Por Redação
em 30 de setembro de 2005
O western é um gênero norte-americano por excelência. Mas o cineasta italiano Sergio Leone e dez quadrinistas brasileiros entraram bonito no bangue-bangue
Brasileiros criando histórias do Velho Oeste nos EUA soa como um bando de "rednecks" jogando futebol no Maracanã. Mas o bangue-bangue tropical é verdadeiro. O álbum Gunned Down, que acaba de ser lançado na San Diego Comic Convention, a maior feira de quadrinhos do mundo, é prova disso. O livro reúne uma dezena de roteiros de faroeste ilustrados por dez dos mais rápidos gatilhos do desenho nacional, entre eles os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá e os também irmãos Bruno D’Angelo e Kako. A trupe recriou os cenários e personagens de um tema que anda meio esquecido até nos EUA, onde as HQs de caubóis e caras-pálidas rarearam junto com a decadência dos filmes de faroeste a partir dos anos 60. Gunned Down é um faroeste clássico: humano, violento, trágico e seco. Pode ser comprado pela Internet no site da editora Terra Major [www.terramajor.com] por 10 dólares furados. Até o fim do ano vai rolar uma edição brasileira. [Leonardo Nishihata é jornalista]
A Fox acaba de colocar nas prateleiras uma caixa de DVDs com três clássicos do cineasta italiano Sergio Leone, Por uns Dólares a Mais [1965], The Good, The Bad and the Ugly [1966] – estranhamente traduzido no Brasil como Três Homens em Conflito – e Quando Explode a Vingança [1971]. Quando Leone, inspirado em Yojimbo de Kurosawa [que depois o processaria por plágio], filmou Por um Punhado de Dólares, marco zero do spaghetti western, talvez não imaginasse que fosse reinventar o gênero. O italiano desprezou os fundamentos do bangue-bangue norte-americano, substituindo a tradicional honra dos personagens pela rebeldia. Nos filmes de Leone, ninguém presta nem toma banho ou faz a barba! O "mocinho" é tão mesquinho e traiçoeiro quanto o "bandido". E nada de índios também. Dá pra pensar num western assim? Leone conseguiu. A estética típica de seus filmes [sempre feitos com baixos orçamentos] influenciaram desde o cinema novo, de Glauber, a Tarantino e Robert Rodriguez. Destaque para o rapazinho, personagem principal de Por Uns Dólares a Mais, que se tornaria símbolo de todos os valentões da tela: Clint Eastwood. [Vinicius Marson é designer]
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