
Luz e gelo-seco deixam a atmosfera enevoada. O artista levanta a mão e arrisca um acorde, fazendo pose de estrela do rock. O som da guitarra explode nas caixas de som. Rock and roll! Xi, rapaz, ele não tem nenhum instrumento em mãos. É tudo de mentirinha. Eis aí o air guitar – modalidade que começou como brincadeira e consiste em dublar com as mãos, e o corpo inteiro, um solo ou riff de guitarra. Encantada com essa atividade, a professora de dança do País de Gales Amanda Griffiths, 32, resolveu pesquisar a fundo o que move as pessoas a subirem em palcos para esses esquisitos solos de faz-de-conta. Matriculou-se no doutorado da Universidade de Salford, em Manchester (Inglaterra). Ela acompanha campeonatos de air guitar há três anos para fazer sua monografia e um documentário. Trip conversou com a futura air-Ph.D por air-e-mail:
Como você conheceu o air guitar? Quando participei de um concurso em Manchester, em 2002. Para minha surpresa, ganhei!
Quando teve a idéia de fazer essa pesquisa? Quando fui entrevistada numa rádio. Queriam saber por que tão poucas meninas faziam air guitar. Uma professora de Salford também estava lá. Conversamos e ela me encorajou a fazer o Ph.D. Estou pesquisando os elementos que produzem uma boa performance e como sexo e raça podem afetar isso. Pretendo também catalogar a história do movimento.
Não é meio estúpido fazer um Ph.D sobre esse tema? As pessoas são livres para pensar o que quiserem, não sou eu quem vai convencê-las do contrário. Não está machucando ninguém, é o meu dinheiro que financia o projeto. (Filipe Luna)
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