por Xico Sá

O jornalista Xico Sá testa uma ovelha inflável

O jornalista Xico Sá passou alguns dias na companhia amigável de uma ovelha inflável para testar, a convite da TRIP, um produto muito usado no sertão do Brasil que agora ganhou versão sintética nos sex shops

Ovelha inflável

Só love só love

Um sopro e ela estava ali na minha frente, cheia de amor para dar. Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o tamanho. Iria ter que me humilhar demais diante da pequena criatura. Apalpei um pouco, fiz um rápido dengo e abandonei a danada num canto do quarto. Olhinhos azuis e pidões, ela parecia não entender tanto abandono. Em uma dessas madrugadas frias de São Paulo, até amanheci abraçado a ela, pura carência depois de uns goles a mais. Mas não rolou nada, juro. Acordei e joguei a inocente longe da cama. Culpa cristã, mesmo não tendo consumado o tresloucado gesto.

Ela caiu num canto do quarto, mais triste ainda, de perninhas para cima. Dó. E assim passaram-se os dias frios do pré-inverno paulistano. Eu, mesmo voltando todas as noites para casa chupando o geladíssimo Chicabon da solidão, não a procurava. Até que... numa certa manhã junina... acordei com a febre da selva e... não resisti àqueles olhinhos pidões.

Pus a criaturinha no colo, deitei no solo e a fiz mulher pela primeira vez. Lindo. Traguei o meu king size imaginário e voltei a dormir em paz. A vida é bela, eu sonhava. Quando levantei para a vida, a minha cabritinha inflável havia murchado, metamorfose mais do que natural. Se foi bom? Ah, mais uma rica experiência antropológica, como sempre dizia Gilberto Freyre ao desculpar-se das suas diabruras animais. Lembrei também de Woody Allen com aquela ovelhinha no colo, na cama, na fita Tudo o que Você Queria Saber Sobre Sexo e Tinha Vergonha de Perguntar. Cabrita de plástico até dá um caldo, uma troca de óleo, mas não chega aos quatro pés de uma dama caprina de verdade. Bom mesmo é uma legítima, como na iniciação sexual de quase 100% dos meninos dos grotões do Brasil, como deste velho safado que vos escreve e cuja origem é a Bodeville nordestina ? daí o convite da TRIP para que eu cometesse esta destemida e inédita literatura comparada.

A cabrita inflável é ideal como presente sacana em aniversários de amigos, mas não dá no couro, claro, só dá no plástico. Também é um tanto desconfortável o atrito na sua falsa pele ? só melhora com a camisinha, látex da mesma natureza. A cabrita de verdade, ao contrário, é meiga, delicada e é capaz de reconhecer o alvo da sua obsessão ? sim, deu na Science e publicações do gênero, as ovelhas e as cabras reconhecem as pessoas mais amadas. Mas a falsa cabrita teve o seu valor. E, acreditem, não berrou desde o dia em que chegou na minha vida.

Vá lá: quer saber mais sobre sexo entre homens e cabritas?
Leia Modos de Macho & Modinhas de Fêmea, de Xico Sá (editora Record, 156 págs., R$ 29), repleto do fabulário do gênero.
A cabrita testada está à venda por R$ 124,90 na Ponto G da rua Amaral Gurgel, 154, SP, (11) 221 5645, http://
www.pontog.com.br

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