
De tudo que já vivi, sempre estive envolvida de corpo e alma na preservação do meio ambiente. E uma das instituições que têm um trabalho de primeira é o WWF, da qual faço parte há quatro anos. A seguir, uma entrevista com Álvaro de Souza, presidente da ONG no Brasil
por Cynthia Howlett
Meu amor pela natureza vem de menina. Nasceu com meus acampamentos, mergulhos, escaladas, do contato com o ar puro, com o cheiro da mata, com a água salgada da praia de Ipanema. Sempre tive Jacques Cousteau como ídolo e, aos 12 anos, bati na porta da fundação Cousteau, em Paris, pedindo para trabalhar com eles… Mas a resposta foi que eu deveria me formar em biologia e voltar mais tarde. Fiquei frustrada.
Me formei em direito e, mais tarde, em jornalismo. Não teria relação com o meio ambiente se não tivesse escolhido trabalhar com direito ambiental. Anos depois, larguei para viajar como jornalista pelos parques nacionais, o que me aproximou da natureza. Em 2002, recebi o honroso convite do amigo Zé Roberto Marinho (ambientalista e presidente da Fundação Roberto Marinho) para integrar o Conselho Consultivo do WWF-Brasil (www.wwf.org.br). De lá pra cá, acompanhei de perto o trabalho maravilhoso dessa ONG pela preservação das espécies, principalmente da nossa. Com o tema “aquecimento global” em alta, as pessoas procuram entender melhor o que vem acontecendo com nosso planeta. Por isso, resolvi entrevistar Álvaro de Souza, 58, presidente do WWF-Brasil desde 2003, uma pessoa que admiro não somente por sua inteligência, mas por sua dedicação. Um executivo bem-sucedido que resolveu agradecer o que a vida lhe proporcionou, envolvendo-se de corpo e alma na preservação do meio ambiente.
Cynthia. Atualmente, qual é o grande problema ambiental que enfrentamos? Álvaro. A questão mais séria é a emissão de CO2, que resulta no aquecimento global. Mas existe uma questão-mãe, que é a necessidade da educação e da informação ambiental. Sem isso a população não tem conhecimento do que está acontecendo.
Como economista e executivo, como você vê a conscientização empresarial na questão ambiental? O meio ambiente é uma questão importante para a economia, e as empresas estão descobrindo isso. Existem dois segmentos: a preservação e a conservação. Nós, do WWF, estamos a favor da conservação. A preservação ignora o desenvolvimento, e não podemos esquecer que, em breve, seremos 9 bilhões no mundo. É impossível não mudar a natureza. Já o conceito de conservação insere o homem na natureza. É a questão do manejo sustentável, é conciliar o desenvolvimento com a proteção ao meio ambiente. No meio empresarial, o grau de conscientização aumentou em dez anos. Ficou caro para as empresas não estarem dentro do sistema de desenvolvimento sustentável.
Temos tempo para consertar o que destruímos? Claro. A dificuldade maior não está com o setor privado, mas com o governo (o Bush é meu alvo favorito, mas existem outros). Os países emergentes também precisam se enquadrar nessa nova realidade e participar efetivamente dessa questão. Existe um ponto essencial. Todos dizem: “Vamos salvar o planeta”, mas o planeta se salva sozinho, ele já passou por transformações anteriores, nós que devemos sobreviver e nos salvar. É a espécie humana que vai se extinguir quando a maré subir, ou quando a água acabar.
Como podemos ajudar de fato? Na educação. A educação ambiental deve ser uma disciplina obrigatória nas escolas. Por
exemplo, na matemática, deveríamos inserir o contexto da economia de água, de quanto gastamos escovando os dentes… Devemos educar nossos filhos, e, na verdade, são eles que estão educando os pais.
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