Só Jorge Ben salva
Ínfima homenagem ao mestre e a explicação de porque ele é sinônimo de bagunça na Argentina
Por Ana Manfrinatto
em 22 de março de 2011

Foto de capa do “Samba esquema novo”
Como dizem por aqui, hoje estou “sacada”. Isso quer dizer P da vida, NELVOSA, com sangue no zóio, chame como quiser. Dentre outras coisas, a culpa é da burocracia argentina (que só perde pra italiana) e, pra ajudar, eu estava escutando Racionais – que, convenhamos, é BÁRBARO mas não é nenhuma canção de ninar e só faz aumentar a sensação de que está tudo errado e que o apocalipse será depois de amanhã.
Sem Maracujina nem água de melissa ao meu alcance, fui lá na Rádio UOL (é assim que eu escuto música no trabalho, gente) e fiz uma seleção crocante por fora e cremosa por dentro de músicas do Jorge Ben. Daí eu lí no Twitter que hoje é aniversário dele e TIVE QUE compartilhar a informação com o meu irmão oriental no MSN:
Ana Manfrinatto diz:
hj é aniversário do mestre
Leo Nishihata diz:
jorge?
Ana Manfrinatto diz:
quem mais?
Disse “quem mais?” porque se não é ele é quem? O Jorge Ben me acompanha desde a adolescência quando a gente morava no país tropical e chamava o síndico. Daí, na época da faculdade – não existia iPod! – a gente ia descobrindo os “sons antigos” de quando o Ben Jor ainda era só Ben.
O Leo e eu íamos à Galeria do Rock e à Neto Discos felizões pra ver se a gente descobria algum álbum que até então fosse novo pra nós. Nessa época começaram as festinhas de samba-rock e a gente nem sabia que, uma década depois, cada música ou álbum fizesse a gente lembrar para sempre de algum momento das nossas vidas. Sem exagero nenhum eu posso dizer que a Tábua de Esmeraldas já salvou a minha vida!
Sim, eu queria desabafar. Sim, eu queria dar parabéns para o mestre. Mas este post tem, sim, um gancho com a Argentina e com a vida Nos Ares. Duvida? Eu conto!
Sabe aquele momento da festa de formatura do primo ou do casamento da amiga do interior em que a dignidade de todos os presentes já foi parar pra lá de Bagdá; que rola axé e funk carioca PLUS todo mundo dançando com umas bugingangas trazidas da 25 de Março (chapéu em forma de caneca de cerveja, óculos gigante, anteninha de diabo, pingentes pisca-pisca etc.)?
Pois bem, este mesmíssimo momento também é tradição nas festas argentinas e tem nome: CARNAVAL CARIOCA. Sabe por quê? É que em vez de “Juliana não quer sambar”, “na 4X4 a gente zoa” e “te dei o sol te dei o mar pra ganhar seu coração” (LOVE Luan Santana); o que rola é um medley com músicas brasileiras PORÉM tocadas por uns gringos e acompanhadas por um enorme trenzinho na pista de baile voilá, taí o carnaval carioca! São cerca de 15 minutos de descontrole geral da nação embalados por uma sequência de: Taj Mahal, Upa Neguinho, Zazueira, Brigitte Bardot, Ai Ai Caramba, País Tropical, Você Abusou, dentre outras.
Onde é que entra o Jorge Ben e ele mesmo enquanto símbolo de bagunça nesse samba-do-gringo-doido? É assim… A música “Taj Mahal” começa com um “Tê tê tê tê, tê tê tê tê”, não é mesmo? Só que os autores do medley pronunciam “Pê pê pê…” e, logo, aqui na Argentina quando alguém quer se referir à bagunça, oba-oba, baixaria, esculacho etc., neguinho diz PE PE PE PE.
Juro que é verdade, gente!
E acho que se pá o Jorge Ben nem tá ligado nisso, né? 😉
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