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Nós nos enganamos
em 13 de março de 2013
Desconhecido
Parece que enganar nós mesmos sobre nós mesmos é uma necessidade inerente à nossa condição humana. É um modo engenhoso de garantirmos e conservarmos nossa humanidade. É o do que tenta nos convencer o livro “Auto-engano” de Eduardo Giannetti, e com sucesso.
Caso tudo fosse assim a ferro e fogo, somente absoluta verdade, transparência total sem mistério algum, tudo seria matemático e preciso. Tudo seria firme e seguro como uma rocha, logicamente previsível e os meios realmente levariam aos fins determinados. Impulsos momentâneos e atitudes não pensadas não seriam aceitas. Acabariam as dúvidas, os enganos, os erros. Seríamos felizes? Não creio.
Logicamente a imaginação, a surpresa e nada que não possa ser previsto teria mais sentido. A criatividade, a capacidade de inventar, de procurar sabe-se lá o que, a busca via erros e acertos, a emoção, o sonho, a ficção, a ilusão, a utopia, a fé, os sentimentos ou qualquer vivência subjetiva seriam alijados da natureza humana. Trazem enganos, remetem a dúvidas, a possíveis erros e inverdades.
Penso que sabemos tão pouco sobre quase tudo e por tão pouco sabermos, o desconhecido nos é uma janela aberta para o inusitado e o infinito. E se nos enganamos e não somos capazes de convivemos com a verdade, descobrimos o desconhecido e a busca por conhecê-lo tem sido nosso caminho. O desconhecido é um mar de procelas bravias, mas é a nossa única fonte de surpresas singulares. É no desconhecido que residem todas as nossas esperanças de alegria e felicidade.
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Luiz Mendes
10/03/2013.
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