Ser negra no Brasil é (muito) foda
Da atriz Juliana Alves à ministra da igualdade racial Luiza Bairros: mais de 50 mulheres discutem o que é enfrentar machismo e racismo ao mesmo tempo
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A pequena Lara, que você vê na foto acima, tem 9 anos e é sobrinha da atriz Juliana Alves, nossa personagem de capa. Nesta edição dedicada ao combate ao racismo (assim como nossa revista-irmã, a Trip), as duas são o abre-alas de um caderno especial em que figuras interessantes refletem sobre o que é ser mulher e negra no Brasil hoje – e o que queremos que seja no futuro.
O racismo é crime no Brasil, mas se manifesta todos os dias nas mais diversas situações. Citando a antropóloga Lilia Schwarcz, “o Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão, o que mais importou escravos e o lugar onde a escravidão moderna durou mais. Não saímos dessas marcas de uma maneira leve”.
Sim, a coisa está ruim pra todo mundo. Mas ela é ainda mais perversa para as mulheres. A questão da raça somada ao machismo resulta num mundo em que crianças que nascem com o sexo feminino e a pele negra tenham de enfrentar muito mais obstáculos para conquistar os direitos mais básicos e realizar seus sonhos. Queremos que isso mude. E que a Lara possa ser o que quiser na vida, sem tanto sofrimento.
Mulheres negras ganham apenas 38% do salário de homens brancos
A despeito do crescimento das taxas de escolarização, a presença de negras nas universidades ainda é menor que a de brancas
A mortalidade materna de mulheres negras está 65% acima da de mulheres brancas
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