Logo Trip

Publicidade

Chifrado por justa causa

A cronista Mariana Bittencourt investiga a traição em legítima defesa

Chifrado por justa causa

Créditos: Unplash


em 30 de julho de 2026

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Publicidade

“Toda mulher hétero merece um amante”. Foi o que disse C., que buscou um relacionamento extraconjugal, segundo ela, por pura negligência do marido. Teve que recorrer a outras fontes (cansou de times new roman 12) quando parou de se sentir desejada. A solidão da mulher casada é mesmo um fenômeno contemporâneo. Já diria Ana Suy, a gente mira no amor e acerta no Ricardão. 

Não é a primeira vez que vejo um chifre em legítima defesa. Estou rodeada de amigas que se queixam da ausência dos maridos, que com o passar do tempo param de fazer coisas básicas como elogiar a sua própria mulher. Nunca entendi o problema dos homens em elogiarem. O maior elogio que recebo de um homem é o que minha amiga me diria com febre no terceiro dia da dengue. 

Com o apagamento que sofrem em casa, algumas mulheres traem na expectativa de serem vistas. Notadas. E, com alguma sorte, bem comidas. Depois de debatermos tanto​ ​sobre carga mental, penso em um novo conceito que é o da carga erótica: teria a mulher ficado responsável por cuidar do desejo? Uma espécie de guardiã de libido, ativista da safadeza, protetora do beijo de língua pra que ele não entre em extinção junto com o peixe boi da Amazônia? SALVEM O BEIJO NA BOCA! O FUTURO DELE ESTÁ EM NOSSAS MÃOS! 

Leia também: Te vi no Instagram e brochei

Me lembrei da deusa grega Hécate, que tem três cabeças e uma tocha em cada mão. Se relacionar com um homem pode ter esta imagem: uma cabeça nas tarefas domésticas, outra na vida, outra no relacionamento. E ainda segurando o fogo, para iluminar a rotina e encontrar os escombros do erotismo. É o famoso: tudo eu nessa casa. Até salvar o casamento. A mulher com 3 cabeças, o homem sem nem 1 ouvido. 

Leia também: As redes sociais estão sabotando o seu namoro?

Tenho uma amiga que ficou morrendo de tesão no acupunturista, “é o único homem que me escuta”. Acho que no fim tudo gira (para que eu quero descer!!!) em torno de uma certa passividade masculina. A masculinidade de hoje, além de frágil, pode ser apática e atestosterônica. A mulher que recebe amor em estado terminal está desesperada por um desfibrilador de tesão. 

Já está legalizado o amante medicinal no Brasil?

O problema de tratar um homem com outro homem é que você pode até aliviar os sintomas, não a causa. Mas se a causa vive deitada no sofá vendo top 10 acidentes de navio mais impressionantes no youtube te tratando como paisagem sem elogiar o seu cabelo, conta comigo pra te levar à acupuntura.

——

Leia todas as colunas de Mariana Bittencourt.

PALAVRAS-CHAVE
COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon