por Carol Ito

Psicoterapia e fisioterapia estão na rotina dos jogadores profissionais de League of Legends, game que movimenta a indústria bilionária dos eSports

“Tentem oxigenar mais, encontrar soluções para os problemas, e não só aceitar que estão perdendo. Essa é a lição para os próximos jogos”, recomenda o treinador Lucas Pierre, conhecido como Maestro, durante o treino de oito jogadores profissionais de League of Legends, um dos games mais populares do mundo, que movimenta a indústria bilionária dos eSports. Todos, exceto o treinador, parecem à vontade com suas roupas largas, chinelos e cabelos despenteados, muito diferente de um ambiente de trabalho tradicional. Mas o treino é de alta performance, exige cliques rápidos, concentração e sintonia da equipe.

É assim um dia de treino do time da INTZ na maior gaming house da América Latina, inaugurada em julho de 2018, em São Paulo. São 25 pessoas dividindo o mesmo teto e mil metros quadrados – com direito a 12 quartos, 4 salas de treinamento, refeitório, área de convivência e escritório – pensados para que os atletas tenham apenas a preocupação de trazer bons resultados nas competições pelo mundo. A gaming house abriga jogadores profissionais de League of Legends e a comissão técnica.

Rodrigo Panisa, conhecido na internet como Tay, 21, é um dos veteranos da equipe criada em 2014. Como a profissionalização do eSports no Brasil é recente, ele conta que enfrentou resistência da família para sair do Guarujá e tentar ganhar a vida em São Paulo jogando LoL, aos 17. “Até hoje, eles brincam que querem que eu faça faculdade”, conta.

Maestro explica que um gamer do INTZ tem que treinar tanto quanto um jogador de futebol e que, aos poucos, a empresa tem conseguido convencer os pais dos adolescentes de que o negócio é sério. “A gente chama os pais para conversar, eles conhecem nossa estrutura. Ficou muito mais fácil mostrar que é uma profissão de verdade, mas ainda existe um certo preconceito”, conta.

Outra profissão ainda menos compreendida é a dos streamers encarregados de fazer live streams, que são como comentaristas de futebol com a diferença de que eles comentam e jogam ao mesmo tempo, interagindo com o público online. É o caso de Daniel Marcon, 22, que tem quase 300 mil seguidores. Ele saiu de Terras de Areia (RS) para trabalhar no INTZ há pouco mais de um ano. “Eu tenho um trabalho mais educativo, ensino a jogar League of Legends”, explica ele, que começou a fazer streams para superar a timidez. “Eu tinha pânico de falar em público, não conseguia apresentar nenhum trabalho na escola, passava mal. Hoje em dia, falo com milhares de pessoas, apresento palestras, até aprendi a lidar com os haters”, conta.

Para encarar tantas mudanças e as seis horas diárias de treino, os jogadores, que têm entre 17 e 24 anos, fazem psicoterapia e fisioterapia. “O acompanhamento psicológico é importante porque são pessoas muito novas, tem gente que não sabe lidar com fama, dinheiro, as responsabilidades da vida adulta”, comenta Tay. A fisioterapia ajuda a prevenir lesões por esforço repetitivo, já que os garotos passam muitas horas do dia sentados em frente ao computador, além do horário oficial de treino. “Eu basicamente só jogo, assim como a maioria. Se eu não tô jogando, tô comendo, dormindo ou fazendo academia. Tive tendinite por dois anos”, diz o jogador.

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A ideia de que trabalho e diversão devem se misturar parece ser seguida à risca pelos gamers, mas pode faltar tempo para outras atividades comuns entre adolescentes. “Rolê só no final de semana, quando dá, porque os campeonatos também são nos fins de semana", explica Tay. "Namorar também é difícil. Hoje eu acordei às 10h e só vou estar livre às 21h. Tem gente que não aceita. A maioria das pessoas desse meio não tem muito relacionamento." Apesar de jogar LoL há sete anos, com uma média de 15 horas por dia, ele ainda curte os desafios e o clima de competitividade. Segue o jogo. 

Créditos

Imagem principal: Jay Braga

Fotos de Jay Braga

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