MARESIAS – O ANTES, O AGORA E O DEPOIS
Esta é, como sabem os freqüentadores mais assíduos, a melhor época do ano para se ir à praia
Esta é, como sabem os freqüentadores mais assíduos, a melhor época do ano para se ir à praia. A luz suave, a temperatura quente de dia e fresca à noite, a natureza se renovando, as ondas grandes decorando o espetáculo e até os preços mais baixos e os lugares mais vazios, colaboram para a atmosfera perfeita para a população que tem chance de se locomover e algum dinheiro para financiar combustível e pedágio.
Sábado, estive depois de muito tempo na boate Sirena em Maresias, uma das atrações que transforma a avenida Francisco Loup numa espécie de Henrique Schaumann by the sea nos meses de verão. Havia ali uma festa para a entrega dos 20.000 reais ao surfista brasileiro que desceu a maior onda do ano, na promoção BIG TRIP, que pagou ainda 5 mil reais ao fotógrafo responsável pelo registro da massa de água de 27 pés.
O Sirena é aliás, uma boate que poderia estar em qualquer grande cidade do mundo. Comporta milhares de pessoas, tem estacionamento, dois ou três bares, restaurante, equipe de segurança e tudo mais. Mesmo assim, cria um movimento que ajudou a transformar Maresias em uma espécie de Disneylandia da molecada ‘pró-night’.
Algo bem diferente do que era o Litoral Norte quando comecei a frequentá-lo em 1979 e mesmo durante toda a década de 80. No meio dos anos 80, Maresias não tinha nada. Prá comer alguma coisa, só o P.F. de peixe da tia no restaurante que alguns chamavam de ‘pé na lama’, pela falta de assoalho. De resto, só aqueles armazéns que conseguem ter 200 itens pendurados e nada que preste. Mortadela velha, bola de plástico, macarrão empoeirado e cinco pares de havaianas tamanho 33/34. Lugar prá ir à noite, nem pensar. A moçada mais motivada só tinha a opção da boate Playboy, lá em S. Sebastião: a Playboy era a típica casa de beira de cais do porto. A apresentadora e relações públicas da casa se chamava Brenda. Um travesti negro meio gordo super simpática (o). A decoração era à base de papel de alumínio amassado, os móveis de veludo velnac devidamente ensebados pelo uso e pela maresia. Brenda, no auge das noites de Sábado, introduzia a atração principal: ‘Ela é uma mulher jovem, uma mulher independente, uma mulher linda. Seu nome? Sallette. Sobrenome? Kelly. Meus amigos, com grande prazer, a boate Playboy traz prá vocês , diretamente da boate ‘Fugitivo’ de Santos, Sallette Kelly!’. A pobre Sallette era um travesti magro feito cachorro de pobre. Dançar? Nada. Peito e bunda não tinha. Restava a ela chacoalhar a cabeleira vistosa de um lado pro outro ao som da vitrola que tocava Gal Costa com aquela música ‘O primeiro me chegou, como quem chega do nada…’
A moçada que frequentava o litoral norte se divertia como dava. Bons tempos. Mais uma vez, parabéns ao Rodrigo, ao Bruno, ao Calunga e a todos os surfistas e fotógrafos que participaram do BIG TRIP.
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