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Sem essa de salvar o planeta

Sem essa de salvar o planeta

em 29 de agosto de 2007

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De tudo que já vivi, sempre estive envolvida de corpo e alma na preservação do meio ambiente. E uma das instituições que têm um trabalho de primeira é o WWF, da qual faço parte há quatro anos. A seguir, uma entrevista com Álvaro de Souza, presidente da ONG no Brasil

por Cynthia Howlett

Meu amor pela natureza vem de menina. Nasceu com meus acam­pamentos, mergulhos, escaladas, do contato com o ar puro, com o cheiro da mata, com a água salgada da praia de Ipanema. Sem­pre tive Jacques Cousteau como ídolo e, aos 12 anos, bati na por­ta da fundação Cousteau, em Paris, pedindo para trabalhar com eles… Mas a resposta foi que eu deveria me formar em biologia e voltar mais tarde. Fiquei frustrada.

Me formei em direito e, mais tarde, em jornalismo. Não teria re­­lação com o meio ambiente se não tivesse escolhido trabalhar com direito ambiental. Anos depois, larguei para viajar como jor­na­­lista pelos parques nacionais, o que me aproximou da na­tu­re­za. Em 2002, recebi o honroso convite do amigo Zé Roberto Ma­ri­nho (am­­bientalista e presidente da Fundação Roberto Marinho) pa­­ra in­tegrar o Conselho Consultivo do WWF-Brasil (www.­­w­wf­.­org.br). De lá pra cá, acompanhei de perto o trabalho ma­­ra­vi­lho­so dessa ONG pela preservação das espécies, principalmente da nossa. Com o tema “aquecimento global” em alta, as pessoas pro­curam en­tender melhor o que vem acontecendo com nos­so pla­neta. Por isso, resolvi entrevistar Álvaro de Souza, 58, presiden­te do WWF-Brasil desde 2003, uma pessoa que admiro não so­men­te por sua inteligência, mas por sua dedicação. Um exe­cutivo bem-sucedido que resolveu agra­decer o que a vida lhe pro­por­cio­nou, envolvendo-se de corpo e alma na preservação do meio am­biente.

Cynthia. Atualmente, qual é o grande problema ambiental que en­frentamos? Álvaro. A questão mais séria é a emissão de CO2, que re­sulta no aquecimento global. Mas existe uma questão-mãe, que é a necessidade da educação e da informação ambiental. Sem isso a população não tem conhecimento do que está acontecendo.

Como economista e executivo, como você vê a conscientização em­presarial na questão ambiental? O meio ambiente é uma ques­tão im­­portante para a economia, e as empresas estão descobrindo isso. Existem dois segmentos: a preservação e a conser­va­ção. Nós, do WWF, estamos a favor da conservação. A preserva­ção ignora o de­senvolvimento, e não po­de­mos esquecer que, em breve, seremos 9 bilhões no mun­do. É impossível não mu­dar a na­tu­re­za. Já o conceito de conserva­ção insere o ho­­mem na natureza. É a ques­tão do ma­ne­jo sustentável, é conciliar o desenvolvi­men­­to com a proteção ao meio am­biente. No meio empresarial, o grau de cons­cien­ti­za­­ção aumentou em dez anos. Fi­cou caro pa­­ra as empresas não estarem den­tro do sis­­tema de desenvolvimento sus­tentável.

Temos tempo para consertar o que destruímos? Claro. A dificuldade maior não está com o setor privado, mas com o governo (o Bush é meu alvo favorito, mas existem ou­tros). Os países emergentes também preci­sam se enquadrar nessa nova realidade e par­ticipar efetivamente dessa questão. E­xis­­te um ponto essencial. Todos dizem: “Va­­­­­mos salvar o planeta”, mas o planeta se sal­va sozinho, ele já passou por transfor­ma­­ções anteriores, nós que devemos so­bre­­viver e nos salvar. É a espécie humana que vai se extinguir quando a maré subir, ou quando a água acabar.

Como podemos ajudar de fato? Na educa­ção. A educação ambiental deve ser uma dis­­­­­ciplina obrigatória nas escolas. Por
e­xem­­­­plo, na matemática, deve­ría­­­mos in­se­rir o contexto da economia de água, de quan­­­to gastamos escovando os den­­­­­­tes… De­­vemos educar nossos filhos, e, na verda­de, são eles que estão educando os pais.

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