Ir além
É uma coisa preciosa poder fotografar gente como a bailarina finlandesa Asta, que transforma o corpo num objeto de precisão e beleza
Esta é a Asta. Ela é da Finlândia, de uma cidadezinha que se chama Tampere, no meio de um país que não tem muita gente, onde falam uma língua parecida com a da Estônia. Ela já foi bailarina do teatro nacional da Finlândia, mas tem um problema nos nervos que a fez parar de dançar uma dúzia de anos atrás. Me disse que uma bailarina morre duas vezes – uma quando a alma vai embora do corpo e outra quando ela para de dançar.
Existem poucas mulheres no mundo que fazem a quinta série de ashtanga ioga, e Asta é uma delas. Chegou ao ponto que quase não existem mais pessoas que podem ensinar coisas novas a ela. Não sabe se o corpo pode ir além, se existem muito mais asanas para aprender. Ela praticou por dez anos sozinha e, como veio a solidão de não ter ninguém para dividir a prática, começou a dar aulas para passar adiante o que sabe. Ela pinta também, grandes quadros de flores e leões em óleo e retratos delicados com traços firmes e pretos. Ela fez um Master em artes plásticas. Asta fala o tempo todo, quase compulsivamente, e acredita que os músculos gritam de dor quando você está fazendo o movimento certo.
É uma coisa preciosa poder fotografar pessoas que têm esse tipo de treino profissional do corpo. Existe uma certa leveza em tratar o corpo como ferramenta, algo que transborda e transcende a pele. O corpo vira um objeto de precisão e beleza.
Ela pesa apenas 45 quilos.
Estou apaixonada.
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