por Glau Gasparetto

A pior temporada de queimadas no sudeste asiático atinge um raio de 1.200 km; a névoa chega a Tailândia e assusta os moradores e viajantes


Estou na Tailândia, a duas horas de Phuket, o principal porto de partida para diversas ilhas. Meu destino é Koh Lanta, uma das mais paradisíacas da região. Ao desembarcar do ferry, tudo o que quero é pôr os pés na areia e olhar o azul intenso, viver as cenas perfeitas que vinha cobiçando no Instagram. Mas o que encontro não lembra nem de perto a vivacidade... das redes sociais. 

O problema é que chegamos a Koh Lanta no mesmo dia: eu, meu marido e a "haze", a estranha névoa que vem subindo desde a Indonésia, a cerca de 300km de onde estou. É densa, esbranquiçada, constante. Não se move como as nuvens de um dia nublado. Parece um difusor fotográfico. 

A névoa não é novidade para quem mora no sudeste asiático. É consequência das queimadas que “limpam a terra”; fogo ateado por produtores de óleo de palma (o dendê), celulose e papel. A prática de queimadas é ilegal. Com o aumento das áreas de plantio a partir de 1997, os surtos anuais começaram a atingir áreas cada vez maiores, segundo reportagem da ABC australiana. O fogo queima a floresta nas ilhas de Sumatra e Kalimantan geralmente entre agosto e outubro, ameaçando espécies e espalhando a fumaça pela região. 

Esta é a pior temporada de queimadas desde 2006, segundo o Global Fire Emissions Database. Nas últimas décadas, a poluição incomodava os vizinhos Singapura e Malásia. Mas na última sexta-feira ela chegou às Filipinas - quase 1.200Km distante dos incêndios, graças a um empurrãozinho do tufão Koppu, que passou pela região. 

Ao chegar a Koh Lanta, troco mensagens com uma amiga que mora em Singapura. Ela conta que as escolas interomperam atividades e que até os aeroportos têm fechado. Dor de cabeça, olhos ardendo e garganta queimando são sintomas comuns. “'Há meses não me exercito ao ar livre, não levo as crianças em parques ou na natação”, conta ela 

Parem com as queimadas

Em Koh Lanta, o problema se limita a ofuscar a paisagem. Mas no início de outubro, quando a haze avançou os limites da Tailândia, a região de Phuket registrou níveis de poluição superiores a 200 microgramas por metro cúbico – o aceitável é 120. A população foi obrigada a adotar máscaras por conta do risco de problemas respiratórios. 

A perspectiva não é boa. O El Nino acabou atrasando a temporada chuvosa, que começaria neste mês na Indonésia, e é a única saída para controlar as queimadas, já que os esforços dos governos da região são insuficientes. 

As imagens críticas proliferam nas redes sociais. No Instragram, a hashtag #indonesiahaze retrata o dia a dia esbranquiçado de quem está no sudeste asiático. Pelo Twitter, a #StopTheFires é mais um pedido de socorro para a região.

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