Olhe para o seu relógio e espere o ponteiro dos segundos completar um quarto de volta. Completou? Esse é o tempo médio que um surfista permanece em pé em uma boa onda nas praias brasileiras. Continue cronometrando e quando o ponteiro completar a metade da volta você terá o tempo de permanência que os surfistas mais bem preparados, em marés grandes e aproveitando a onda até a areia, desfrutam. Acima disso, até um minuto ou pouco mais, só mesmo em condições muito especiais até mesmo para os padrões internacionais, Chicama, Kirra, Rincon…
Desde que foi explorada pela primeira vez em 97, a onda da pororoca, fenômeno provocado pela variação da maré em alguns rios amazônicos, tem atraído cada mais vez surfistas dispostos a encarar o desafio do desconhecido e resistir em pé sobre a prancha por um tempo interminável, já que a onda invade a floresta por dezenas de quilômetros desde a foz.
Nos últimos dias o assunto ganhou destaque por duas fontes, pela TV Globo, com chamadas destacando a atração dentro da programação de domingo, e de forma mais restrita, via correspondência eletrônica, para um grupo convocado pela Red Bull para uma aventura nos confins do rio Araguari.
Na TV, a aventura deixou evidente que a experiência do surfe na pororoca já ganhou contornos folclóricos na região. Garotos pré-adolescentes numa pequena embarcação se juntam a dezenas de locais tentando subir simultaneamente em suas pranchas na busca do recorde do maior número de surfistas na mesma onda, enquanto uma competição rivaliza o surfista consagrado do Rio de Janeiro com o novato, porém experiente na pororoca, surfista local. Captadas próximo ao centro de Belém, PA, as imagens valem pelo registro da transformação do que, até há pouco, era visto com temor e respeito e que virou uma festa com grande público.
Bem longe dali, a quatro horas de ônibus e 12 de barco, o evento era só para convidados, e nem todos compareceram. A princípio a turma do energético iria incluir surfistas de peso como Shane Dorian, Neco Padaratz, além do hexacampeão mundial Kelly Slater, que estariam sob a regência de Picuruta Salazar. Como os três primeiros não deram o ar da graça, o jeito foi estender o convite a outros nomes.
Assim, formaram o grupo com Picuruta, Eraldo Gueiros, pioneiro, junto com Guga Arruda, na onda amazônica, Carlos Burle, campeão de ondas grandes, Sininho, pupilo de Picuruta, e o australiano Ross Clarke Jones, big rider patrocinado pelo energético e que daria o ar internacional à expedição.
Além dos surfistas, mais de 20 pessoas, um helicóptero, um grande barco, voadeiras e jet skis integravam a comitiva de suporte e responsável pelo registro fotocinematográfico da aventura. Com tanta gente, não havia nenhum jornalista, a não ser os contratados do patrocinador.
Em sua quarta experiência amazônica, Picuruta descreve uma onda muito maior e mais consistente que aquela mostrada na TV, que acontece durante sete dias – sendo que nos primeiros, entrando no início da manhã, eram mais lisas e mais bem formadas que nos últimos, quando o fenômeno da maré acontecia no final da manhã. O recordista brasileiro de títulos no esporte conta também que, depois de surfar 15, 20 minutos a onda, cair e ficar para trás, num ambiente totalmente desconhecido, dava “um pânico tremendo”.
Seguramente as ondas experimentadas pelo grupo foram emocionantes, mas as primeiras imagens divulgadas da expedição estão bem longe de justificar as “ondas de três metros” que descreve o release de divulgação. Resta aguardar a publicação completa do material, que terá também o compromisso de provar o possível recorde de permanência, que pertence a Adaílton Mariano com 26 minutos, atribuído a Picuruta no mesmo release, e que ele mesmo prefere não confirmar
50 anos de Everest
Com a presença do pioneiro Sir. Edmund Hillary, o filho do sherpa que o acompanhou, Tenzing Norgay, Jon Krakauer, Ed Viesturs e outros 48 alpinistas que conquistaram o topo do mundo, no dia 10/06 será realizado uma festa em São Francisco, EUA, em benefício das comunidades do Himalaia.
X Games
As eliminatórias latino-americanas acontecem no Rio de 11 a 13 de abril nas modalidades skate, in line e bike, nas categorias street e vertical. A disputa garante vaga para a edição mundial e terá cobertura pela ESPN Brasil a partir de segunda-feira.
Só nas bancas
Acabou a moleza. Depois de três edições com distribuição gratuita o jornal Nuts, de surfe e skate, agora só no jornaleiro, a R$ 2,50.
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