tudo. Normalmente os atores não podem ler as primeiras versões porque as cenas delas acabam sendo caras demais. Muitos cortes são feitos – e muita coisa legal é cortada.

Você lê e pensa: “Não corte! Eu quero fazer isso!”
Exatamente. Muitos atores começam a exigir coisas assim, querem fazer uma cena de perseguição que vai levar quatro dias para ser gravada [risos]. Eu entendo, não forço a barra.

A primeira coisa que li sobre Pushing Daisies foi: “o novo Lost”. Todas as críticas boas não deram uma insegurança?
Sabe o que todo mundo escreveu nas resenhas? “É uma série incrível, mas ninguém vai assistir.” [risos] Acho que é mais fácil dizer isso, é meio “meu gosto é muito melhor que o do público”. Mas sim, claro que ficamos inseguros com todo mundo dizendo que o nosso programa era de qualidade. E com todo mundo esperando para ver como estragaríamos tudo.

Essa é a segunda vez que você trabalha com o Bryan…
É por causa dele que eu topei atuar nessa série. Acho-o incrível.

… E ele tem esse lance de fantasia no trabalho dele. Ao ler o roteiro deu para sacar que funcionaria bem na TV? Vendo a série, tudo é lindo. Só que o conceito é meio abstrato.
Entendo o que você quer dizer. É difícil de “vender” mesmo: o cara vai e ressuscita o amor de infância dele. Soa muito estranho. O modo como o Bryan lida com o assunto torna tudo mais simples para o telespectador. O tom leve, emotivo da série faz com que as pessoas sintam ternura.

Não é difícil imaginar uma vida longa para Pushing Daisies já que o seu personagem não pode tocar o interesse romântico dele?
Certo. Mas eles são almas-gêmeas, mesmo com essa barreira entre eles. E eles nunca vão se tocar. Nunca vão ficar bêbados e dormir juntos. Esse lado da relação deles nunca vai evoluir.

Nunca mesmo? Nem no fim da série?
Tipo eles ficarem bêbados e ele acordar ao lado de um cadáver? “Meu Deus, o que fui fazer?!?” [risos] Isso é que é comédia! [risos] Acho que não. Não acredito que vá haver um truque. Espero que eles nunca se toquem, que nunca possam se beijar diretamente. Essa é a beleza da história. Em minha opinião eles vão é começar a olhar para outras pessoas. A Olive é uma candidata forte ao amor de Ned. Isso seria interessante.

Muita gente te faz perguntas sobre torta?
Sim, todo mundo me pergunta sobre tortas.

E qual é a sua torta favorita?
[Faz pose de quem está dando uma resposta decorada] Gosto da boa e velha torta de maçã norte-americana. [Falando mais baixo] Para falar a verdade, nem gosto muito de torta. Nunca pediria torta em um restaurante. Acho que eu não deveria dizer isso, já que interpreto um cara que faz tortas… Mas não gosto mesmo.

E se você pudesse…
Essa é a segunda pergunta que mais me fazem! [risos] Já me perguntaram milhares de vezes e não consigo pensar em uma resposta boa. Tento pensar em algo engraçado e não consigo, aí acabo dizendo uma coisa séria. Tipo Ghandi. Ou o Hitler, só para poder matá-lo de novo.

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