por Anita Pompeu

Luiz Chacon faz das bactérias um elemento de transformação, capaz de resolver situações extremas e urgentes, como a despoluição de rios

Todo dia Luiz Chacon Filho faz tudo sempre igual, acorda quase às 6 horas da manhã (às 5h50) para preparar o café dos filhos e o lanche que as crianças levarão para a escola. “A maior lição que tento passar para eles é buscar a felicidade, acreditar no sonho e ter persistência”, diz. Talvez nem ele se dê conta, mas essa fala, que veio no fim da entrevista, sintetiza e representa bem sua própria trajetória.

Neto de um importante pesquisador do Instituto Butantan (SP) e filho de um empresário de sucesso, viveu tempos de fartura e tranquilidade financeira durante a infância e parte da adolescência. Mas sempre com os pés muito firmes no chão, no caso, na terra da família. “Meu pai sempre me estimulou a empreender. Desde muito cedo, ele me dizia: ‘Vá lá ganhar o seu dinheiro’.”

E ele entendeu. Com 8 anos, nas férias na fazenda da família no sul de Minas Gerais, em São Sebastião do Paraíso, o garoto já levava o ofício a sério: plantava café, cuidava dos cavalos, criava porcos e até codornas (estas, ele vendia para a própria mãe, que o transformava em consumidor final, claro). O sonho de ter aquele tipo de trabalho, em contato com a natureza, começava a se formar naquele menino de sotaque paulistano e espírito caipira.

Os anos 90 chegaram, e a crise também; o Plano Collor o fez assistir de perto à falência do pai. Luiz Chacon perdeu tudo. Luiz Chacon Filho ganhou persistência. “Foram tempos muito duros. Nessa época, com cerca de 18 anos, fui trabalhar num laboratório de biotecnologia em que meu pai investia antes da crise.” Nesta empresa, ele se apaixonou pela ideia de utilizar a biotecnologia para fazer as coisas de forma diferente. “Até então, não conhecia a biotecnologia, que nada mais é do que o uso da ciência viva para trazer soluções de forma natural e sustentável”, explica ele, hoje aos 43.

Todo mundo ganha

Caminhando pelos laboratórios que compõem a unidade da SuperBAC de Cotia, na grande São Paulo, Chacon, proprietário e fundador, explica o diferencial da empresa criada há 22 anos: “Estamos no mercado de substituição de processos tradicionais danosos para o meio ambiente, refazendo esses de forma sustentável”, diz ele, que tem diploma em administração e nenhuma passagem pelo curso de biologia. “Usamos o princípio da autorremediação da natureza para formular blends [misturas] específicos de microrganismos [bactérias], potencializando seus efeitos para solucionar diferentes demandas do mercado, seja em escala industrial, seja em soluções domésticas.”

O processo parece confuso, mas não é. Através do isolamento de bactérias úteis e benéficas à natureza, identificação e catalogação dos diferentes tipos (a SupecBAC tem 8 mil cepas de bactérias cadastradas), Chacon identificou uma forma inovadora e totalmente sustentável de resolver questões importantes da vida doméstica, empresarial e industrial.

Assim, por meio de diferentes tipos de produtos e tratamentos que levam o selo BacInside, as bactérias tornam-se as responsáveis por tratar desde o mau cheiro no ralo do banheiro, na terra do gato ou do xixi do cachorro no tapete, passando pelo entupimento da pia da cozinha, da caixa de gordura do restaurante, até a fertilização do campo. Para entender o potencial da iniciativa, a tecnologia desenvolvida pela companhia torna possível até a despoluição de rios bastante degradados como os de São Paulo. Tudo isso, com um detalhe que justifica o sucesso do negócio: zero impacto ambiental.

Exatamente por causa da ação das bactérias, todo esse processo devolve ao meio ambiente resíduos tratados, livres de produtos químicos e, dependendo do setor em questão, tendo como resposta um substancial aumento na produtividade. “Quando um fertilizante tradicional é colocado no solo, a planta só consegue absorver de 5 a 20% do produto. Com os nossos fertilizantes, a planta passa a absorver de 85 a 90%, gerando ainda um aumento de 15 até 60% na produtividade, dependendo da cultura e da região.”

Enquanto o campo ganha e o planeta agradece, a SuperBAC cresce – de 2017 para cá, saltou de 170 para 600 funcionários. “Hoje, a nossa maior dificuldade é formar equipe com crescimento tão acelerado, introduzir a cultura da empresa e conseguir imprimir todo o propósito nas pessoas que estão entrando”, conta Chacon, que se prepara para inaugurar uma nova sede ano que vem.

Haja fôlego. Aonde você quer chegar? “Boa pergunta! Em até determinado ponto, a empresa foi muito ligada a mim. Mas não é isso o que eu quero. Quero que a SuperBAC se torne uma referência em soluções biotecnológicas e deixe um legado para todos de que é possível, com muita persistência e acreditando nos sonhos, fazer história de uma maneira diferente e transformadora.” 

Créditos

Imagem principal: Mario Ladeira

Fotos: Mario Ladeira

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